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      Não Era Chiste: A Coreia do Norte Testou Outra Bomba Atômica

      February 15, 2013

      Enquanto você dormia, a Coreia do Norte estava causando um pequeno terremoto na península da Coreia. Depois de um crescendo de imagens iconográficas com mísseis na mídia local do Estado socialista e a poucos dias do aniversário de Kim Jong-Il, a Coreia do Norte anunciou ter obtido sucesso em suas ameaças com a detonação de uma terceira bomba atômica.

      A imprensa da Coreia do Sul foi a primeira a ficar sabendo do acontecido, com relatos de tremores de terra em Seul pouco depois da detonação, que aconteceu distante dali, a nordeste da província de Hamyong, às 11h57 no horário da Coreia. A responsabilidade por essa atividade sísmica, registrada em algum ponto da região como um tremor de magnitude 5,0 na escala Richter, foi logo assumida pelo KCNA, órgão de propaganda da Coreia do Norte. “Podemos confirmar que o teste foi realizado perfeitamente e com segurança em nível elevado, sem atingir negativamente o ambiente ao redor, e que foi conduzido com um dispositivo atômico menor, mais leve e de alto rendimento”, nas palavras deles.

      “O teste foi feito para garantir a segurança e a soberania de nosso país frente ao comportamento agressivo dos Estados Unidos, que infringiu o direito legal de nossa república de lançar um satélite de maneira pacífica.”

      Previsivelmente, o mundo reagiu com reprovação, inclusive a China, que demonstrou “preocupação profunda” com a situação. Eles publicaram um editorial no jornal estatal Global Post indicando que poderiam reduzir sua ajuda à Coreia do Norte caso o teste nuclear fosse realizado. Considerando que os chineses são responsáveis pelo fornecimento de cerca de 90% do combustível e da energia do país, pode-se dizer que Kim Jong-Un colocou em risco um relacionamento bastante importante. No entanto, a agência de notícias Yonhap observou que o Norte havia emitido uma notificação prévia para a China e os Estados Unidos antes de realizar o teste, o que é basicamente o equivalente geopolítico de avisar seus vizinhos que você vai dar uma puta festa em casa no sábado e que, mesmo que as coisas saiam um pouco do controle, você não tem a intenção de causar nenhum dano. De fato, parece que a Coreia do Norte gostaria de realizar esse teste nuclear sem causar muitas consequências políticas no âmbito internacional (boa sorte na tentativa aí, pessoal). Pelo padrão de comportamento deles, foram muito mais abertos sobre o teste desta vez, e a retórica envolvida no discurso foi notadamente menos beligerante.

      Se o Norte está tentando não chamar muita atenção internacional com esse ocorrido — eles até se pronunciaram há poucos dias dizendo que o mundo está tirando conclusões precipitadas sobre suas ambições nucleares —, é porque o verdadeiro propósito dessa exuberância atômica é provar um argumento no nível doméstico. Ao realizar essas empreitadas (ou pelo menos passar tal impressão), o governo de Kim Jong-Un é capaz de justificar e propagar ainda mais sua ideologia dominadora, o que legitima e glorifica seu regime atual. Testar uma bomba atômica tão perto do aniversário de Kim Jong-Il, é como se fosse uma demonstração de honra ao legado e à sabedoria de seu pai, reafirmando a ameaça que enxergam na América do Norte e dando ao país a recompensa nacional que eles estavam esperando depois de meses dessa ladainha nuclear permeando os canais oficiais da cultura popular norte-coreana.

      O problema é que a distância entre o que a Coreia do Norte diz para as pessoas e o que ela diz ao mundo é muito transparente para atores internacionais que sustentam o país, como é o caso da China. Por enquanto, a Coreia do Norte pode até continuar nessa fanfarra nuclear para entreter seus cidadãos enquanto dá de louca para o resto do mundo, mas a frustração cada vez maior demonstrada por todos os que acompanham a situação de fora de suas fronteiras pode acabar eclodindo. E por quanto tempo eles vão aguentar antes que alguém estabeleça um limite e comece a organizar uma intervenção... É palpite de cada um.

       

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      Tópicos: coreia do norte, Coreia do Sul, terremoto, Bomba Atômica, King Jon-il

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