It's Been a Year Since They Killed Zé Claudio and Maria

By Felipe Milanez


Zé Claudio and Maria in their castanheiro preserve at Praia Alta Piranheira several months before they were killed. Photo by Felipe Milanez.

Today marks the one-year anniversary of the murder of Brazilian rainforest activists Zé Claudio Ribeiro da Silva and his wife, Maria.

When we left to shoot Toxic: Amazon last year in June, wounds were still fresh and there was little expectation of justice for the slain couple. “Activists”—a logger’s slur which is applied equally to practiced political leaders (like what Zé Claudio and Maria became) as well as unorganized small-farmers who resist being driven off their own land (like what Zé Claudio and Maria started as)—are regularly killed on the frontier of the Amazon, and with impunity. The only glint of hope in Zé Claudio and Maria’s case was the chance occurrence of them being murdered the same morning as an important vote on revisions to Brazil’s Forest Code, and subsequently having their death announced to the country from the floor of the national congress.

By dint of this exposure, the couple’s death became a national issue and President Dilma Rouseff lit a fire under the Federal Police’s ass to actually investigate and solve the case. A month after we returned to New York, their manhunt culminated in the arrest of the gunmen and the guy who ordered the killing, an aggrieved would-be rancher named Zé Rodriguez who wanted the da Silvas’ (federally protected) land for himself. While this was one hell of a start—especially by Amazonian standards—very little progress has been made in the case since, and Zé Claudio and Maria’s family still live under constant, and very legitimate, threat of death.

To commemorate Zé Claudio and Maria’s lives and the ongoing effects of their work one year after their deaths, Brazilian journalist Felipe Milanez, who broke Zé Claudio and Maria’s story and made Toxic Amazon happen, spoke with Maria’s sister Laisa Santos Sampaio. Here is what she had to say, in Portuguese for those of you who speak it, and direct English translation for those who don’t.


Laisa Santos Sampaio at the United Nations this February, accepting a posthumous "Forest Heroes" award on behalf of her sister and brother-in-law. That's Felipe to her right. Photo by Paulo Filgueiras/UN Photo.

Um ano depois da tempestade, o sol ainda não clareou a alma

Uma ponte. Uma placa de mármore marcada por vandalismo – tiros de revolver que significam também ameaças e terror. Duas árvores: um caju-de-janeiro, de nome masculino, e outra feminina, andiroba. Foi exatamente aqui que José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo foram brutalmente assassinados na manha do dia 24 de maio de 2011. Estrada que corta o assentamento agroextrativista Praia Alta Piranheira, município de Nova Ipixuna, Pará.

Um casal. Uma história de amor e de luta . "Eu sei que sozinha eles não me pegam. Se me pegarem, vai ser junto do meu companheiro", havia previsto Maria, uma vez que nos encontramos.

A estrada continua de terra, esburacada, e quase toda cercada de pasto e de esqueletos de castanheiras. A ponte foi reformada – pegava mal para o poder local, uma vez que o assentamento passou a ser frequentado pela imprensa.

Dois assassinos e o mandante estão presos. Zé Rodrigues, acusado de ter armado e encomendado o crime (é possível que haja outros dois financiadores da pistolagem, segundo investigação em curso pela Polícia Federal), era conhecido desafeto de Zé Cláudio no local, desde que havia chegado da Transamazônica em busca de terras, 10 meses antes do homicídio. É um homem durão, que fazia as ameaças mais frontais – madeireiros e carvoeiros também ameaçavam matar o casal.

Os criminosos aguardam julgamento – uma indefinição jurídica pela ansiedade de Justiça gira em torno do crime se julgado pela esfera Federal ou Estadual, e a decisão mais recente diz que o julgamento é de competência da Federal. Há uma certa esperança de que a federalização implicará numa justiça mais justa. Ao menos o inquérito da Polícia Federal apresenta informações mais consolidadas – e também inclui a participação de dois outros mandantes, que seguem livres, e que caracterizaria o "consórcio" para financiar o duplo assassinato.

