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Guia da NY Tyrant Para Não Ser um Escritor de Meia-Tigela em 2010

By GianCarlo DiTrapano, Ken Baumann e Blake Butler

Já que estamos na Edição de Ficção, resolvemos publicar a lista feita pelo Giancarlo DiTrapano da NY Tyrant, Ken Baumann da No Colony e Blake Butler da HTML Giant sobre os brochantes literários da atualidade. Enquanto eles montavam a lista, ela se transformou de “coisas que idiotas escrevem em seus livros” para algo similar à Estratégias Oblíquas do Brian Eno, uma mistura daquilo com recomendações gerais. Essa vai para qualquer pessoa que já tenha dito: “Eu sou escritor”. Leia e chore.

Se você vai escrever sobre drogas, por favor, pare.

Se você vai escrever sobre um casamento, por favor, pare.

Pare de escrever sobre como é esquisito ser gay. Não é mais esquisito.

Por favor, não escreva usando gírias de hip hop.

Não escreva sobre pornô. A gente já têm o suficiente disso nas nossas vidas e todo mundo se masturba tanto quanto você, então não tem nada de mais.

Não tente “escrever sobre o que você sabe”. Você não sabe nada. Nem eu.

Se você tiver que escrever sobre drogas, não escreva sobre maconha. Jujubas são mais interessantes que maconha. Facas são quase sempre legais.

Acidentes são bons, mas não os de carro, a não ser que todo mundo do livro esteja morto ou morra de uma vez só.

Não escreva sobre a Europa. Você foi pra lá fazer um mochilão durante uma semana e mal pisou nos lugares. Isso não te dá o direito de ter um personagem chamado Giuseppe.

Não comece sua história com letras do Bob Seger ou John Mellencamp. O Stephen King fez isso comigo uma vez quando eu era moleque e eu ainda não superei.

Hospícios são brochantes. Você pode ter um na sua rua ou próxima à sua escola, mas não pode mais estar em um. É um saco, eu sei.

Se você escreve com a mão, use a que não for sua melhor.

Se você escreve com o computador e o quarto tem uma janela, sente perto dela e não olhe para ela.

Ignore ou seja grosso com as pessoas que você ama.

Depois tente se redimir.

Não tente me surpreender a não ser que você tenha surpreendido a si mesmo.

Escreva um livro que vá me fazer preferir continuar lendo-o em vez de ganhar um boquete. Eu consigo pensar em 10.

Fontes são importantes, tanto enquanto você está digitando as palavras como quando é impressa no livro.

Quando você acha que está prestes a escrever algo muito bom, vá ao mercado.

A idéia de Chekov de que “se uma arma está na parede no primeiro ato, ela deverá ser descarregada até o final” fez mais estragos na escrita do que qualquer outra frase. Objetos não são sinais de tráfego. A ação de um livro não deve acontecer como se o Keanu Reeves estivesse no controle.

Eu ainda estou esperando para ler uma boa cena sobre alguém fazendo um piercing na orelha. Isso pode ser feito.

Nunca tenha filhos.

Estude história. Entenda que você não pode vencer. Repita.

Se você alguma vez pensou em Guerra nas Estrelas, mencionou Guerra nas Estrelas em uma conversa ou tem alguma coisa relacionada a Guerra nas Estrelas – ou assistiu Guerra nas Estrelas – não escreva.

Ah, que lindo! Você foi a um museu sozinho um dia e comeu um sanduíche de atum na lanchonete? Assim você me mata.

O metrô, ein?

Se você escuta Beatles, Radiohead ou Jay-Z, não escreva.

Se você alguma vez já fez a mão de chifres num show, não escreva.

Você provavelmente está na pior se menciona uísque ou uma praia.

Não diga “estória” ou “poema”.

Mães são melhores personagens para se ter do que namoradas. A mesma coisa serve para pais/namorados. Se a mãe é a namorada ou namorado, espero que sua história não seja minimalista ou narrativa.

Abstrações e sonhos são bons.*

*A não ser que seu sonho seja sobre construir uma casa na árvore feita de mel e cola com seu irmão - que na verdade não é seu irmão, mas aquele tal Brad Renfro que morreu em Hollywood sem ninguém se dar conta – e que a casa da árvore se transforme em um bar, depois em uma vela e depois numa cidade. Nós todos tivemos esse sonho ou algum outro tão ridículo quanto.

