Finalmente, um gajo inventou umas luvas de vagina

Por Ryan Bassil



Sabem aquele momento único em que enfiam o vosso chouriço numa boneca insuflável barata? É uma altura em que acabam por sentir um sentimento belo e cândido de devoção partilhada. É uma altura em que acabam por rezar a um Deus qualquer para que vocês e a boneca tenham a oportunidade de passar o resto das vossas vidas inseparavelmente juntos. Pois, agora isso é uma realidade.

Sander Reijgers
, um artista holandês, criou uma variedade de itens para o guarda-roupa (incluindo casacos, luvas e chapéus), ao misturar pedaços velhos, recortados a partir das bonecas insufláveis, com outros pedaços de vestimentas de grandes marcas, tipo Nike e Reebok. Ou seja, podem ter estilo, ao mesmo tempo em que estão a arrepiar toda a gente. Sim, claro que, provavelmente, vão levar com olhares estranhos da malta que não percebe estes avanços ousados/emocionais. Mas, se eles não conseguem apreciar um homem que partilha o amor com o mundo, são eles que perdem, não é?

Encontrei-me com o Sander para lhe perguntar mais coisas sobre as suas criações sensuais e sobre o porquê  de ele ter decidido fazer luvas com clitóris nas palmas.


Um dos casacos ‘Cultural Contrasts’ do Sander.

VICE: Ei Sander. Antes de mais, conta-me tudo sobre os teus casacos ‘Cultural Contrasts’.
Sander Reijgers: Bem, queria combinar o Este e o Oeste num só casaco. Então, juntei um keffiyeh, um cachecol do Médio Oriente, com um casaco da Nike. Estava interessado nos significados culturais dos cachecóis… Eles são usados para nos mantermos quentes, ou para nos protegermos do sol, mas eles também são associados com os terroristas. E mais: as estrelas de Hollywood e a juventude do mundo ocidental também os usam, o que é muito interessante.

Estavas a tentar fazer uma declaração política?
Sim, queria criar um casado da paz, ao combinar os dois extremos do capitalismo norte-americano com o que o keffiyeh podia representar. Mas não há qualquer significado político com as bonecas insufláveis.

Pois, o que querias fazer com isso? Li que a ideia veio depois de teres lido A Doença da Morte, da Marguerite Duras.
Resumindo, a personagem principal da história não consegue sentir nada pelas pessoas. Ele utiliza o sexo como uma maneira para sentir algo e espera que, ao ter sexo com as mulheres, consiga sentir algum tipo de emoção pelos humanos. Eu queria fazer o oposto. Queria libertar a boneca insuflável do seu cariz sexual.



Por que é que começaste a fazer roupas, em vez de outro tipo de arte?
Comecei por fazer malas a partir de bonecas, porque queria que elas sentissem algo e que vissem o mundo de uma maneira normal. Por exemplo, se usares uma mala quando fores às compras, a boneca pode estar em contacto com o dia-a-dia de um humano. Decidi arriscar um pouco mais com os casacos, por ter combinado o “produto” de uma mulher com o hip-hop, a cultura jovem e o desporto.

Sim, utilizas muito a Nike no teu trabalho. Porquê?
Eu também uso outras marcas como a Adidas e a Reebok, também. Mas, para mim, a Nike é a melhor e uma marca que simboliza fortemente o mundo ocidental. Toda a gente conhece a Nike, então uso esse reconhecimento e a associação com a Nike no meu trabalho.



O que achas sobre as bonecas insufláveis?
Acho que elas são divertidas e estúpidas. Fico fascinado com o facto de elas (supostamente) reflectirem uma mulher. É que todos os clichés fazem parte da boneca.

Quais clichés?
Bem, hoje em dia a mulher é um produto. Elas têm de ser atraentes e sedutoras. Por exemplo, em publicidade, uma embalagem de leite tem de ser vendida através de um olhar excitado, ou através da imagem de uma mulher seminua. A mulher é subordinada e o homem é dominante. Utilizo esses papéis e esse imaginário no meu trabalho.

A tua mãe ajudou-te a fazer estes casacos. Ela não achou que era tudo muito estranho?
Sim, no início ela pensou isso, sim. Mas ela queria ajudar-me a fazer os casacos, porque eu nunca tinha trabalhado com uma máquina de coser e ela sabia trabalhar com isso. Depois de ter terminado o primeiro casaco, ela ficou muito satisfeita com o resultado final. Por isso, continuámos.


Um dos desenhos menos assustadores do Sandy.

Isso parece uma experiência muito unificante. Li que começaste a tua carreira enquanto pintor. Como é que te definirias agora?
Encaro-me como um escultor. Não podia usar tantos materiais diferentes, ou trabalhar tão rapidamente quando pintava. Por isso, desisti e comecei a trabalhar em 3D

Isso explica a vagina de futebol.
Sim, queria fazer trabalhos artísticos que não tivesses de usar, mas que só pudesses olhar. O futebol é o mundo do homem preenchido com machismo e dinheiro. Então, comecei por experimentar com a boneca insuflável. Tentei dar, ao mesmo tempo, um significado diferente ao mundo do futebol.

Fixe. Também já fizeste um par luvas com uma vagina. O que estás a tentar dizer com isso?
Nada. Só acho que é divertido fazer luvas com uma vagina e com um ânus. Faço imensos desenhos e desenhei umas mãos com uma vagina e com um ânus. Fiquei a pensar qual seria o aspecto disso na vida real. Portanto, fiz as luvas.

Ah, brinquedos práticos, que são capazes de reinterpretar brinquedos sexuais! Obrigado, Sander!

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