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      Muito Bem Embrulhados

      March 16, 2012

      Por Weston Phippen, Fotos por Branden Eastwood e Anthony Sandoval


      A polícia de Juárez alegou que esses membros de gangue foram pegos roubando carros (que, muitas vezes, são usados então em tiroteios). Depois de serem algemados, eles foram colocados de bruços na traseira de um camburão. 

      Antes de sequestrar alguém, o Zurdo gosta de chapar: um pouco de maconha, talvez algumas carreiras, uns tragos, comprimidos, qualquer coisa. Depois disso ele coloca roupas pretas, junta suas armas — uma AK-47 e uma 9 milímetros — e sobe no Chevy Tahoe com quatro outros caras. Aí eles vão pelas ruas de uma cidade quatro horas a sudeste de Ciudad Juárez que nos pediram para não identificarmos. Ao amanhecer eles já pegaram um pobre coitado e o entregaram para “El Patron”, o chefe do Zurdo.

      Durante o dia, o Zurdo (“Canhoto” em espanhol) trabalha num restaurante mexicano do outro lado da rua de um prédio em ruínas, perto de um bar onde bêbados de pele de couro montam guarda durante o dia inteiro. Sequestrar para o Cartel de Juárez é um bico. Ele pega principalmente traficantes de drogas peso-pena ou seus parentes. Todo mundo sabe como isso funciona: Se você vende narcóticos sem a permissão do El Patron, ou quebra suas regras, Zurdo e sua turma (ou outro grupo mascarado) te pegam e levam para algumas das muitas casas ou ranchos do chefe. Lá você será torturado e solto — em troca de dinheiro — ou torturado e morto, e seu corpo será desovado na rua como um cigarro jogado da janela do carro. A maioria vai com facilidade, conta Zurdo. Ele diz: “Estão te chamando. Entre no carro”, e eles costumam aceitar. Só um punhado de vezes ele teve que desovar um corpo, e nesses casos ele os deixa nos limites da cidade para os policiais acharem depois. De acordo com suas estimativas, cerca de metade das pessoas que ele sequestra são eventualmente assassinadas. Mas isso não é da conta dele — ele é só um mensageiro. Além disso, ele precisa voltar ao outro trabalho, onde tem infinitas mesas pra limpar e burritos pra enrolar.

      O Zurdo mora num apartamento conectado aos fundos do estabelecimento onde trabalha das 5 e meia da manhã até as 11 da noite. Nosso encontro foi arranjado por um amigo meu que de algum jeito convenceu Zurdo, um de seus melhores e mais velhos amigos, a me conceder uma entrevista.

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      Tópicos: narcóticos, tráfico, Gangues, Entrevista, Juárez, Weston Phippen, Polícia, traficantes, drogas, México

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