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O Vespas Mandarinas é a Última Banda de Rock do Brasil

Falamos com o Chuck Hipolitho sobre o disco deles e sobre a morte do rock nacional. Também estamos sorteando ingressos, discos e bugingangas da banda
July 18, 2013, 3:51pm

O rock brasileiro está em coma criativo tem um tempo. O cenário guitarrístico e os chavões de rebeldia envelheceram junto com os ídolos da juventude. Até o mais esperançoso roquista sabe que o underground musical foi populado por beats eletrônicos, rimas, ostentação, ritmos africânos e outros balanços.

É nesses momentos de crise que o talento pessoal vale muito. Sabe, aquele drible bonito no zagueiro, chuta pro gol e já era. O Vespas Mandarinas é essa salvação de honestidade e vigor na combalida cena do rock nacional. Muito desse charme punk garagem provém da figura de Chuck Hipolitho, o Último Grande Roqueiro Brasileiro Vivo (à exceção do Luís Carlini, do Tutti Frutti, Rita Lee, etc.).

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A banda, além do Chuck, conta também com o Thadeu Meneghini (ex-Banzé!), André Dea e Flavio Guarnieiri (ambos tocavam no Sugar Kane). Há alguns meses, bem antes do gigante acordar, a banda lançou o seu primeiro álbum, Animal Nacional, cujo qual caiu bem nos ouvidos mais espertos e ligados no verdadeiro espírito do rock do Brasil. Perguntamos para o Chuck a respeito das influências do disco e ele entregou o jogo: o lance são os anos 80. “Acho que é uma época de boas canções e boas letras, época em que o rock nacional era muito popular, ficamos felizes quando nos relacionam com tal década”, justifica.

Aproveitando que a banda toca no CCSP neste sábado, 20, pedimos para o Chuck alguns brindes. Ele, generoso, ofereceu para sortearmos um Kit Vespas Mandarinas, com um par de ingressos, camiseta oficial, caneca, adesivos, botoms e CD. Quer saber como concorrer a esse pack maravilhoso? Leia a reveladora entrevista com o roqueiro Chuck e, estrategicamente no fim da matéria, colocamos as instruções da promoção.

Noisey: Chuck, eu acho que você é o último roqueiro brasileiro de verdade vivo, junto com o Carlini. Você concorda?
Chuck Hipolitho: Hahahaha agradeço, mas não sou eu quem organiza esse tipo de catálogo. Fico feliz de estar no mesmo balaio que o Carlini. Já me disseram que eu sou o Carlini da nossa geração, achei gozado.

Como surgiu o Vespas Mandarinas? De onde você conhece esses caras e como vocês se juntaram em uma banda?
Surgiu da vontade de fazer um som nacional, que fosse também pop, com refrão, doce e venenoso, com letras boas. Eu conheci o Thadeu na estrada mesmo, quando eu já estava cansado de ficar sem banda depois de sair do Forgotten Boys, a gente acabou se encontrando. Ele também já estava aposentando a banda dele, Banzé!. Acabei participando de alguns shows dele e de um disco muito legal chamado Conjunto Vazio. O André e o Flavinho eu conheci gravando um trabalho da banda Sugar Kane, achei a cozinha muito boa e acabamos roubando deles, hehehe.

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O Animal Nacional é um belo disco de rock brasileiro. Como pintou esse conceito?
Foi uma evolução da resposta acima. Tanto nós como a gravadora e o produtor do disco queríamos um disco assim. O Animal Nacional é na verdade um texto do Bernardo Vilhena (que assina “Santa Sampa”), e que diz que é preciso se reconhecer como brasileiro, do mesmo Brasil que tem o Tiririca e o Anderson Silva. É como levantar uma bandeira, mas sem falso nacionalismo e sem bairrismo.

Eu saco umas influências fortes dos anos BRock 80 no disco. O que serviu de referência para vocês durante a composição e produção do Animal?
Cara, de tudo. Desde Cristian & Ralf a Happy Mondays. O disco tem mesmo a pegada 80, mas com uma vibe 2015. Nenhum disco daquela época tem esse som que tiramos, mas pode ter o mesmo sabor. Acho que é uma época de boas canções e boas letras, época em que o rock nacional era muito popular, ficamos felizes quando nos relacionam com tal década. Mas ouvimos muita coisa, de todos os lugares, de todas as épocas.

