FOTOS E TEXTO POR JESPER DAMSGAARD LUND E LASSE BECH MARTINUSSEN

| Encontramos um flamingo de plástico com o pescoço quebrado no jardim de um velho albergue perto da praia em Cienfuegos. É uma bela metáfora para o país como um todo. |
Não tínhamos nenhuma expectativa quando nós, dois dinamarqueses branquelos, decidimos ir de férias para Cuba em abril desse ano. É claro que esperávamos ver a arquitetura colonial, idosos com charutos, carros americanos dos anos 50 e a salsa. Mas queríamos saber como era a Cuba de verdade, especialmente agora que os arquitetos da revolução se tornaram ve-lhos doentes que perderam sua habilidade de governar efetivamente o que a irmã de Fidel Castro certa vez chamou de “uma enorme prisão cercada por água”.
Faz mais de 50 anos que Castro e seus camaradas marcharam para Havana e expulsaram o ditador Fulgencio Batista. Desde então, a pequena ilha-nação enfrenta um embargo comercial imposto pelos EUA que priva os cidadãos cubanos de muitas coisas que para o resto do mundo são consideradas corriqueiras. Durante nossa viagem não nos surpreendeu observar que Cuba mantém uma aura de anacronismo da Guerra Fria. Ela está desatualizada, fora de sincronia em relação ao mundo moderno.
O que vivenciamos foi uma deterioração singular de uma sociedade tão desconcertante e bela quanto triste. Cuba é adornada por uma estética kitsch que carece até mesmo da tecnologia moderna mais básica e, mais recentemente, o país foi invadido por formas dúbias de turismo. De muitas maneiras, parece um parque temático dilapidado que precisa desesperadamente de novos brinquedos. Isso tudo acabou produzindo coisas lindas para se fotografar, e foi isso que fizemos.

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