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      A Polícia Grega Pode Usar Seus Novíssimos Canhões de Água

      November 12, 2012

      Mais uma vez, a cena familiar de gregos lutando contra gregos chegou aos noticiários na quarta-feira passada, quando manifestantes enfrentaram a polícia em Atenas. Cem mil pessoas lotaram a Praça Sintagma no segundo dia de uma greve de 48 horas, coincidindo com uma votação na qual o governo optou por uma nova rodada de cortes no valor de $16,5 bilhões.

      Os cortes são necessários pra que a Grécia receba uma nova parcela de ajuda financeira, totalizando dramáticos 39 bilhões de dólares de um triunvirato de líderes (FMI, Banco Central Europeu e União Europeia). E, como se sabe, o trio nem precisa entregar a grana, já que o FMI não está autorizado a emprestar dinheiro a países com débitos insustentáveis. Países como a Grécia, obviamente.

      A Praça Sintagma fica bem na frente do parlamento grego e, da mesma maneira que a resistência aos cortes fora do parlamento, trabalhadores de dentro do prédio (que recebem pagamento diferenciado comparado aos outros trabalhadores) invadiram a câmara do parlamento e interromperam brevemente a votação. 

      Voltando pro lado de fora, a chuva ameaçava ensopar os manifestantes, mas não dissuadiu os mais casca-grossa que — depois de um impasse com a polícia — começaram a lançar coquetéis molotov e pedras nos policiais que protegiam o parlamento. A polícia reagiu imediatamente com muito gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral contra a multidão de manifestantes, pacíficos em sua maioria. Depois eles aproveitaram a oportunidade pra usar seus canhões de água de apenas um ano pela primeira vez, mostrando como estavam levando a sério esses protestos.

      A batalha se arrastou por várias horas enquanto o parlamento contava os votos, mas eventualmente a chuva se impôs e a maioria dos manifestantes deixou a praça, pondo assim um fim nos confrontos. No final das contas, os cortes foram aprovados, mas isso sempre vai ser uma situação que o governo não tem como ganhar: votar a favor significa uma inevitável revolta social e mais conflitos, votar contra levaria o país à falência até o final do mês.

      Apesar dos canhões, o distúrbio não foi nem de longe o pior que Atenas já viu. Seria esse um sinal de que a resistência está minguando? Ou seria só a calmaria antes da tempestade com os manifestantes e a polícia numa escalada de violência nunca vista antes? Só o tempo pode dizer, mas com outra greve marcada pra esta semana e o aniversário da Revolta da Politécnica de Atenas no dia 17, tenho certeza de que não vai demorar muito pra descobrirmos.

      Fotos por Nikolas Georgiou. Siga ele no Twitter (@mpodil) e veja mais do seu trabalho aqui.

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      Tópicos: Grécia, Praça Sintagma, Polícia, Polícia grega, Manifestações, Economia, FMI, Violência, Henry Langston

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