A semana passada teve um gosto estranho de “a história se repete” já que marcou o aniversário de 20 anos do começo da guerra na Bósnia. Assim como na Síria, aquele conflito resultou na morte de milhares de pessoas enquanto o resto do mundo assistia encenações da crucificação de Jesus Cristo.Algumas semanas atrás, o presidente Assad concordou com o plano de paz de Kofi Annan, enviado da ONU e da Liga Árabe, para a Síria. O plano estipulava que seu exército se retirasse no dia 10 de abril, e que um cessar-fogo deveria ser implementado em 48 horas. Muita gente estava cética com o acordo e com razão, e Assad usou isso como desculpa para executar o máximo de pessoas possível até a terça-feira passada. Ele também exige uma garantia escrita de que o Exército Livre da Síria vai cessar suas operações antes que ele ordene a retirada, o que é quase impossível para um grupo tão fragmentado e disparatado de rebeldes.Até agora, no entanto, parece que não houve acordo sobre o que fazer se Assad não cumprir com a sua palavra. A ONU não pode sancionar o regime sem afetar massivamente a população e a comunidade internacional continua a rejeitar uma intervenção armada. O que pode ser feito, então?Bom, a Turquia afirmou que está “implementando passos” se a violência continuar. Não é de se admirar que os turcos queiram fazer alguma coisa a respeito dos milhares de refugiados (cerca de 24 mil no momento) que chegam ao país através da fronteira com a Síria, colocando ainda mais tensão nos campos de refugiados e hospitais locais. As soluções discutidas incluem a criação de uma “zona de segurança” dentro do território sírio, protegida por tropas turcas para salvaguardar o fluxo de refugiados, e a determinação de uma zona de sobrevoo proibido cruzando o norte da Síria, o que impediria Assad de usar seus helicópteros e jatos para bombardear áreas rebeldes. Mas esse tiro poderia sair pela culatra, provocando uma dispendiosa batalha aérea com o exército sírio.Um representante da oposição disse ao The Guardian: “Pessoas do ELS estão em Istambul no momento esperando a entrega de suprimentos”. Aparentemente, remessas de dinheiro já foram feitas para rebeldes em Douma e Damasco.Apesar da conversa de “armar os rebeldes”, o principal aliado da Síria, a Rússia, parece não estar nem um pouco preocupado. O ministro de assuntos exteriores, Sergei Lavrov disse apenas que: “mesmo com a oposição armada até os dentes, eles não vão conseguir derrotar o exército sírio”, muita confiança da parte dele, já que no passado as forças militares da Rússia foram derrotadas por Mujahideen no Afeganistão. O único medo de Lavrov e da Rússia parece ser que o Ocidente arme o ELS com hardware muito mais moderno que o do exército do regime, prejudicando as vendas de armamentos russos.Apesar de ter tido que recuar devido ao uso avassalador de artilharia e helicópteros, o ELS conseguiu contra-atacar:Em notícias relacionadas:O jornalista freelance John Cantlie passou duas semanas em Idlib documentando os rebeldes do ELS combatendo tanques armados apenas com rifles na cidade sitiada de Saraqeeb.Mais evidências de que o regime está torturando crianças emergiram essa semana quando o Global Post entrevistou o menino Hossam, de 13 anos, sobre como a milícia Shabiha e solados do exército arrancaram sua unhas do pé com um alicate.As forças de Assad roubam calcinhas.Um vídeo (cuidado: imagens fortes) que vazou mostra um civil sendo interrogado pelas tropas do regime que depois o espancam, incendeiam e finalmente cortam sua garganta.Relatórios turcos indicam que as forças do regime atiraram contra campos de refugiados dentro da Turquia, matando duas pessoas e deixando 20 feridos. Será essa a gota d'água?Saiba o que está acontecendo na Síria seguindo essas contas do Twitter:@syriahr@syriarevolution@LeShaque@AlexanderPageSY@Arab SpringFFE essa página do Facebook: http://www.facebook.com/BritishSyrianRevolutionPara mais vídeos, se inscreva no canal http://www.youtube.com/user/UgaritNewsEnglish?feature=g-all-u
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Semana passada a aliança “Amigos da Síria” concordou em pagar um salário aos combatentes do ELS numa tentativa de fazer os soldados do exército do regime desertar. Mas esse anúncio também pode ser visto como uma maneira indireta de armar os rebeldes, jogando os Amigos da Síria numa guerra por procuração com os poderosos aliados do regime sírio, a Rússia, o Irã e a China.
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Como mencionado acima, Assad esteve desesperado para destruir o máximo possível da oposição antes do cessar fogo, com grandes ofensivas acontecendo em Idlib, Homs e Damasco. Vilas inteiras foram varridas (64 civis foram mortos em apenas um dia na última terça) e milhares de refugiados têm inundado a Turquia — em alguns casos, mais de mil em um só dia. Um jornalista trabalhando para a Avaaz comentou: “A situação é terrível. O povo sírio está enfrentando algo insuportável e o mundo continua assistindo às ações inumadas que acontecem no país diariamente. Não há nenhuma mudança, apesar do prazo estabelecido por Kofi Annan. Na verdade, o regime tem atacado cidades e vilas de maneira ainda mais brutal nos últimos dias”.
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Homs sentiu mais uma vez a ira do regime com bombardeios pesados por toda a cidade (veja o vídeo abaixo), enquanto as prisões de civis, na maioria homens na idade de lutar, chegaram a mais de 1.200.
O ELS, por sua vez, depois de se retirar alguns meses atrás, conseguiu retornar lentamente à cidade e tomar o Hospital Nacional de Homs das mãos do exército sírio. Lá dentro, no entanto, eles descobriram que o lugar estava sendo usando como uma cova coletiva, com mais de 70 corpos congelando no necrotério.
De acordo com observadores, o ELS precisa mudar de tática agora. Antes de o regime começar a usar artilharia e helicópteros o ELS até conseguia ser páreo para eles, mas agora estão sendo cada vez mais forçados para fora das áreas que controlam. Isso leva muitos combatentes rebeldes a bater em retirada para a Turquia para se reorganizar e rearmar, reiniciando a batalha com táticas de guerrilha:
O que foi destacado essa semana foi a natureza brutal e pouco confiável de um presidente que alavanca o derramamento de sangue diante da proposta de um cessar-fogo. Até onde o presidente Assad é capaz de chegar permanece um mistério, mas julgando pelo desenrolar da última semana é quase garantido que a barbaridade vai continuar, veremos então se a comunidade internacional está blefando ou não.
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