Um ano depois da tragédia, Laisa Santos Sampaio, irmã de Maria, está novamente vivendo no assentamento – ela passou um semestre fora, temendo represálias. Professor da escola, ela tenta seguir ensinando a filosofia de sua irmã e de seu cunhado do amor da floresta. Mas como representa tudo o que localmente é visto como uma ingerência nos negócios, no business do funcionamento das máfias de carvoarias, serrarias e grilagem de terra, ela tem sido constantemente ameaçada de morte.

O primeiro semestre logo após a morte de sua irmã foi turbulento para Laisa. Seu pai, ao ver o corpo de Maria, enlouqueceu. O choque profundo fez com que passasse a ter graves problemas psicológicos, e sem ajuda para recompor-se, veio a falecer exatamente dois meses após. esse foi o período mais duro na vida de Laisa, e era possível sentir a depressão brotando das lagrimas constantes de seus olhos.

O dia 24 de maio é um dia de tristeza. Dia de chorar pela Amazônia, pelos mártires que perderam a vida por amar e propor a vida com a floresta.

"Companheiro, a luta não é muito facil não. Porque o ecologista, o ambientalista, é visto como a pessoa do atraso. isso é que dificulta a relação", diz Maria, em entrevista que fiz com ela alguns meses antes de sua morte, e que está no filme Toxic Amazon, da Vice, que dirigi junto de Bernardo Loyola. O mais importante de tudo o que ela queria contar, que estaria em um livro que ela sonhava ecsrever, eu perguntei tive a chance de perguntar a ela, e Maria disse: é a ousadia,  "ela é uma coisa que alimenta. Para mim, é o que alimenta a luta". Ousadia.

Zé Cláudio era o filósofo da floresta. Homem de palavras certeiras e frases poéticas.

"É duro. É duro combater o sistema."

E o senhor não tem medo?

"Tenho. Se eu disser que não tenho medo, eu estou mentindo. Porque a vida é muito boa, né meu amigo.

Mas eu tenho medo, mas no mesmo instante que eu tenho medo, além de eu ter a minha obrigação como cidadão, o impulso que eu tenho uma injustiça, me tira o medo. Porque o homem é o que ele é. Então, se você tem coragem de lutar, lute. Porque mais antes você morrer tentando do que morrer omisso."

A família de Zé Cláudio, que também vivia no assentamento, teve de deixar a área, com medo das ameaças. Sua mãe, em depressão, ainda não encontrou forças para continuar a vida. Claudelice, a irmã mais nova, segue estudando engenharia florestal, e conseguiu emprego em uma cidade próxima. Sob medo e terror, ela não conseguiu, ainda, retomar projetos sustentáveis que fazia, e outros novos que ela sonha colocar em prática no Praia Alta Piranheira.

José Afonso Batista, o advogado guerreiro da Comissão Pastoral da Terra em Marabá, segue lutando por Justiça em uma terra onde a lei é aplicada de acordo com a força do mais forte. Ele, que me apresentou Zé Cláudio e Maria, e batalhava para que recebessem proteção e dava vazão para as denuncias que eles faziam, hoje é assistente da acusação dos assassinos na esfera jurídica, e segue com a mesma força e tenacidade a batalha para que Laisa não seja uma próxima vítima, exigindo e cobrando das autoridades que cumpram seu papel como uma instituição do Estado. Admiro que ele não desista. É uma das grandes esperanças.

No filme Apocalipse Now, obra prima de Coppola sobre o VItnã, o herói capitão Kurtz, no fim, faz uma reflexão que as vezes eu imagino que poderia ter sido dita por Laisa. É impossível, através das palavras, descrever o que é necessário para aqueles que não sabem o que horror significa, o que é o horror. Horror.

Com a delicadeza e elegância de quem vive na floresta, Laisa fala, pausadamente, palavras que pronuncia com muita força. Palavras que fazem sentido, que não são desperdiçadas. A que mais me marca, que transpassa o sentimento que ela realmente quer dizer com esse som, é quando ela diz, suspirando antes e depois: "é difícil".

