Guia VICE para Aniquilar Morcegos

Por Raquel Abreu

Morcegos, para quem não sabe, são aqueles indivíduos que andam sempre com a mesma roupa preta até aos pés e têm orgulho de nunca a lavar. Aqui na redacção da VICE a banda sonora académica tem sido diária. Com aquela berraria toda até parece que somos vizinhos de uma igreja marada qualquer. E, como se não bastasse, também temos de os aturar nas ruas e cafés, todos babados porque fizeram aquele caloiro com borbulhas chorar ou comeram a outra que tinha umas mamas enormes. Bah. Portanto decidimos proporcionar-vos esta maravilhosa oportunidade para fantasiarem, graças às nossas sete propostas, com o sofrimento dessas criaturas através de técnicas que vão desde um simples chatear até à aniquilação total.

Nº1: Convidá-los para um jantar e envenenar-lhes a cerveja.
A malta académica adora jantares. Não gosta necessariamente é de comer. Escolhem sempre uns restaurantes horríveis para se juntarem à volta de uma mesa com toalhas quadradas de papel que depois usam para jogar ao Stop e fazer desenhos brejeiros com a caloira da aldeia e um burro atrás de um arbusto. No entanto, estes, digamos assim, restaurantes têm uma vantagem: só têm duas ementas. Parecendo que não, fica mais fácil ir jantar fora quando só podemos comer bifinhos de peru com cogumelos ou filetes de pescada ("para os vegetarianos"). Depois, a acompanhar, bebem receita que, para quem não sabe, é uma espécie de chá de cueca mas que dá moca e liberta a franga das meninas que são as primeiras da sua família no ensino superior.

Nº2: Contratar um bruxo profissional para lhes lançar uma maldição que os impeça de sair de casa à noite.
A praxe e os ajuntamentos académicos no geral são uma chatice, mas têm outra desvantagem: saturam as ruas de gente que devia estar em casa. Leiam um livro, varram as ruas, aprendam uma língua estrangeira. A coisa boa de ir tomar um copo às quintas-feiras é que ainda não é bem fim-de-semana e por isso tudo está mais calmo, não há problemas em estacionar ou em andar na rua. As noites de praxe estragam tudo. Ninguém acorda cedo para ir para as aulas de boa vontade, por que é que há alguém que o faça para ir comer terra?

Nº3: Oferecer-lhes, como prenda de anos, o Ulisses do James Joyce.
Nenhum académico lê muito mais do que o livro com as regras da praxe. A noção de ter cultura desta gente é comprar O Jogo ou andar com o Destak debaixo do braço. O primeiro pela gaja boa da revista, o segundo para gozar com os classificados.



Nº4: Exportá-los para um país muçulmano.
Quantas destas pessoas não se recusaram, anos antes, a usar uniformes na escola? Afinal, só precisavam de uns berros para se convencerem que não ser reconhecido à distância tem as suas vantagens. Mas, como tudo, é só uma questão de contexto. Certamente que haverá sítios em que não ter personalidade é sinal de progresso.

Nº5: Dar um concerto de música parola num sítio estratégico e apanhá-los numa armadilha.
Ouvir música é uma perda de tempo para o doutor de praxe. Todas as canções que ele precisa de ouvir já conhece e passam na rádio. A música nunca vale por si, tem que ser sempre acompanhada de algum incentivo. Gajas bêbadas, bebidas baratas, festa Erasmus (desculpem a redundância). Mas não resiste a um arraial com o artista pimba de eleição e que faz questão de ir ver, ano após ano, à Queima das Fitas. E depois ainda perguntam quem é que vai à Queima pela música.

Nº6: Espalhar pulgas pelos trajes para copularem com as que já lá estão.
Há alguma coisa de muito errado contigo quando gastas, numas farpelas de padre do futuro, o dinheiro equivalente a um bom casaco. Estamos a falar de pessoas que, possivelmente, nunca comprariam roupa em segunda mão, a menos que se esteja a falar do traje académico. E que têm um orgulho incrível de lá colar uma espécie de medalhas de escuteiros e posar, no hall de entrada, para a fotografia do papá com as suas roupas por lavar.

Nº7: Se tudo o resto falhar.
Mudem-se para o futuro. Não há azeiteiros lá.

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