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      A Fotografia do SIX é Música

      December 18, 2012

      Flávio Seixlack, aka SIX, gosta de fotografar aquilo que lhe interessa de cara. Suas fotos são urbanas e parecem sinais, vestígios de lugares por onde tem passado: um poste, um cara dormindo, uma placa, um almoço no escritório. 

      Todas as mais recentes, desde que se presenteou com uma Contax, têm no seu canto inferior impressões das datas. Segundo ele, é quase ficção científica. “Acho muito interessante ver aquela coisa amarela no canto, que tira um pouco do lado orgânico da fotografia”, tipo anos 90, “quando as pessoas tiravam fotos com data sem nem saber direito o que estavam fazendo”. Pra ele, porém, é uma opção estética.

      Ari Marcopoulos, Patrick Tsai, o Pat Pat e Ume Kayo são os fotógrafos que curte, “uma fotografia extremamente cotidiana, simples, direta e urbana, que depende muito do acaso, do imprevisto”. Pra quem não se lembra, o Pat Pat é o cara da capa da VICE (um disco náufrago?) da edição Que porra de lugar é esse e como vamos sair daqui?.

      Six, que já teve uma banda bastante conhecida, a Homiepie, e tem o site SUPPADUPPA, onde escreve, dentre outras coisas, sobre música, diz que o barato de fotografar e escrever sobre música é que ambos são feitos “de forma bastante livre e, às vezes, têm um jeito muito improvisado”. Inclusive pergunto: se suas fotos fossem músicas, quais seriam?  Rap e jazz, diz ele. E cita dois discos: “Ascension” do John Coltrane, e “The Low End Theory”, da “banda de rap mais inteligente que existiu”, A Tribe Called Quest. Jazz porque "tem muito a ver com o improviso, a bagunça sonora, um caos"; e o rap por causa “do lado urbano, a coisa da data queimando nas fotos e nas lembranças, o acaso... Mas tudo de forma consciente”.

      As fotos do SIX são isso tudo, menos datadas. São imprevistos & improvisos. Check the rhyme!

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      Tópicos: fotografia, Flávio Seixlack, SIX, Fotografia Analógica, anos 90

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