Logo à noite vou ao Boiler Room

Por Paulo Cecílio



Passei os últimos dias a antecipar o Boiler Room, festa super-privada com transmissão para todo o mundo e onde vão estar alguns dos DJs nacionais que interessam e projectos que me entesam os ouvidos como os Sensible Soccers e o IVVVO. Depois, acordo, chega-me a notícia de que um meteoro caiu na Rússia e eu começo a temer seriamente pelo fim dos tempos. Não sei se quererei morrer hoje, no meio de hipsters e betos bêbedos à espera que os Buraka passem a “Kalemba”. Por outro lado, se há que morrer, que seja precisamente bêbedo e a fingir que a dança espanta demónios.

O Boiler Room, fundado pelo nosso amigo Blaise Bellville (que não vai poder estar presente nesta edição, porque anda em Los Angeles a fazer das suas. Ele já esteve em Portugal, mas no Porto, a passar uns discos de ragga, dancehall e grime, na festa de lançamento da VICE portuguesa, em 2009, no oitavo andar do Silo Auto), é uma espécie de microfestival da música electrónica: só que em vez de se estar rodeado de pastilhados durante três dias, perdido algures na santa terrinha, é organizado em diversas cidades europeias — em Lisboa será a primeira vez — e exige que sejas, basicamente, um VIP para poderes lá entrar. Ou então que faças como eu e tenhas boas cunhas. Visto que é um evento que é transmitido pela net, com milhares de pessoas a assistir em simultâneo e prontas a agarrar na pila sempre que uma gaja mais toldada pelo álcool deixe cair a alça do seu top, tem criado algum sucesso, especialmente junto da comunidade troll. O último que vi foi em Berlim e fartei-me de rir com alguns dos personagens que por lá andavam. Hoje o feitiço virar-se-á contra o feiticeiro e são vocês que se rirão de mim.



A localização para já é secreta — quer isto dizer que eu já a sei, não posso é contá-la. Jurei segredo. Tudo em nome de poder lá entrar, possivelmente beber até cair e atirar-me à gaja menos nojenta que por lá esteja nessa onda, se bem que após a espanhola podre de cega e podre de feia que ontem apanhei em Sigur Rós, qualquer uma sirva. Estou a gozar: sou patético, não vou para lá sacar gajas. Vou ficar quieto a um canto, a abanar a cabeça, e a queixar-me de que me doem os pés e quero é ir para casa ouvir Swans. E vou dizer olá aos Soccers, e mostrar-lhes que, após o Milhões, até emagreci mais um bocadinho. PIADAS PRIVADAS, FUCK YEAH!


Pode ser que hoje encontre a minha nova Fernanda.

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