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      Os homens também sofrem assédio sexual

      December 28, 2012



      Um amigo meu trabalha num armazém na Geórgia e, há já cinco anos, tem-me vindo a contar histórias sobre um colega mais velho, que lhe faz, constantemente, perguntas inconvenientes sobre a sua pila. DIARIAMENTE. E mais: o dito gajo até já se ofereceu para fazer um broche ao meu amigo. Poderíamos pensar que isto perturbaria o meu amigo, mas não, nem um bocadinho. Em vez de levar o caso para o tribunal, estas epopeias sexuais tornaram-se numa piada de trabalho. Pelas histórias que tenho ouvido, ainda não consegui perceber se este assediador é um gay no armário, um freak, ou alguém com sérios problemas mentais. Por isso, num esforço de chegar ao fundo da questão deste abuso no masculino, liguei ao meu amigo, para lhe fazer umas perguntinhas sobre o caso.

      VICE: Como é que esta situação estranha com o teu colega começou? Quando é que ele decidiu que não havia problema em falar contigo dessa maneira?
      O meu amigo: Logo quando comecei a trabalhar com ele. O gajo mostrou-me a rotina das minhas responsabilidades diárias no trabalho, no dia em que comecei nesse emprego. Ou seja, eu tinha, obrigatoriamente, de passar imenso tempo sozinho com ele. O tipo não se mostrava nada tímido a perguntar-me detalhes íntimos sobre o comprimento da minha pila, logo nas primeiras semanas de trabalho. Alguns amigos meus já lá tinham trabalhado, por isso já conhecia algumas histórias de coisas que este homem dizia, mas não sabia até onde é que o gajo iria comigo.

      Que tipo de coisas é que ele te diz? E com que frequência?
      Numa base diária, costumo ouvir algumas variações de “posso chupar a tua pila?”, ou “quando é que foi a última vez que te chupei a pila?”. Esta última é uma das minhas favoritas. Depois, há alguns clássicos que são usados mais raramente, como este: “Já tiveste sexo com uma galinha de três cabeças?” Uma vez, ele despejou metade de uma embalagem de iogurte de baunilha pela cara. Depois, veio ter comigo, juntou a sua face à minha cara e perguntou-me se ele seria homossexual.

      Mas ele não se afirma como gay. Ele não é casado, com filhos?
      Acredito, verdadeiramente, que ele não é gay. Na verdade, já debatemos o tema e ele desaprova esse estilo de vida. Claro que, apesar disto tudo, ele continua a atirar-se a mim, mesmo quando estou a tentar terminar o meu trabalho. O gajo é casado e tem dois filhos. É certo que ter uma família não significa que uma pessoa não seja homossexual…

      Há uns dias, contaste-me que ele costuma dizer, repetidamente e em voz alta, o teu nome?
      Ele já disse o meu nome, sem pausas, durante três minutos seguidos. Costuma fazer isso com toda a gente.

      Esta situação já se tornou física alguma vez?
      Houve uma ocasião em que ele me agarrou pelos tomates. E, sempre que tem oportunidade, baixa-se e finge que me está a fazer um broche.

      E os teus colegas de trabalho não reparam? Nunca alguém lhe disse algo como “meu, isto é estranho”, ou “ei, não gosto disto”?
      Ainda fico surpreso sobre p quão indiscreto este maluco é. Ele não se importa de falar ou de fazer estas cenas quando outros colegas, mesmo mulheres, estão por perto. Mas guarda os detalhes gráficos para um grupo restrito de pessoas. Sim, já houve queixas dele no passado, que envolveram questões como assédio, ou comportamento errático. Já ouvi quase toda a gente do escritório dizer que ele é um “otário”. Por outro lado, ele é uma pessoa esforçada, trabalhadora e é muito bom naquilo que faz. Talvez seja esse o motivo pelo qual ninguém o despede.

      Estas coisas que ele diz… Como é que te fazem sentir?
      Nunca me chateou. Tenho noção de que ele é só um gajo estranho, que não tem nenhum interesse em chupar a minha pila, ou a dos meus colegas. Normalmente, rio-me sempre com os comentários, apesar de já os conhecer há quase seis anos. A situação acabou por se tornar na parte estranha e divertida do meu dia.

      Quem é este tipo, afinal? O que sabes sobre a sua vida?
      Ele é um auto-denominado hillbilly, que tem um dos sotaques sulistas mais acentuados que já alguma vez ouvi. Mastiga tabaco constantemente e é enorme. Não é esquisito a comer e bebe quantidades massivas de cerveja. Em mais do que uma ocasião, já o apanhei a comer metade de um bolo de aniversário ao almoço, sandes de queijo, manteiga de amendoim e puré de batata frio. Nasceu na Geórgia, numa pequena cidade rural e o único presente de Natal que se lembra de receber é um carro de bombeiros, aos cinco anos. Meses depois de ter essa prenda, o pai castigou-o, ficou com o brinquedo e depois deitou-o fora. Ele contou-me que só brincava com coisas que não vinham da floresta quando ia a casa de amigos.

      Achas que o que ele faz está ligado a isso? Ou será só uma piada?
      Penso que ele adora deixar as pessoas desconfortáveis.

      Uma maneira para passar tempo no trabalho?
      Talvez. Ele é uma espécie de bebé, que precisa de atenção.

      Achas que ele é assim quando está com a família? Disseste que ele tem dois filhos, correcto?
      Houve uma festa no escritório, na semana passada. Muitos empregados trouxeram as suas esposas. Este tipo também. Eu trouxe um amigo meu, que foi quem me arranjou este emprego. Nós sentámo-nos ao lado deste homem e, mal chegámos lá, ele começou a fingir que estava a bater uma ao meu amigo, em frente da mulher. Disse que tinha de compensar o tempo perdido e começou a mexer a mão mais rapidamente. A mulher riu-se.

      Será que ele tem problemas mentais? Tens pena dele?
      Acho que ele deve ser bipolar. Muda de humor facilmente e, por vezes, atira objectos pelo escritório. Não creio que isso lhe afecte o trabalho. Parece-me uma pessoa perfeitamente confortável consigo própria e nunca o vi fazer nada que causasse sérios problemas. É só um gajo estranho do sul, que gosta de se divertir.

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      Temas: amor, gay, homens, assédio sexual, trabalho, masculino

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