Batalha das Xoxotas

By Judas Hardwood; Fotos por Natalie Meziani

Em dezembro, o grupo ativista inglês UK Feminista descobriu um aumento no número de mulheres britânicas que pagam médicos para recauchutar o capô de seus fuscas. Por alguma razão, elas não curtiram muito a ideia e então foram até o epicentro desse mal comportamento labial na Harley Street e fizeram um considerável fuzuê.

Eu sei o que você está pensando: “Dezembro?! Isso foi ano passado!”. Tá certo. Desculpe pelo atraso. Mas você viu o estado dos nossos púbis recentemente? Às vezes essas coisas demoram pra serem feitas. De qualquer maneira, me senti imediatamente bem-vindo na “Muff March” (Marcha das Xoxotas), e eu nem tenho vagina. A marcha atraiu bastante gente e o espírito de união era intoxicante. Detentoras orgulhosas de uma miríade de xotas estavam presentes...

Gente jovem com sua xotas jovens...

Gente mais velha, com suas xotas mais sábias...

E um cachorro que podia ou não ter xota, mas que estava disposto a aparecer e registrar seu apoio ao conceito de xotas...

E xota do Socialist Worker -- não entendi muito bem o que Karl Marx tem a ver com cirurgia vaginal. Alguma relação com as divisões de lábia? ;(

E aqui estão as vítimas, comparecendo aos seus compromissos com o Dr. H. Egemonia e a enfermeira Pat Riarca. Por aluma razão elas pareciam não curtir muito a gritaria da multidão ou a solidariedade feminista. 

E como sempre, tinha um homem lá para se certificar de que as coisas não saíssem do controle.

E, como sempre, esse homem falhou totalmente na tarefa.

A essência do argumento do UK Feminista é que a indústria pornô, com sua abordagem niilista da estética da região púbica feminina, estava pressionando as mulheres a viver com as coisas que seus namorados clicam por engano tarde da noite quando elas estão dormindo. Elas tentaram mostrar esse argumento de forma lúdica usando perucas púbicas e dançando animadamente com uma música do Ray Charles (“Shake a Tail Feather”, naturalmente, não “Lonely Avenue”).

As responsáveis pelos cartazes da marcha não deixaram passar nenhum trocadilho possível numa marcha antidesign de vagina. Veja abaixo:

Depois de uma longa conversa com duas representantes do Socialist Worker (sobre como entender o crescimento da popularidade da cirurgia plástica de boutique entre mulheres sexualmente emancipadas, acorrentadas às expectativas contraculturais invertidas de identidade feminina da classe média-alta, através de uma interpretação revisionista trotskista de Marx), e de conseguir escapar das tentativas de me recrutar para o partido, fui falar com Kat Baynard, fundadora do UK Feminista, sobre vaginas.


Kat Baynard, fundadora do UK Feminista.

“É uma resposta à cultura pornô que diz às mulheres que suas genitálias não são bonitas. Não são pequenas o suficiente, não são macias o suficiente. Isso acontece como resultado do crescimento da pornografia, ela está se proliferando e se tornando parte do pano de fundo cultural. As mulheres na pornografia não têm pelos púbicos, os pornógrafos preferem mulheres com aparência de adolescentes. A lábia se tornou mais exposta, ela se tornou parte do pacote que é objetificado à enésima potência. Estamos aqui hoje por causa da publicidade sobre essas cirurgias por toda Londres, publicidade que propaga essas cirurgias como uma maneira de dar poder às mulheres e como uma solução. Mas na verdade eles só querem dilacerar nossos corpos.”

Várias fontes respeitadas têm levantado questões médicas sobre os perigos dessa indústria não regulamentada de corte de clitóris. É claro que há casos em que cirurgias como a labioplastia (corte e remoção dos lábios vaginais) ou rejuvenescimento vaginal são recomendadas, e até necessárias, por razões de saúde. No entanto, se você só quer um novo look, a possibilidade das coisas darem errado incluem os habituais riscos cirúrgicos, como hemorragia, cicatrizes, infecção e a merda geral que é ter a parte mais íntima do seu corpo cortada por estranhos e o estresse de imaginar o que os médicos fazem com esses pedaços. Além disso, eu só escrevi as palavras “indústria de corte de clitóris”. Você realmente precisa de uma indústria pra esse tipo de coisa?

Se Kat Baynard está certa -- e suspeito que, em termos gerais, ela está -- então acho que tudo culmina numa pergunta: Podemos parar a pornografia? Acho que a resposta para essa pergunta deixaria as moças do UK Feminista deprimidas, mas quem sou eu pra estragar os sonhos delas de um novo e igualitário campo sexual, um que lembre o filme De Olhos Bem Fechados mas com todo mundo usando máscaras do Tony Benn e ouvindo “Sexuality”do Billy Bragg?

Sim, não sou ninguém. Então acho que por hora, a luta contra as vaginas customizadas continuará a se desenrolar nas ruas de Londres.

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