Como foi o processo de composição das músicas? Tem umas que são do Banzé, não?
Engraçado é que tanto “Cobra de Vidro” quanto “Um Homem Sem Qualidades” entraram para o repertório da banda por insistência minha. A Deckdisc acabou contratando a gente porque o Rafa se apaixonou por Cobra, ela acabou abrindo o nosso primeiro disco e foi o primeiro single, está tocando na rádio 89 FM direto, surreal. O processo de composição é suado e não seria possível sem a colaboração de letristas como o Adalberto Rabelo Filho (que é a quinta Vespa), o Fábio Cascadura, o Bernardo Vilhena e o Arnaldo Antunes. É um privilégio contar com a energia dessa rapaziada. Cada música aconteceu de um jeito, umas mais rápidas e outras mais demoradas… “A Prova” ganhou letra do Arnaldo na última hora, a versão de “Ya No Se Qué Hacer Comigo” do El Quarteto De Nós também entrou já na prorrogação. “Santa Sampa” demorou um ano de vai e volta de emails com os compositores.

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Dá para perceber uma preocupação de vocês com a produção, com o jeito que as músicas soam. Confere ou tô viajando?
Total, de forma obsessiva quase. Rafael caprichou muito.

O que o Rafael Ramos adicionou (ou tirou) do trampo de vocês?
Tirou tudo que era "qualquer coisa". Nos ralou até o último momento para conseguir o melhor da gente. Ele foi indispensável para o resultado, e é um cara muito legal de se trabalhar.

O Vespas Mandarinas é indie? (a pergunta parece descabida, eu sei, mas é indie como análogo à mainstream)
Acho que somo apenas "não tão conhecidos", ainda. Miramos alto, acho que isso nos afasta de qualquer rótulo como esse. Acho que Vespas Mandarinas é índio.

Você também tem o seu estúdio e produz. A quantas andam esses trampos?
O estúdio andou meio abandonado para que eu pudesse dar atenção à MTV e às gravações e ensaios da banda. Aos poucos estou retornando ao trabalho sujo que faço lá dentro. Tenho muito orgulho do som de garagem que tiro de lá. Nosso disco foi praticamente todo gravado no Costella. Tento projetos para o futuro com ele… espero que ele fique conhecido por ser um lugar onde a criatividade é muito bem vinda a aproveitada, sem internet, sem sinal de celular ou 3G.

Outro dia você também ajudou a enterrar o rocklá na MTV. Ele morreu mesmo ou vocês tão tirando uma ondinha? Quais bandas brasileiras, além do Vespas, que mantém acessa a chama do Deus Metal Nacional?
Na real a última coisa que me preocupa é se ele morreu ou não. A ideia foi minha, acredita? (risos) Estávamos tirando uma onda, é claro, mas o fato é que não tem nada menos rock do que ficar se afirmando como tal. Não é porque tem guitarra que é rock, saca? E não é porque é rock que tem que ser bom. A música no Brasil tá foda. O que é popular tá muito horroroso, tenho pena das pessoas. Eu juro que, quando tinha uns dez anos em Pirassununga, nas festinhas rolava Dead Kennedys, Ramones e Toy Dolls. Esses dias um vizinho da minha mãe, também lá de Pirassununga, estava comemorando seu aniversário de 11 anos e o som que vinha da casa dele era uma mistura de pagode ruim, com funk ruim, com rock ruim, com sertanejo ruim… Rapaziada tá realmente comendo lixo, e porque quer. A música reflete a nossa sociedade. Hoje em dia o rock é coisa de macho ou de criança aqui no Brasil. Eu não entendo mais o rock como um gênero musical, para mim ele é um jeito peculiar de como algumas pessoas se manifestam, então o rock vai do OFF! a Anderson Silva, passando pelos Racionais, MCs, o MPL e o Test… saca? Minha banda de rock favorita no Brasil é o Merda, de Vila Velha. Quando será que os jovens estarão abertos a algo tão maravilhoso como aquilo? É uma pena. Mas ó, eu poderia ficar defendendo o rock aqui, mas me dá preguiça. A última coisa que o gênero precisa é de alguém para defendê-lo. Quem é é, quem não é o cabelo avôua, certo? Valeu.

PS.: O Ratos de Porão é a banda mais fodida que o Brasil já teve, quem quiser se conectar com a verdade deveria colar em um show deles.

Para concorrer ao Kit Vespas Mandarinas você precisa seguir nosso perfil na rede social de mensagens espirituosas Twitter (@VICEBrasil) e dar um retweet (RT) nessa mensagem. Na sexta, 19 de julho, às 18 horas, vamos divulgar o grande ganhador.