The Creators Project: Como você define sua profissão?
James Powderly: Acho que sou um designer, meio artista e engenheiro. Tive várias profissões nos últimos dez anos, mas todas estavam focadas em tecnologia de alguma forma. Nos últimos quatro anos trabalhei principalmente em dois projetos, ambos projetos de engenharia que envolvem tecnologia com aplicação criativa.
Parece que você tem uma carreira dos sonhos, mas de onde vem o dinheiro para realizar esse tipo de projeto?
Evan Roth (outro membro da equipe EyeWriter) e eu começamos a trabalhar juntos porque tínhamos uma residência em Nova York num lugar chamado Eyebeam. Eles abriram um laboratório chamado Open Lab onde você pode ir e trabalhar em seus projetos da maneira que quiser. Algo que fica entre arte contemporânea mainstream, novas mídias e MIT. A única regra é que tudo que você cria tem de ser domínio público. Ficamos lá por dois anos e quando saímos pensamos: “Essa é uma ótima ideia, aposto que tem mais gente interessada nela do que sete ou oito novaiorquinos que conseguiram uma residência no Eyebeam”. Então, em nossas viagens encontrávamos pessoas em várias cidades que estavam nessa de código aberto e perguntaram “Querem se juntar a nós? E formar esse grupo falso chamado Free Art and Technology Lab?”.
Como assim, “falso”?
Bem, não temos uma sala de verdade num lugar real, temos apenas o site. E temos membros em 19 países, como o México, Suécia, China, Inglaterra, EUA… Somos um grupo de pessoas pelo mundo que trabalha em projetos que nos interessa e que têm a ver com nossas pesquisas. A única coisa que temos em comum é apoiar a distribuiçao livre de nossa obra e a maioria não ser lá muito séria, são mais relacionadas com cultura pop. Estamos operando há dois anos e temos um orçamento anual de US$ 250, que cobre o custo do servidor da internet.
Como alguém com sua capacidade escolhe ficar criando tecnologia artística ao invés de fabricar armas ou objetos igualmente ameaçadores?
Acho que se pode dizer que quando você alcança certo nível de capacidade técnica você vai fazer qualquer coisa que vislumbrar. É uma escolha. Não importa, você quer fazer coisas para melhorar a humanidade ou para melhorar ao menos um grupo de seres humanos.
Você poderia explicar, resumidamente, como a EyeWriter funciona?
Basicamente tem uma câmera apontada para o olho do usuário, que enquadra sua cabeça para caber na tela. Então o brilho e contraste é ajustado para isolar a pupila. A câmera capta o movimento da pupila enquanto ela se move e a coordena com a superfície. Quando o usuário foca em certa posição, a máquina faz um ponto e aí forma uma linha ou outros formatos até o outro ponto que for fixado. Então o usuário pode criar um número de letras e combinar tudo para formar palavras e coisas com efeito 3D, sombras, mudar cores e encher o fundo das telas. No formato final do programa você pode até salvar seus desenhos e fazer o upload deles em nosso servidor. Agora, o Tony Quan é o único com o EyeWriter, mas com sorte teremos mais equipamentos e colocaremos mais coisas na rede. Acho que vai ficando mais interessante com mais usuários.
Para mais James Powderly acesse The Creators Project.
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