Guimarães Rocka Ó-Ió-Ai 2012


Jim Morrison: um pregador norte-americano em Guimarães

Por Jorge Matos



É o Rei Lagarto que vai subir ao palco este sábado. Aviso já que não é uma cena sportinguista, não é nenhuma mascote desportiva, mas sim o James Douglas Morrison que vai estar no grande auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães. Estamos mesmo a falar do vocalista dos Doors? Como é que o Jim Morrison renasce dos mortos?

A resposta está na performance JIM, que decorre a 23 de Novembro e que aproveita as palavras e o legado espiritual do músico para trazê-lo de volta à cena. Como diz o coreógrafo Paulo Ribeiro, responsável por esta peça: “Ouvi algures que quanto maior for a tempestade, menor é a sua duração.” Assim, surgiram alguns poetas e músicos, como é o caso de Jim Morrison e de tantos outros seus contemporâneos. Estes aparecem nos interstícios de uma sociedade em convulsão e deixam uma voz que acompanha gerações. Neste ano de 2012, tão conturbado, seria bom reflectir, mais do que nunca, sobre o lugar do que fazemos, do que dançamos, da sua responsabilidade política e poética.

Tal como todos podemos imaginar, esta é daquelas oportunidades imperdíveis, uma vez que, para além de ter música de Bernardo Sassetti (oferecendo, desta forma, uma pequena homenagem ao falecido compositor, que foi amigo pessoal de Paulo Ribeiro), podemos dar um passeiozito no Blue Bus, um autocarro turístico. Tudo isto embalado numa performance que serve para “reflectir sobre o lugar de cada indivíduo na relação com o mundo e sobre o lugar da dança”.

Este é, portanto, o efeito do Mr. Mojo Risin: lembrar-te do quanto tu próprio, as pessoas e, enfim, a sociedade podem ser estranhos. Na minha opinião, tão estranhos que é necessário recorrer a estes artistas para conseguir pensar o presente. Esta performance está integrada no ciclo Guimarães - Cidade da Dança e, a meu ver, é de ir, nem que seja para re-ouvir uns hits dos anos 70. Quando o espectáculo acabar… o último a sair, apaga as luzes.

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