Felipe: Como estão as coisas hoje?
Laisa Santos Sampaio: Olha, eu estou aqui no assentamento, na roça, e eu fico de fora das informações. Mas a minha irmã comprou o jornal e lá tava escrito que e a presidenta falou que é para mandar a Força Nacional vir dar um reforço, atuar de uma forma mais consistente. Não como foi antes, que vinha a Força Nacional aqui e não ficava. A situação está complicada. As ameaças tem sido constantes. Se isso da segurança for efetivado, já é uma força que a gente ganha.

Um ano depois do crime, qual a sua reflexão?
É tão difícil definir. Depois de um ano sem eles... A trajetória que a gente fez, por onde a gente passou nesse tempo. Tivemos uma coisa, que é reflexo do que aprendemos com Maria e Zé Cláudio, é que hoje estamos ressurgindo das cinzas. Morando, voltando a morar nesse local, um ano depois, como se fosse ontem que tudo ocorreu. O sentimento ainda continua muito forte, devido a nossa situação, que estamos vivendo. Quando falo "situação", é a falta de segurança.

Hoje já posso dizer que penso, que tenho uma esperança de continuar o trabalho. Não da mesma forma, com a mesma coragem. Mas o melhor que a gente possa fazer para que a historia não morra. Para que a gente consiga provar para esse povo, essas pessoas silenciaram eles, mas o eco continua forte. A nossa voz humilde e simples. A gente é capaz de retomar.

Eu não sei nem a palavra para definir. Como dizer? Não é um ponto positivo. O que quero dizer é que nos impulsiona a lembrança forte, o exemplo forte. Depois de um ano, eu estou vendo dessa forma.

Laisa gageja. Para um pouco para respirar. Retomar o fôlego, e segue:

É muito dificil para a gente. Hoje eu tento escrever, mas não sou capaz de definir o meu sentimento, aquilo que fica, gente diz aqui, "engasgado", "entalado". A gente consegue ver que era uma fonte inesgotável de sabedoria que eles tinham, que eles transmitiam para a gente.

Ontem eu estava lendo uma passagem de Shakespeare, onde ele dizia que "heróis são pessoas que fizeram o que tinham de fazer, sem ter medo das consequências". Era algo mais ou menos assim. Daí eu lembrei do prêmio da ONU, que nos dois fomos juntos (link para o video da ONU no youtube). Então, como eu pessoalmente já tinha certeza, convicção de que eles fizeram a homenagem certa, para as pessoas certas, lendo Shakespeare eu vejo que eles mereceram receber a homenagem de "herói da floresta". Lutando com a própria vida, a vida desfiada, chegando no ponto que chegou. Isso que marca muito para a gente.

Eu digo, não com a mesma coragem, nem querendo comparar, mas para que esse ideal não morra: enquanto a gente tiver força, não vamos deixar morrer esse grito. A Maria dizia que a historia, ela queria escrever. Deixar escrito para os próximos. Quando ela fosse, que alguém continuasse o ideal. E hoje eu tenho esse sentimento.

Enfrento essas ameaças não é simplesmente pela história, mas pelos valores que foram construídos dentro de mim. Os valores que eu passei a ter no convívio com Maria. Os valores provenientes da floresta, os direitos humanos, o respeito aos marginalizados, àqueles que não tem vez. Hoje não simplesmente só o fato de levar a história, mas os valores construídos. O que é importante para nós, mesmo sem eles, que estão vivos, internamente, em cada coisa que a gente faz.

Por exemplo, hoje terminei de descascar a castanha para fazer uma castanhada. Em cada coisinha que eu vou fazer, a Maria está ali, ela está mostrando com a mãozinha pequena dela, dizendo: "tá vendo como é importante, como tem que ter sabedoria para lidar com a floresta?" Ela ensinava respeitar a dinâmica da floresta, em cada época do mês e do ano, a floresta oferece um fruto, um cipó. São as marcas que um ano, que 10 anos, não vão apagar. São marcas. A sabedoria dela, por exemplo, no nome da escola aqui do assentamento, que era chamada de Escola Costa e Silva, e a Maria falou: vamos substituir esse nome por Chico Mendes.

E o nosso amigo Zé Cláudio dizia: "pra fazer o que a gente faz, e que muitos outros companheiros fazem, com respeito a floresta, é preciso ser sujeito pensante."

Daí alguém perguntava: "meu velho, explica isso?"

