A última vez que fui a uma rave

Por André Santos

Em 1996, só havia quatro canais na televisão e não havia net. Eu tinha para aí uns dez ou 11 anos e, como qualquer rapaz daquela idade, gostava de me divertir e ir a umas festas quando caía a mesada. Nunca fui de grandes excessos. Gostava de passar bons momentos e sacar o número fixo de todas as miúdas que conseguia. Sim, porque naquela altura ninguém usava telemóveis: o mais maneirinho que havia à venda era do tamanho de uma Playstation.

Enchi de ar os meus Reebok até perder a sensibilidade nos dedos, vesti-me bem para o porteiro não perceber que eu era menor de idade e lá fui de boleia com um gajo da minha turma que era repetente e que, muito provavelmente por causa disso, já sabia conduzir o carro da mãe dele. Eram noites divertidas e bem-dispostas. O pessoal agora não se controla: mete drogas à sorte, só porque sim. É por estas e por outras que anda tudo desempregado. A vibe era visivelmente diferente, a miudagem pavoneava os seus outfits de cores berrantes, com a ingenuidade de quem pensa que aquilo vai ser fixe para sempre. "Com este casaco da Duff, vou ter sucesso com as miúdas para sempre. É só uma questão de o estimar e é certinho!" Pensava eu.

Nesse dia, a coisa não correu bem. Os meus amigos estavam estranhos.



Este tipo podia ser o meu melhor amigo. Não me reconheceu. Nunca mais.



A minha professora apareceu com o marido que estava farto de ali estar.







O puto mais cool da escola.



Quando um tipo se virou para me perguntar qualquer coisa, assustei-me um bocado e achei melhor ir para casa. Era terça-feira e tinha de ir levar os meus pais ao trabalho no dia seguinte.


NOTA: Sim, estes gifs são retirados daquele vídeo.

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