The Creators Project: Como o CSS se tornou o fenômeno internacional que é hoje?
Ana Rezende: O nosso disco caiu na mão da Subpop, o cara da Subpop por sorte ouviu, porque deve ter um monte de coisa que ele não ouve. E ele resolveu lançar a gente.
Lovefoxx: Em dezembro de 2005 e a gente fez nosso primeiro show fora do Brasil dia 14 de julho de 2006.
Ana Rezende: Em Búfalo, em Nova York. E depois disso a gente só tocou fora. Tocamos no Brasil de novo só em 2007, infelizmente porque a gente queria tocar mais aqui.
Quando vocês se deram conta que as pessoas começaram a reconhecer vocês na rua?
Carolina Parra: No Japão…
Lovefoxx: Uma vez a gente estava numa avenida e um japonezinho passou, viu a gente e começou a tremer. Aí ele mostrou o iPod e ele estava escutando nosso disco.
AR: A gente olhou pra trás depois e ele estava sentado meio que passando mal.
Luiza Sá: Com a mão no coraçãozinho.
AR: As pessoas não me reconhecem. Mas eu já fui reconhecida sozinha no Japão, acho que foi a única vez. Uma mulher numa loja de camiseta chorou.
LS: Lá, se você encosta na pessoa e ela já chora.
O quão importante é o papel da tecnologia nos shows de vocês?
AR: Não somo músicos profissionais, consequentemente a gente não pira no som. A gente gosta de ter um show bem ágil para poder se preocupar com outras coisas.
CP: Como se divertir.
AR: Se você faz uma coisa ultra complexa não consegue ter a mesma interação com a plateia. Não seria a mesma banda se não tivéssemos esse tipo de interação. A tecnologia ajuda muito nisso.
Contem um pouco sobre o processo da gravação dos discos de vocês.
Ana: Depende muito do disco. O primeiro, por exemplo, foi gravado com um computador velho num quarto minúsculo na casa do Adriano [Cintra, o quinto integrante da banda]. Ele que produziu o disco, tudo no Logic.
CP: E depois a gente mixou na Trama.
AR: Com todas aquelas coisas que deixam o som mais refinado.
CP: O segundo a gente já gravou no estúdio da Trama.
AR: O segundo disco a gente gravou no meio de turnê, tivemos que gravar com prazo, esse tipo de coisa. Então foi tudo mais organizado. O Adriano produziu de novo, também usou o Logic. As gravações eram feitas no Pro Tools. E foi mixado em Los Angeles.
LF: No segundo disco a gente só pensava em show, nossa vida era isso, foi muito direcionado para os shows.
AR: O processo está sendo completamente diferente. A gente tirou esse ano inteiro para se dedicar ao próximo disco, o que é muito bom. Agora a gente está no processo de escrever, não sabemos ainda como vai ser o processo de gravação mas vai ser tudo decidido com muita calma.
LF: A gente está fazendo sem nenhuma limitação. Está mais experimental.
O que vocês acham que mudou na indústria musical nesses últimos anos?
AR: A gente não pegou a indústria antes da internet e graças a ela é que a gente conseguiu entrar na indústria.
CP: Acho que a música circula muito mais no mundo hoje em dia. Isso que ajudou a gente a viajar tanto num espaço de tempo tão curto.
LF: Um coisa que mudou muito desde que começamos foram os blogs. Eu sempre entro no Hype Machine para ver música nova e tal e você vê quais foram as bandas mais blogadas da semana. Isso é muito leal, é uma espécie de termômetro.
AR: Uma mudança que percebemos é a relação de disco vendido com o número de pessoas que vão no show. Não tem mais uma relação direta. E dinheiro de venda de disco é uma coisa muito pequena comparado ao que você ganha fazendo show pra muita gente. Muita gente vai no nosso show e pouca gente compra o disco. Nosso público é muito ligado na internet, em tecnologia.
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