Por que Garotas Nunca Deveriam Fazer Sexo Anal

By Mary-Ann Banal

Estava lá eu sentada na sala de estar da minha amiga no oeste de Londres, bebendo uma garrafa de pinot gris de £7 que encontrei no fundo da geladeira dela, quando vi um papel na minha bolsa que estava lá há dias com o esboço de algumas linhas de um artigo que eu deveria escrever sobre por que algumas pessoas gostam de enfiar um sacolé de carne no meio do rabo. E a verdade é que não faço a menor ideia.

Claro, uma vez que você já passou pelo primeiro, segundo ou terceiro relacionamento de longo prazo, já suou muitas e muitas vezes em todas aquelas posições extravagantes que deveriam ser uma delícia, só pra voltar pra mesma rotina de papai e mamãe/mulher por cima/ por trás, e ele começa a sussurrar aquela conversa mole sobre como ele ama a sua bunda no seu ouvido... Claro, nessas circunstâncias, isso até vai parecer a ideia mais sexy do mundo.

Aí você começa a considerar isso, brincar com a ideia sempre que está com tesão e sozinha. E inevitavelmente, mesmo essas fantasias sendo mais baunilha que o sexo muito chato que os animais fazem ou envolverem lançadores de foguete direcionados pra sua bunda, o mero pensamento do anal é suficiente pra te fazer gozar como se fosse morrer amanhã.

A próxima coisa que você faz é ver um pouco de pornografia, depois vai perguntar pra uma amiga mais vadia ou prum amigo gay que vai te jurar (e você vai cair nessa conversa), que sim, anal é supernormal, só mais uma fronteira pra ultrapassar com o seu parceiro na longa caminhada pra se tornarem “um só”. Seus amigos vão dizer que não tem nada melhor que deixar alguém chegar perto daquela parte do seu corpo que só o fundo da sua privada já viu.

Mas eu preciso discordar. Eis os motivos:

É IGUAL CAGAR, SÓ QUE AO CONTRÁRIO

Soltar aquele barro longo e merecido é incrível, sem dúvida. Agora, pegue esse sentimento maravilhosamente catártico, multiplique por um milhão e transforme em negativo colocando um grande sinal de menos (-) na frente.

A bunda de ninguém é o Tardis. Sua cavidade anal é um espaço finito e você está introduzindo mais matéria lá. A capacidade total do compartimento da bunda logo será alcançada e cansada das batidas constantes, sua porta de trás vai quebrar. Quase que irreparavelmente. O que me leva ao número dois (hahaha).

SUA PORTA TRASEIRA VAI FICAR ZOADA POR UM TEMPO

Lá de onde eu venho, temos um ditado equivalente àquele britânico de olhar a tinta secar, é assim: “[Fazer algo insignificante/inútil/chato] é como esperar os nove dias que levam pro seu cu sarar”.

E uma rápida pesquisada na internet só vai confirmar que esse é exatamente o tempo que um ânus precisa pra recobrar seu estado anterior de firmeza e, sendo assim, é exatamente o tempo que você terá que esperar pra realizar de novo qualquer curtição anal. Nove dias.

Te dar esse conselho precioso de como fazer sexo anal provavelmente acaba executando o propósito contrário de um artigo que está tentando te fazer desistir exatamente disso, mas meu ponto é o seguinte: o corpo humano tem um número claramente definido de entradas e saídas. Eu sei que é esse tipo de coisa que as pessoas quadradas e homofóbicas costumam dizer, mas não vejo por que ficar brincando com essas coisas.

Ainda não se convenceu? Veja o que significa quebrar sua porta traseira:

VOCÊ CAGA PORRA

E não pense nem por um segundo que isso vai acontecer na privacidade do seu banheiro, no reservado do escritório ou num banheiro químico de festa. Isso pode acontecer a qualquer momento, em qualquer situação, e mesmo muito depois do ato. Eu cheguei a testemunhar a cara da minha amiga passar por cinco tons de verde diferentes depois que ela percebeu que sua bunda estava vazando enquanto ela dançava num sofá de um clube de Ibiza durante o happy hour. De biquíni (é, eu sei). No começo achamos que era por causa de tanto teco que ela andava dando, mas era tudo culpa do pênis do namorado dela.

