The Creators Project: Como você se tornou músico?
Zegon: Acho que minhas primeiras influências musicais vieram da minha babá e das empregadas escutando rádio AM. Minha mãe também sempre curtiu música. Nos anos 70 ela já tinha dois toca-discos, mixer… Ela gravava os mix dela em rolo, giletava, fazia edição em rolo, tal. Então desde que eu alcançava o toca-discos eu já enfiava a mão neles. Depois já com uns 10, 11 e 12 anos, eu tocava guitarra com uma banda no quintal do prédio. Eu fui dos toca-discos para a guitarra, depois para os toca-discos de novo.
E quando o hip-hop entrou na sua vida?
A gente vivia andando de skate na Praça Roosevelt, aqui no centro de São Paulo, e nos mesmos lugares onde apareceu a primeira geração de B-Boy do Brasil, por volta de 1984, 85. A gente também curtia punk rock, heavy metal e new wave. A facção de skatistas sempre foi eclética, gostava de tudo aí, misturava. Alguns anos depois eu conheci o Thaíde, que me levou na DJ Shopping e mais tarde ele me levou para um ensaio dele com o DJ Hum, isso antes deles gravarem o primeiro disco, em 86, ou coisa assim.
Queria falar um pouco das suas apresentações ao vivo. A do Coachella, por exemplo, foi uma produção enorme, tinha os astronautas, os bonecos… Como é isso pra você?
O toca-discos é meu instrumento. Eu não sou muito de falar no microfone, mas de vez em quando eu falo, eu gosto de me expressar. Acho que o carisma do DJ também vem de como que ele passa a mensagem, de como que ele encara a parada.
E como você aplica a tecnologia no seu trabalho?
Com o tempo acabei indo para o software Pro Tools, comecei a fazer música direto no laptop, tal. Mas senti que estava ficando tudo muito parecido, surgindo muita música igual, e eu voltei para as máquinas. Você fica meio preguiçoso às vezes por que fica tudo muito fácil, os programas te dão tudo, mas na verdade você acaba voltando para a raiz e sampleando sem ver o wave, editando por número, é demais isso.
A música está ficando muito parecida porque os meios de produção são universais e todo mundo usa as mesmas ferramentas?
Têm muitos, muitos clones, e muita gente, e de vez em quando aparecendo uns sons originais. Eu passei uma fase sem fazer música, sem divulgar música, tentando me redescobrir, entendeu, porque eu não queria fazer parte disso. Eu acho que eu estou começando a voltar agora.
O que você acha que está faltando na música agora, em relação a tecnologia?
O pessoal está inventando novas maneiras de vender música. A gente tem que descobrir novas fórmulas de viver de música. Bom, eu não posso reclamar, mas eu vejo uma galera super talentosa, mas que nunca conseguiu ganhar grana nem se manter com mísica. Uma gravadora não vai abraçar, gravar um disco gastando que nem gastava cinco atrás. Então, para manter a qualidade e tal você tem que ser mais criativo ainda para vender e viver disso.
Para mais N.A.S.A acesse The Creators Project.
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