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      Obama e os desafios do futuro

      January 18, 2013

      Por Rui Marçal

      Editor Online



      Fui à Fundação Luso-Americana para saber o que o Nuno Rogeiro e a Clara Ferreira Alves tinham a dizer sobre “os desafios do novo mandato de Barack Obama”. A Clara Ferreira Alves faltou à chamada (acho que foi doença — já agora: as melhoras) e foi pena, porque precisávamos de mais democratas no debate. Assim, o painel foi composto por Mário Mesquista, Nuno Rogeiro e Michael Werz, que é um senior fellow da Center for American Progress (algo semelhante ao laboratório de ideias do PS).

      A apresentação de Nuno Rogeiro focou-se no segundo mandato de Obama, sem mencionar e discutir o primeiro. Assim é mais difícil. Primeiro, esta leitura tornou-se útil, depois aborrecida e, finalmente, inconsequente. Durante a apresentação ficou claro que o Nuno Rogeiro fala com precisão. Acreditem, ele conhece o Chuck Hagel e consegue dizer, a gosto, muitas coisas sobre ele. Nós não. Foi mais ou menos assim que as coisas se arrastaram (por esta altura, já um rapaz ao meu lado fazia piruetas com o telemóvel).

      Só que o Nuno Rogeiro não é só certezas. Ele também tem as dúvidas do mundo e a certa altura perguntou: “Neste segundo mandato, será Obama um presidente activista ou ausente? Tem um pendor para o conflito ou para a conciliação? Que postura assumirá? Na tabela de James Barber será Positivo/activo? Positivo/passivo? Negativo/activo? Positivo/negativo?”



      O senior fellow Werz ainda tentou ajudar. Apesar de “não ser claro o que se está a passar neste momento”, Werz revelou que o Obama está preocupado com três coisas: consolidar as contas públicas, garantir a fiabilidade da segurança social e do sistema de saúde. Infelizmente, os Republicanos estão em maioria na Casa dos Representantes e têm “um poder imenso em bloquear as propostas”. Podia ter acabado com algo tipo: “Ai se tudo fosse como estas conferências…”

      Sobre Obama foi só isto. Giro é ver que meio mundo mantém esperanças num presidente que nem anglo-saxónicos como o Nuno Rogeiro conseguem interpretar e que, para cúmulo, ainda nem decidiu se é activo ou passivo. Consigo vê-lo em qualquer posição e, talvez seja só um devaneio meu, mas considero o survivalism como uma capacidade obrigatória na política do presente.

      De qualquer forma, foi uma conferência sem provocações e, ao final de duas horas, já nem estranhei. Pôr democratas a discutir com democratas o sucesso de democratas faz uma lógica do caraças. 

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      Temas: Barack Obama, FLAD, Clara Ferreira Alves, política, Werz, Fundação Luso-Americana, Lisboa, Nuno Rogeiro, Rui Marçal, debate

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