Música
Música: Reso

Tangram
Civil Music
7/10
Não sei se o Salvador Martinha já tentou esta piada, mas o dubstep mais agressivo faz-me, por vezes, imaginar o dub à porrada com o electro, numa discoteca, sendo que o último está mais bêbado. Para classificar tudo o que é veloz e esmagador, a língua inglesa tem a expressão break-neck, que, convertida para português, não funciona muito bem. Podíamos mesmo assim dizer que Reso faz dubstep quebra-pescoços a partir do confronto entre géneros vários da bass music: desde o hip-hop mais pimpado ao jungle de velha escola, com cheiro a garagem da periferia londrina. Contudo, ter direito a um estatuto no universo da bass music não está nada fácil nesta altura. Sobre a situação de Reso podemos apenas garantir que o rapaz está no bom caminho: depois de uma boa rodada de doze polegadas e um ou outro EP, Alex Melia volta a uma das suas primeiras casas (a Civil Music) para um enxerto intitulado Tangram, o seu longa-duração de estreia. Tangram é tão cheio de wobble e breaks doidos que não demorou muito tempo até me lembrar aquele vídeo de Aphex Twin, em que a cara do gajo está espalhada por um monte de criancinhas maquiavélicas. Reso faz bass music para encurralar os ouvidos e enchê-los de porrada.Tangram é um dos pontos de paragem aconselhados deste ano.






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