E ele: "com essa palavra eu ja disse tudo."

O Zé Cláudio tinha uma filosofia muito grande. São marcas para a gente escrever nas linhas da nossa história. Trazer para a nossa historia. É eterno.

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A year after the storm, the sun hasn’t brightened the soul

A bridge. A marble sign marked by vandalism—bullet holes that also signify threats and terror. Two trees: a male Caju tree and a female Andiroba. It was exactly here that José Cláudio Ribeiro da Silva and Maria do Espírito Santo were brutally murdered on the morning of May 24th 2011 on a street that cuts through the agricultural alottement Praia Alta Piranheira in the municipality of Nova Ipixuna, Para’.

A couple. A story of love and struggle. “I know that they won’t get me alone. If they do get me, it’s going to be together with my partner,” predicted Maria, last time we met.

The road is still mostly dirt, filled with holes, almost entirely surrounded by pasture and chestnut trees. The bridge, which was making the local authorities look bad, was rebuilt once the allotment started being used by factories.

Two assassins and the man who ordered the hit are in jail. Zé Rodrigues, accused of having ordered the hit and arming the assassins (according to the investigation done by the Federal Police, it’s possible that there are other financiers), was a known local enemy of Ze’ Claudio ever since arriving via the Transamazonic Highway in search of land, ten months before the murder. He’s a hard man, one who would make more overt threats—loggers and charcoal miners however, also threatened to kill the couple.

The criminals await judgment. One of the reasons for it taking so long lies around whether or not the crime should be tried on a Federal or State level. The most recent decision has it being the responsibility of the Federal judge. There’s hope that this might bring forth a more just justice. At least the Federal Police present a more complete set of evidence—while also including the participation of others who may have ordered the hit, who remain free and who are part of the consortium to finance the murderous duo.

A year after the tragedy, Laisa Santos Sampaio, Maria’s sister, is once again living in the allotment—she spent a semester away, fearing retaliation. A schoolteacher, she tries to impart her sister’s philosophy and her brother-in-law’s love for the forest. But since that represents everything that is seen as a hindrance to local business, that is, the business of the charcoal mafias, loggers and land grabbers, she receives constant death threats.

The first semester following the death of her sister was a turbulent one for Laisa. Her father, after seeing Maria’s body, became crazy. The shock was so deep that it caused him to suffer from severe psychological problems and without the help needed to recover, he passed away exactly two months after the murder. This was the hardest period in Laisa’s life, it was possible to feel the depression mounting up in each tear constantly falling from her eyes.

The 24th of May is a day of sadness. A day to cry for the Amazon, for the martyrs who lost their own life in proposing a life with the forest.

“Folks, the fight is not an easy one. Because the ecologist, the environmentalist, is seen as one who delays, this makes our relationship difficult.” Maria said this in an interview I did only a few months before her death, which you can see on VICE’s Toxic Amazon piece, which I directed together with Bernardo Loyola. The most important thing that she wanted to share, which would have been in the book she dreamed of writing and which I had the opportunity to ask her, was this: Audacity—that is what feeds us. For me, audacity is what feeds the fight.

Ze’ Claudio was the forest’s philosopher. A man with the right words and poetic phrases.

“It’s tough. It’s tough fighting the system.”

Aren’t you afraid?

“I am. If I said I wasn’t afraid, I’d be lying. Because after all, life’s good, isn’t it my friend?

But I am scared, but at the same time that I am scared, aside from my obligation as a citizen, the impulse I have towards injustice takes the fear out of me. Because man is what he is. So, if you have the courage to fight, fight. Because it’s better to die trying than die silently.

Zé Claudio’s family, who were also living in the allotment, had to leave the area due to the threats. His mother, depressed, couldn’t find the strength to keep on living. Claudelice, the youngest sister, continues to study Agricultural Engineering and was able to find work in a city nearby. Because of the fear and the terror, she hasn’t yet been able to return and continue the sustainable projects she had started and those she dreamed of putting into practice at Praia Alta Piranheira.