Escreva menos diálogos. A não ser que você seja muito bom nisso, o que eu garanto que você não é.

Você provavelmente está numa roubada se menciona algum site ou coisa do tipo ou mesmo um computador.

Aquele imigrante fofinho que trampa na adega e a família dele da qual você pensa ser grande amigo provavelmente vivem uma vida muito diferente do que você espera. Talvez você não deva se meter nisso.

Você está escrevendo sobre alguém dando um trago em um cigarro? É a mesma coisa que dizer: “Ele respirou”.

Não escreva sobre pele a não ser que seja ruim. Acne é sempre um assunto a ser escolhido. A vergonha e constrangimento que vem com uma pele horrível podem ser uma mina de ouro. Estou falando da acne primária também, não daquelas porras de cravos pretos no seu queixo.

Não conceba seus personagens “centrais” definindo-os com uma “condição” física ou mental.

Se você vai me contar sobre sua mãe, faça isso do ponto de vista do seu pai. Quero saber como ela é na cama.

Não se conecte comigo. Não tente fingir que não estou lá.

Não tente ser engraçado. Você é ou não é. Ou a frase é ou não é.

Você não é o David Lynch nem o Captain Beefheart. Talvez você seja a Cher.

Chore mais, mas não diga a ninguém. É assim que chorar é como rap.

Eu costumava dizer que você não pode escrever sobre serial killers, mas eles funcionam algumas vezes se forem descritos como se fossem uma toalhinha ou uma boneca.

Lembre que seu cu é um túnel.

Se você alguma vez leu Bukowski, por favor, pare.

Pelo amor de Deus, sem personagens que sejam músicos. Não tem nada pior que tentar descrever música ou como alguém a toca. Deixe a música para os cretinos.

Beba um pouco de água.

Não escreva sobre escrever. Você alguma vez viu uma pintura de alguém pintando? Não? Bom, é uma merda.

Se você alguma vez disse para alguém que ele estava “lendo errado” um filósofo, vá chupar rola.

Você não é o Andy Warhol.

Na verdade, você provavelmente não ouve black metal.

Posso reiterar aquela de não escrever sobre músicos?

Se você sabe mais sobre o seu próprio pau ou vagina do que como sua respiração soa enquanto você dorme, faça o favor de arrumar um emprego em marketing.

Provavelmente o cara que mora no andar de cima é bem legal. Você deveria se apresentar em vez de toda hora imaginar ele fazendo umas coisas estranhas com ganchos e cordas e anotar isso tudo. Se controla, o cara provavelmente só está jogando Wii.

Oooh, prostitutas. Então você tá nessa. Demais! Eu preferiria ouvir delas sobre você.

Se nunca houve um livro que fez você não querer sair mais de casa, não tente fazer o seu próprio.

Pare de estar em bares o tempo todo. Homem num Bar = Homem na Vida. Nós sabemos.

Fique com seus conselhos da mesma maneira que um dia você tentou chupar seu próprio pau. Quero dizer: tudo é verdade.

Se meu primo por parte de pai sabe quem você é ou tem interesse em ler seu livro quando dizem pra ele do que se trata, você pode estar morrendo.

Qualquer crítica social ou emocional vai passar despercebida. Pena.

Se você pode separar as palavras e a história: lixo.

A palavra “amantes” sempre falha de algum jeito.

Não só mate seus ídolos; deixe-os na história.

Evite completamente Los Angeles e Nova York. Se você morou em alguma dessas cidades você já teria desistido de escrever mesmo. Eu não acredito em você.

Você alguma vez já imprimiu seu manuscrito e se banhou nele?

Respostas certas são para aqueles que tem esperança.

O tom pertence à música enquanto a surdez é sagrada.

Se você ou as pessoas na sua escrita compraram roupas novas nos últimos dois anos, acabou.

Se você pode mostrar onde está a “ação” em um livro, por que não é um filme?

Não escreva sobre o futuro.

Não escreva sobre finais.

Provavelmente não escreva nada.

GianCarlo DiTrapano, Ken Baumann e Blake Butler.
Tradução: Equipe Vice

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