Pra quem está planejando usar camisinha ou algum brinquedinho erótico, você vai continuar sentido que precisa cagar toda hora. O que, especialmente se você for um desses tipos bulímicos mutantes, pode até parecer legal. Mas aqui está a pegadinha: você não vai. Pense em 25 viagens inúteis ao banheiro por dia, apenas o resultado do que será sua recém-descoberta sensação do ânus contraindo. Isso é bem chato.

O PEVERSO JOGO DE PODER

Uma outra amiga, que vamos chamar aqui de Marlene, e que, incidentalmente, acabou sendo minha conselheira de putarias no passado e que se casou com 21 anos, tem esse pequena joia para compartilhar: “Eu adoro, mas não dou nem quando tenho vontade. Você é uma mulher e o sexo precisa ser nos seus termos. Você tem que fazer eles implorarem por isso, fazer que eles cheguem perto de chorar por causa disso, e só ceder quando tiver alguma coisa muito importante pra pedir. Como um final de semana num iate”.

E se você não entende por que isso é zoado, você merece mesmo toda a merda que está prestes a ser jogada no ventilador apontado pra você.

A FALTA DE ESPONTANEIDADE

Pra fazer esse salto, você primeiro tem que percorrer a situação inteira através da sua mente de novo, e de novo, e de novo. E mesmo com toda essa análise, e me desculpe por dizer isso, não vai ser do jeito que você fantasiou. No sexo anal, não existe isso de partes deslizando suavemente pra outras partes que foram desenvolvidas por milhares de anos de evolução ou vontade de Deus (e eu sei quanto vocês, caras, gostam de enfiar coisas na bunda uns dos outros) pra deixar o processo mais fácil com a autolubrificação. Não tem aquela coisa de ser agarrada e puxada pra cama, nenhum senso de impulso, nenhuma paixão.

Só planejamento insensível e preliminares mecânicas com a meia-bomba e a secura que a perspectiva de dor iminente provoca (ah, desculpa, esqueci de mencionar isso? VAI DOER. MUITO). E nem vou falar da grande quantidade de substâncias escorregadias que vão se mostrar infernais pra tirar do corpo, do cabelo, do lençol e da nave espacial.

Simplificando, não importa as boas intenções de ambas as partes, não vale a pena. É só pensar nisso como uma situação interminável de luta pra colocar a camisinha direito. E MAIS, você vai ter que esfregar o chão pra tirar o lubrificante que cair. De joelhos.

ELE VAI SE ESQUECER DA SUA ÁREA DE LAZER PRINCIPAL

E o maior problema é que provavelmente você também vai. Quando ele estiver dentro, vai estar muito preocupado com te machucar, ou enojado com a imagem mental dele mesmo como um garanhão (eca), ou ambas as coisas, e vocês ficarão aturdidos com toda a dificuldade que não vão se lembrar daquela senhorita chamada vagina e seu papel principal de agitadora da festa na floresta.

Em todo caso, se falhei completamente em te fazer reconsiderar o sexo anal, certifique-se de dar aquela atenção necessária a ela. Você sabe quem.

É isso. O único ponto que falta é:

AINDA NÃO ESTOU CONVENCIDA QUE OS CARAS GOSTAM TANTO ASSIM DISSO

Um namorado me disse uma vez que isso também podia doer pra ele. Por ser tudo muito apertado, algo assim, mas faz tanto tempo que nem me lembro dos pormenores da conversa. E mesmo assim ele continuava querendo fazer anal.

Tanto faz, dane-se. Sou uma garota, não sou um cara. Mas os homens podem dar seu pitacos sobre o assunto nos comentários abaixo, OK?

E, gays, desculpem se isso ficou muito focado no sexo hétero, mas vocês têm todo um Guia VICE Para Ser Gay pra ler.

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