José Afonso Batista, the warrior lawyer of the Pastoral Land Commission in Maraba, continues to fight for Justice in a land where the law is applied by those with the most power. He introduced me to Zé Claudio and Maria, and fought so that they could be protected and would bring forth their lawsuits. Today he is one of the prosecutors in the murder trial and continues to fight with the same tenacity as always so that Laisa won’t be the next victim, by demanding the authorities do their job as an institution of the State. I admire the fact that he won’t give up. He’s one of the great hopes.

In the film Apocalypse Now, Colonel Kurtz, at the end has a reflection that I could definitely imagine Laisa having said: “It's impossible for words to describe what is necessary to those who do not know what horror means. The horror.”

With the tenderness and elegance of someone who’s grown up in the forest, Laisa speaks words that hold a lot of power. Words that make sense, words that aren’t cast aside. The phrase that hits me the most, one that she pronounces with a long sigh both before and after is: “It’s difficult.”

Felipe Milanez: How are things today?
Laisa Santos Sampaio:
Look, I’m here in the allotment, here in the woods, and I don’t get a lot of information. However, my sister bought the paper and in it was written that the president told the National Guard to come and help us out in a more consistent manner. It wasn’t like before, where the National Guard would come in but wouldn’t stay. The situation is complicated. The threats are constant. If we do get some security, it’ll give us great strength.

A year after the crime, what are your reflections?
That’s so hard to define. After a year withouth them... The trajectory that we made, the things we went through during this time.  Something happened, a reaction to what we learned from Maria and Zé Claudio, and that is that today we rise from the ashes. Living, or at least coming back to live in this place, it’s as if it all happened yesterday. The feelings continue to be very strong, especially given the situation in which we are living. When I say “situation,” I mean lack of security.

Today, I can say what I think, that I have hopes of continuing the work. Not in the same manner, but with the same courage. But the best thing we can do is make sure that this story doesn’t die. So that we can prove to all these people that they might have silenced them, but the echo is strong. Our voices are humble and simple but we’ll be able to take this back.

I don’t even have the words to define this. What can I say? It’s not a very positive point to make. What I want to say is that we’re impacted by strong memories and stronger examples. A year later, that’s how I see things.

[Laisa chokes up. Stops breathing for a second. Gets her breath back and continues.]

It’s really hard for us. Today I continue to write, but I’m not capable of defining my feelings, it’s like something is, as we say here, stuck or chocked up. We’re able to see that those two were a neverending fountain of wisdom and they passed that on to us.

Yesterday I was reading a passage from Shakespeare where he says, “heroes are those who did what they had to do, without fear of consequence.” It was something like that. Then I remembered the ONU prize where we were both present. Since I personally felt they had paid tribute in the right way, to the right people, reading Shakespeare—I feel like they deserved to be named “heroes of the forest.” Fighting with their own lives, a life full of struggle, that led them to where it led them. That’s something that resonates with us.

I say this, not with the same courage, nor wanting to compare myself to them, but so their ideals don’t die. While we still have strength, let’s not let their cries die. Maria always said that she wanted to write history. To leave it written for the next ones and that when she passed, someone would continue to fight for their ideals. Today, I feel the same way.

I don’t confront these threats simply for the story, but because of values that were instilled in me. The values I got through living with Maria. The values that come from the forest —human rights, respect for those on the margins, those who don’t get a chance. It’s not that I just want to pass on the history but also the values that were built here. What’s important for us, even without them, is that they live inside of each and every one of us in everything we do.

For example, today I peeled a bunch of chestnuts to make a dish. In each thing I do, Maria is there, she’s there with her tiny hands saying: “See how important it is to know how to deal with the forest?” She taught us to respect the forest’s dynamic, in each part of the month and of the year, the forest offers fruit. These are signs that one year or ten won’t erase. They’re markers. Her wisdom, for example, while commenting on the local school Escola Costa e Silva —Maria would say: let’s change that name to Chico Mendes.

And our friend Zé Claudio would say: “for us to do what we do, and what others do, in respect to the forest, well, you need to be a thinking person.” Someone would ask “my friend, explain this,” and Zé would say “with this word, I already said everything.”

Zé Claudio had a great philosophy. They are markers for us to write down in history—they’re Eternal.

Traslated by Jonny Santos

Click here to watch Toxic: Amazon

http://www.amajestade.com.br/

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