Visitei a Mansão Playboy (e Foi Meio Deprê)

By Jamie Lee Curtis Taete

Algumas semanas atrás, fui convidado a visitar a mansão Playboy pra a exibição do novo filme da Jennifer Lopez e do Jason Statham, Parker. Geralmente não vou nessas cabines de imprensa porque é muito mais fácil baixar o filme e assistir em casa sem ter que sair e interagir com outras pessoas, mas eu fiquei com vontade de visitar a mansão Playboy logo que descobri que isso era uma opção nessa ocasião. Então, eu TIVE que ir. 

Antes da exibição havia uma recepção com coquetéis e “oportunidades de fotos” com algumas das Playmates™® no salão da entrada principal da mansão. 

Me disseram que o Hugh ia estar lá também, mas ele estava doente. Então a gente teve que se virar com essa coisa.

A cabine do filme aconteceu na sala de desenho. Aqui vai uma imagem exclusiva pra você. Essa é uma cena onde (ALERTA DE SPOILER!) o Jason Statham bate em alguém com alguma coisa.

Logo depois que tirei essa foto, sussurrei alguma coisa pra garota sentada do meu lado e um cara de terno e tênis Converse veio e me disse pra parar de falar alto. Terno com tênis Converse é o look que eu menos gosto no mundo. Você tem ideia de como é humilhante ter um cara gritando com você num visual que só era aceitável pro Tom Green no Kids' Choice Awards da Nickelodeon em 2003? Foi horrível.

Precisei sair de lá, então decidi “me perder” enquanto tentava achar o banheiro e ver quanto tempo eu conseguia perambular pela mansão antes que alguém me fizesse voltar pro filme.

A primeira coisa era achar um banheiro pra bater um barro. Eu nem precisava realmente, mas quantas vezes na vida você vai ter a oportunidade de fazer cocô na mansão Playboy? E é isso que você vai ver enquanto estiver na privada lá, se é o que você estava imaginando. 

Depois de cagar, comecei a notar como tudo era tosco. É idiotice minha achar que a mansão seria legal? Imaginei que seria pelo menos um pouquinho chique. Essa era a principal razão pra eu querer visitar — sou gay, aliás. Espera, os héteros ainda curtem as minas da Playboy? Ou isso acabou nos anos 90? Como a Playboy ainda existe se já temos a internet? Quem no planeta Terra compra essa revista? O tipo de pessoa que usa terno com tênis Converse, provavelmente.

De qualquer maneira, isso aqui é menos legal que o banheiro lá de casa. Eu deixo o meu purificador de ar dentro do armarinho pelo menos.

Aliás, que puta monte de absorventes. Acho que as moças aqui devem enfiar vários deles por vez, né?

Quer dizer, claro que é um banheiro adorável. Todas as coisas de mármore e tal. Mas aqueles protetores de assento são uma coisa estabelecida já faz tempo. Acho que eles já deviam ter colocado um dispenser disso ali nessa altura do campeonato. Isso é como eu imagino que seja o interior de uma daquelas mansões de Londres que eram dos bilionários do petróleo e que acabaram ocupadas por italianos folgados. 

Depois de terminar meu serviço, perambulei por algumas outras salas. A maioria das coisas da casa são objetos totalmente padrão e impessoais estilo McMansão, como animais enormes de cerâmica e vasos cheios de gravetos. Mas havia alguns toques pessoais aqui e ali, como uma foto do Hugh com o elenco de As Panteras e uma foto do casamento mais recente dele com uma mina de 26 anos (que a gente não pode publicar aqui por causa daquelas coisas de direitos autorais e advogados).

Tinha também essa adorável estátua de um “casal” “feliz”. É incrível como o escultor conseguiu captar a estranheza da situação mesmo em bronze. 

Estas são as extensões telefônicas de todos os telefones da casa. Não sei se você consegue ver, mas são TRÊS extensões só pra álbuns de recortes. Que fofo!

Fui ao quintal e topei com esse cara. 

Depois fui dar uma volta pela área da piscina. 

Essa é “a gruta” – que, por alguma razão, eu sabia que existia. Também era meio zoado e deprimente. Olha esse assento na esquerda. Parece um colchãozinho no qual uma pessoa teria uma overdose na Rússia... :(

E isso estava incorporado na parede. Sério, que porra é essa? Não pode ser um telefone, tem botões demais. Tenho quase certeza que já vi o Mr. Burns usando um desses uma vez. 

Quando descobri que ia pra mansão Playboy, a primeira coisa a entrar na minha lista de tarefas mental foi “roubar uma toalha”. Mas olha isso. Eu estava esperando coisinhas de algodão egípcio com o logo da Playboy bordado. Minhas toalhas são mais legais que isso, e uma delas eu achei num trem.

Puta merda, eu acabei de reclamar que “as toalhas não eram legais o suficiente pra roubar”? Que nojo.

No entanto, tirei essa foto em outro banheiro. Parece algo que acompanharia a resenha de uma estrela do TripAdvisor pra um resort de esqui na Polônia.  

Depois de um corredor, encontrei essa sala. Acho que, em algum momento, quando coisas divertidas ainda aconteciam na mansão Playboy, isso devia ser tipo uma sala de orgias. Mas agora ela está desse jeito. 

E mais uma dessas coisas tipo máquina do tempo steampunk. E um frigobar que tinha pelo menos o dobro da minha idade.

O frigobar estava cheio de garrafinhas de água da Playboy (óbvio que eu afanei algumas). Saca só a gambiarra de fita isolante que segura um mecanismo qualquer da geladeira lá no fundo.

Aqui foi quando eu comecei a ficar realmente deprê. Nada me deixa mais triste do que ver algo que já foi glorioso entrando em decadência. Quase chorei uma vez lendo uma daquelas listas de “Piores Cirurgias Plásticas de Celebridades” da Us Weekly.

Andar pela mansão me deu uma sensação não muito diferente de quando um parente seu morre e você precisa ir pra casa dele e descobrir o que fazer com todas aquelas coisas. Só que, nesse caso, o parente falecido era a indústria de revistas – ou algo assim. Nem sei do que estou falando. Mas a mansão era muito, muito triste mesmo. E tinha cheiro de gente velha.

Aí alguém veio perguntar se eu estava perdido. Então voltei pra dentro e assisti o resto do filme. Alerta de spoiler: a Jennifer Lopez tem bunda. 

Quando eu estava saindo, fui cercado por um bando de playmates pra uma daquelas fotos inesquecíveis que eu tinha conseguido evitar na entrada. Elas eram, sem sombra de dúvida, as pessoas mais charmosas e carismáticas que já encontrei na vida. Posso garantir que, se fosse hétero, tinha colocado o nome dessas três no meu testamento cinco minutos depois de conhecê-las. O que eu acho que deve ser o objetivo mesmo.

Alguém hétero, rico e velho pode ir lá e resgatar essas meninas dessa casa velha e triste? Por favor?

@JLCT

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