Música

Não Devo, Não Temo, Me Dá o Meu Copo que Já Era...

By Equipe VICE

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Bom, confesso que hoje em dia, toda vez que vejo artistas declarando “que tem veia punk” sinto engulhos. Na real não tem nem que ser artista, pode ser qualquer pessoa, é só usar punk como expressão – tipo “tal coisa é muito punk, meu” – que a azia já sobe. Não perdôo nem aquela música do Gilberto Gil. É que punk não tem nada a ver com isso. Punk, no Brasil, entre outras coisas, era isso aqui ó:

Volta lá e assiste (tem mais quarto partes no youtube), cada parte tem uns cinco, dez minutos, e a trilha sonora incidental é de uns caras do Grupo Rumo. Direção e roteiro são assinados por Sarah Yakhni e Alberto Gieco, e como eles, tem um monte de gente envolvida que tá no cinemão até hoje (a produção é do Francisco Cesar Filho e a assistência é da Tata Amaral, por exemplo). Tem também o Ratos de Porão antes do metal chato.

Mas tudo isso pra deixar bem claro que punk não tem nada a ver com o que normalmente se diz que é por aí. E pra deixar claro que o punk do Brasil não deu frutos pro mainstream e nem garantiu carreiras independentes frutíferas a rodo, pelo menos não do jeito que isso aconteceu nos EUA. E pra dizer que, finalmente, graças à Edições Ideal, saiu no Brasil o livro Não Devemos Nada a Você (We Owe You Nothing), uma coletânea de entrevistas feitas pro zine de Chicago Punk Planet, que era na verdade uma revista muito legal. No livro tem entrevistas com a colaboradora da Vice Miranda July, o lingüista Noam Chomsky, Ian Mackeye, Jello Biafra, Jawbreaker, Steve Albini, Thurston Moore do Sonic Youth e os caras do Black Flag, entre outros. Nosso colaborador Arthur Dantas pediu pra reclamar que tiraram a entrevista do Chumbawamba, mas pra mim tanto faz, red label ou ice. Valeu povo da Ideal!

PS: Vocês podem mandar outra cópia pra gente? A que chegou aqui o meu chefe não quer jogar na minha mão de jeito nenhum.

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