Missão AXE


Amor no espaço sideral

Por Paulo Cecílio



Todos nós já vivemos aquele momento na fila de supermercado, quando, aborrecidos de morte — e enraivecidos pela velhinha que jura pela saúde da sua filha que trouxe mas não encontra o cartão de descontos e pede só mais um minutinho —, os nossos olhos (e não existindo seios alheios onde os repousar) encontram refúgio nas capas de revistas tão inócuas quanto a TV Guia, a Nova Gente e a Caras, que nos ensinam tudo o que não queríamos saber sobre a Casa dos Segredos e sobre as vidas do suposto jet set. Porém, uma rara vez por outra, as mesmas são acompanhadas, na prateleira, por coisas como a Super Interessante e a Visão, revistas que nos puxam mais pelo cérebro — visto que somos todos muito intelectualóides e cultos.

É nessas revistas que podemos encontrar artigos sobre o espaço sideral, nomeadamente sobre a vida dos astronautas para lá da atmosfera, sobre a nova fuselagem do Soyuz-TMA e sobre a mais recente explosão estelar que a humanidade poderá ver a olho nu daqui a oito mil anos (se ainda por cá estivermos). Porém, são escassos, para não dizer nulos, os artigos sobre o amor no espaço. Não que me apeteça ler algo que seja um cruzamento da Penthouse com a Quero Saber, mas, visto que o turismo espacial irá, um dia, fazer parte das nossas vidas, tenho interesse em saber como agradar à minha miúda a milhares de quilómetros do chão terrestre.



Claro que, para que tal artigo possa ser redigido, primeiro têm de haver estudos práticos sobre a matéria — e considerando que a larga maioria dos astronautas que, de momento, orbita a Terra escondidos entre satélites obsoletos, são homens, um tal estudo não será realizado tão brevemente quanto seria desejável. E não, ninguém tem interesse em ver uma reedição do Brokeback Mountain no espaço. Por isso, urge, primeiro do que tudo, enviar gajas para o espaço, ou ir pelo espaço à procura de gajas (eu quero acreditar que elas andam aí — alguém que telefone ao Fox Mulder). Mas deixemos de lado, para já, esta procura de alienígenas tesudas e deixemos também os romances espaciais, consignados àquela canção estupenda dos A.R. Kane.

Como seria dar expressão máxima ao amor num território que é, ipso facto, um vazio absoluto? Presumo que, em primeiro lugar, a gravidade zero agisse como uma faca de dois gumes: não me parece que flutuar sem nexo seja muito confortável, ao contrário dos colchões de água, mas, por outro lado, permitiria novas posições que nem o tipo que escreveu o Kama Sutra alguma vez sonhou. Seria mais do que fazer amor: um verdadeiro espectáculo circense. Roam-se de inveja, chinesinhos contorcionistas.

E haveria, claro, a questão da pressão no espaço, que funciona mais ou menos como quando estamos debaixo de água: se aguentarmos a respiração no vácuo, a pressão subsequente irá fazer com que os nossos pulmões praticamente expludam numa mistela de carne e de sangue. E isto seria essencialmente uma machadada no pessoal que gosta de aguentar o máximo possível, tipo os hippies que se entregam ao sexo tântrico: imaginem o que sucederia se sustessem o orgasmo durante muito tempo… Pois. Não seria bonito de se ver. Para a miúda com quem estivessem, ainda menos — ter algo a explodir dentro dela não é a mesma coisa que pomponear um ovo. A maltinha que prefere BBW’s também deveria pensar duas vezes antes de se mandar para uma noite cósmica: meus, um objecto com maior massa tem uma maior força gravitacional — e vocês não querem mesmo levar com um asteróide na cabeça enquanto pinam.

Colocando de lado todas estas questões que se prendem mais com a física (e eu fui um verdadeiro atrasado mental a física no sétimo/nono ano), a ideia de poder ter sexo no espaço aguça-me a imaginação. A NASA que comece a tomar sérias medidas no que a esta matéria diz respeito: toca a formar o maior número possível de astronautas mulheres. Não só porque nos faria evoluir enquanto humanidade, mas porque daria um óptimo filme porno e até permitiria que a cena entrasse no Guiness — a maior orgia sideral de sempre. E não há como não esquecer, até porque estamos em tempo de crise, a questão do empreendedorismo — deter um harém turístico no espaço parece-me um negócio fantástico.

Aqui fica a Jane Fonda a fazer um strip em gravidade zero:




GIFs por Jorge Soares

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