Milhões de Festa


Milhões de Bike: Primeira etapa, de Lisboa às Caldas da Rainha

Por Pedro Paulos



No ano passado, quando cheguei a Barcelos, toda a gente me perguntava: "Como é que conseguiste?” Ao que eu respondia: “Com uma directa e doze horas de viagem por dia.” A verdade é que fui de carro a acompanhar três gajos que foram apelidados de malucos, mas, fogo, demorei o mesmo tempo que a ir de carro para França. Ainda é suor. Este ano é diferente. Decidi, talvez não muito inteligentemente, vir também de bicicleta. Eu e muitos outros.

Acordei cedo e tudo. Fui todo carregado até ao Terreiro do Paço e cheguei dez minutos depois da hora marcada. Para tentar estar lá às sete da manhã tive de me deitar cedo e nem pude ver quem é que ganhou o Big Brother VIP — a vida é feita de sacrifícios.



Claro que quase ninguém foi pontual. A única pessoa a estar lá a horas foi o gajo do black metal, o Nocturnus Horrendus, aka Alexandre. Claro que a organização também lá estava, todos os outros foram chegando aos poucos. Ah, ganhou um dos irmãos Guedes, por isso nem me senti muito mal. Também houve gente a faltar ao combinado, tosse tosse, senhor Hélio Imaginário.



Lá arrancámos. Fomos pela linha da Azambuja, a zona mais bonita e subvalorizada de Lisboa. É mentira, aquilo é, maioritariamente, um dormitório. Eu, pelo menos, costumo passar lá a noite. No início fui sempre na frente — não sou o gajo mais rápido, mas já pedalei vezes suficientes na minha zona para conhecer aquilo de trás para a frente.





Tudo piorou depois de Alenquer. Parece que as subidas que costumo fazer não são assim tão a subir, ou então as minhas pernas não são assim tão fixes. Quando deus fez Portugal (risos), já sabia que íamos inventar as estradas nacionais e o ciclismo também, só pode. O gajo queria mesmo ver-nos sofrer por causa daquela coisa de levar a cruz e de ser preso com pregos nessa mesma cruz.



Claro que fui ficando cada vez mais para trás, sendo derrotado até por pessoas com bandas de black metal e anos de estilo de vida destrutivo. Acho que não sou muito bom nisto de pedalar, mas bem que tentei.

As subidas continuavam e eu estava cada vez mais cansado. Dentro do carro, como no ano passado, era um bocado mais fácil. Estava tão cansado que tive uma ideia genial: “Vou agarrar-me à carrinha.” Não foi assim tão boa ideia.



Pá, e fala-se no diabo, ou melhor, malha-se no Hélio, e o gajo aparece, todo suado. Chegou quatro horas atrasado e disseram-lhe que o pessoal já tinha partido (imaginem porquê). Agora o que vocês querem saber: o gajo safa-se, sim. Pedalou como se não houvesse amanhã, ou melhor, como se nunca mais lhe fossem chamar “Guedes” na vida. Pelo menos foi o que me pareceu, ao longe.





Fomos tão rápido (e tão perto da morte, no meu caso) que chegámos às quatro da tarde e fomos ao Xispes das Caldas, uma mercearia no Bairro dos Artistas que faz a sandes a partir do que vende. Foi bom, gostei muito e ainda deu para descansar no parque da cidade (dormir todo cansado).

Estou neste momento a ter alto banquete em casa do Hélio, que tem os melhores pais de sempre, a propósito. É pena ter de subir mesmo milhões para chegar, mas perdido por cem, perdido por mil. Agora o pessoal diz que vamos sair à noite, no Parqe.

Quero ver como vou chegar a Coimbra. Rezem por mim.


Querem juntar-se à aventura? Vejam no cartaz aqui em baixo onde podem fazê-lo:

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