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Brian Butler: Sempre considerei a magia como uma arte e meu estudo do oculto inspirou minha visão como artista. Também sinto que a imagem da magia cerimonial é visualmente impressionante e tem o potencial de impactar um público de maneira poderosa. A ideia da evocação pública me atrai em muitos níveis. Tecnicamente, arte é um trabalho de criação, mas, pra mim, isso frequentemente é mais uma manifestação de algo que já existe em outro plano de consciência, o que fornece outro cognato pra mim com a prática oculta. Uma performance pública ritualística me oferece um fórum aonde posso trazer manifestações espirituais pra um nível superficial que uma pessoa comum pode perceber.Há precedentes pro que você está fazendo, ou você acredita que isso é único? O que você acha que a conexão com o ritual anuncia pro futuro da arte e da performance?
No contexto do mundo da arte, essa conexão é nova — ainda não havia realmente sido explorada. Certamente sempre tivemos artistas interessados no oculto e que permitiam que isso inspirasse seus trabalhos. Isso até se tornou um subgênero no começo do modernismo, mas estava geralmente escondido sob o conteúdo formal da obra, como no caso de Piet Mondrian, por exemplo. Mas a conexão aberta, com a performance do ritual de magia como arte, é algo novo. Acho que é um passo em direção a uma relação mais íntima entre artista e público. Lembro de uma coisa que Marina Abramovic elucidou pra mim sobre o oculto e o contexto de performance, que o futuro será um mundo não objetivo sem arte no sentido que temos agora. Ela prevê que vamos atingir um estado mental e um nível de consciência que vão nos permitir transmitir pensamentos pra outras pessoas. “Não existirão esculturas, ou pinturas, ou instalações”, ela me disse. “Só o artista de frente pro público, que será desenvolvido o suficiente pra receber a mensagem e a energia”. Acho que a fusão de arte e ritual é um passo na direção desse tipo de conectividade e de intimidade.
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Sim. Devido ao sensacionalismo da mídia, elementos do trabalho de Crowley foram cooptados e se tornaram parte de uma cultura pop muito baixa, tipo filmes de terror. E pra mim isso não tem nada a ver com a essência do que Crowley foi ou fez. A recontextualização dos rituais como arte ajuda a salvaguardá-los desse nível de cultura pop e permite um assentamento de sua própria estética sofisticada e valor cultural. ***Com o desenrolar do quadro, Butler aponta sua espada pro triângulo e pede proteção contra o mal. Reunindo seus poderes e atingindo um estado de exultação, ele se aproxima do triângulo e começa a entoar um cântico. Enquanto o espírito de Bartzabel é invocado, a figura vendada solta um grito de agonia — ele representa uma base material, o objeto onde o imaterial pode tomar forma. Seu corpo se contorce em rebelião contra a experiência sobrenatural pela qual está passando. Continuando, Butler interroga o espectro que habita o homem e faz com que isso jure obediência.Muitos membros do público estavam envoltos em atenção reverente enquanto Butler solenemente supervisionava seu altar, mas outros estavam furtivos. Fundir arte e ritual numa configuração de galeria cria um casamento desconfortável pra quem não consegue compreender a solenidade de tais cerimônias e considera esses eventos como algo a ser assistido como espectador. Essas pessoas falham em reconhecer a natureza sutil e cheia de nuances dos rituais de Butler. Pra Evocação de Bartzabel, por exemplo, as figuras de túnica vermelha são colocadas contra um fundo negro, de onde tiram uma qualidade abstrata. Movendo-se, mas parecendo algo não tão humano, eles criam a sensação de espaço limiar. A luz e o cenário também são cuidadosamente planejados, criando padrões de sombra que reforçam os gestos de Butler. Essas amostras de luz e escuridão se congelam e se dissipam pra criar uma sensação de presença alternada e ambígua emanando de Butler, e consumindo aqueles que participam do ritual.
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Rodney Orpheus: Acho que Crowley teria adorado. Estamos falando do cara que vendeu ingressos pra performance pública de “Os Ritos de Elêusis”, então isso está alinhado precisamente com o modus operandi do próprio Crowley. É a primeira vez que ouço falar disso sendo realizado publicamente. O trabalho original de Crowley não era público, mas privado.Você acha que o Brian está ajudando a acender uma nova onda de interesse por Crowley em particular, e pelo ocultismo em geral? No final das contas ele teve uma multidão enorme, talvez mil pessoas, em sua evocação de Bartzabel.
Estou agradavelmente surpreso e impressionado de ouvir isso. Acho mesmo que muitas pessoas têm interesse por essas coisas e são capazes de (e estão ansiosos pra) compreender isso. Aplaudo a abordagem de Brian.

Como dizem por aí, “haters gonna hate”. Sempre haverá pessoas criticando essas coisas, de um lado ou de outro. Geralmente essas críticas são justificadas. A maioria das tentativas de realizar esses rituais de magia pro público dão com a cara no chão, principalmente porque os artistas não são capazes de realizá-los; ou porque são ótimos ocultistas e péssimos showmen, ou o contrário. São poucas as pessoas que têm habilidade nas duas disciplinas.
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