Missão AXE


Os astronautas enquanto protagonistas de capas de discos

Por Luís Machado

O homem não foi ao espaço apenas fisicamente. Muitas vezes, são as canções que nos transformam em astronautas. Lembram-se do “Estou na Lua”? Não é bem isso que estou a dizer, mas anda lá perto. O tema ESPAÇO é bastante recorrente em capas de discos ao longo das décadas simplesmente porque é a derradeira viagem, a última fronteira, o pináculo da imaginação e da realização humanas.

Assim sendo, compilei algumas capas altamente em que o protagonista é um ou vários astronautas. Claro que a lista não é exaustiva, nem eu ouvi todos estes álbuns, mas já dá para sonhar um bocadinho. Esta é a minha linguagem gráfica preferida: o futuro. Parto do princípio de que também há colcheias e arpeggios no espaço — até deve ser engraçado, já depois de bebermos uns copos, ver símbolos musicais a flutuarem pelo azulão lá de cima.


The Afghan Whigs
1965 (1998)

Não sei muito bem o que dizer sobre esta capa, a não ser que curtia ter isto como poster no quarto.


Amon Düül II
Hi-Jack (1974)

O futuro: uma webcam que dispara raios laser à virilha dos astronautas mais incompetentes.


Les Baxter
Space Escapade (1958)

A banda sonora ideal para aqueles episódios do Tom & Jerry que se passam no espaço.


Roy Buchanan
You're Not Alone (1978)

Na Lua do futuro haverá um monumento, uma guitarra gigante em ouro, a comemorar o ego de todos os guitarristas do passado.


Canned Heat
Future Blues (1970)

Pá, crítica social. Polémico: lá estão os americanos a colonizar os outros planetas. Mas reparem nos perfis dentro dos capacetes: parecem-vos cabeças humanas? Assustador.


Deacon Blue
Homesick (2001)

Não percebo muito bem o que se está a passar aqui. Isto é breakdance espacial? Mas se virarem a capa ao contrário, parece que ele está a cair para a Terra, tipo bungee jumping espacial, mas sem o "bungee".


Klaxons
Surfing the Void (2010)

Ah, o difícil segundo álbum. O teste. O desafio. A música que não corresponde às promessas sugeridas pela capa.


Mass Hysteria
De Cercle en Cercle (2001)

Se aquele filme em que o Will Smith é o único humano vivo fosse mais deste estilo, aposto que não teria saído da sala de cinema a meio.


The New Pornographers
Myriad Harbour/Fugue States (2007)

Tenho pena que o fato deste astronauta estrague aquela vibe anos 50 do que poderia ser uma capa ainda melhor. Temos o explorador no planeta desconhecido das mulheres boas todas nuas, o Motelex, a oferecer uns sapatos (?) a uma matulona, mas depois aquela indumentária é super contemporânea e pouco imaginativa. Cena curiosa: a gaja parece humana e está claramente no seu planeta, o que pode querer dizer que o ET é na verdade o astronauta. E reparem que a viseira nem reflecte a gaja para não haver nudez frontal, ainda que reflectida.


Starscream
Future, and it Doesn't Work (2009)

Estes gajos foram imprimir a capa e saiu mal, mas gostaram mais assim e deixaram ficar como se tivesse sido de propósito. E curtem Transformers. Nunca ouvi o disco, mas aposto que é pior do que a capa.


Ringo Starr
Goodnight Vienna (1974)

"Ei, sou eu. O Ringo. O dos Beatles. Não, esse era o George. Eu tocava bateria. Não, é só para mostrar que também sei fazer música sozinho. Mas não me podem dar uma oportunidade? Por favor."


VC People
Galactic Classics (1979)

Deve ter sido aqui que os gajos do Futurama se inspiraram para as cabeças dentro de jarros.


Quasimoto
Astronaut EP (2002)

Tenho quase a certeza que isto é uma montagem.


Kinderen voor Kinderen
Kinderen voor Kinderen 14 (1993)

A versão holandesa do coro infantil de Santo Amaro de Oeiras. Volume 14.


Beggars Opera
Pathfinder (1972)

Cavalos no espaço? Isto faz tanto sentido como aqueles bonecos em que o Son Goku tem uma mota (tipo, ele consegue voar ou correr mesmo rápido). Percebem o que quero dizer? Seria como um sombrero ter o seu próprio chapéu.

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