Andar de mota sem quico no Vietname

Por Ana Rodrigues

Conheci a Joana Castelo no ano passado, quando trabalhámos juntas na organização do festival Milhões de Festa. Costumava cravar-lhe cigarros no backstage e dormíamos na mesma casa: bons momentos. Foi também aí que me apercebi do seu trabalho e que me apaixonei pela capacidade única que a Joaninha tem de captar momentos e expressões. Aliás, a Joana já colaborou várias vezes com a VICE.

Agora, a Joana vai estrear a sua nova exposição no Museu da Imagem (Campo das Hortas, 35-37), em Braga. Chama-se “Na cidade de Ho Chi Minh” e inaugura este sábado, dia 23, às 18 horas. Até 24 de Março, poderemos entrar no Vietname a partir de uma sala. Sim, no Vietname. A Joana explica: “O meu pai está no Vietname há 15 anos. Primeiro no norte, depois no sul. Entretanto, a família luso-vietnamita cresce e visito-os com regularidade no Natal e nas passagens de ano. Crio rotinas — ir beber um copo ao Yoko com amigos, andar de mota sem quico e parar nos tascos de beira da estrada, ir ao cinema, festas de casamento, concertos, e fotografar, fotografar, fotografar. A cidade tem uma energia louca e fotografo tudo. Sou uma estrangeira em Saigão, mas sinto-me em casa.” Liguei à Joana para ela me contar mais sobre esta exposição.

VICE: Olá Joana. Estás boa?
Joana Castelo: Ei Bia, está tudo bem. Estou aqui a montar a exposição…

Pois é. Está tudo a correr bem? Conta-me mais sobre isso.
É um diário pessoal. A energia da cidade fascina-me e, como lá vou frequentemente, queria contar a história da minha versão de Ho Chi Minh.

Fotografas há muito tempo…
Sim, desde 2001.

E que trabalhos é que recordas melhor?
Tantos. Já desenvolvi vários projectos no Vietname, tenho um sobre o backstage do Milhões de Festa (que ainda está em andamento)… Tive uma residência artística chamada “Entre Deus e o Diabo”, em ligação com a poesia de José Régio, em Portalegre, na Fundação Robinson. Fui seleccionada para participar como fotógrafa emergente numa masterclasse, organizada pela Fundação do Douro e pela Kameraphoto. Isto deu início ao Porto-Capítulo I, que esteve exposto na Praça Dom João I. Mas é um projecto que vou continuar a desenvolver.

Sobre a “Na cidade de Ho Chi Minh”, já percebi que vais com frequência ao Vietname. Sentes-te uma ocidental lá?
Uma ocidental serei sempre, mas já não encaro o país de forma exótica.

Foi por isso que decidiste montar esta exposição?
Esta exposição surgiu a convite do Rui Prata, do Museu da Imagem, e acho que fazê-la é uma mais-valia.

Obrigada, Joaninha. Boa sorte.

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