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O ‘OK Computer’ do Radiohead é um disco ruim sobre absolutamente nada

É um dos mais exemplares casos de A Roupa Nova do Rei em formato musical.
Ryan Bassil
London, GB

Se você é o tipo de pessoa interessada em ler uma retrospectiva sobre o OK Computer, primeiro me deixe te dar os parabéns por ter encontrado algo que você ama de verdade. Fico feliz por você, juro. Segundo: como você não se ligou que esse é um disco sobre… Coisas? Uma miserável cacofonia de merda que soa menos interessante em tom e cor do que qualquer coisa que já deixei em vasos sanitários por aí.

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Nas últimas semanas tem rolado todo um bafafá em torno do terceiro disco da banda, seu aniversário de lançamento e o seu significado passados 20 anos. Rolaram várias "pensatas" sobre: Como OK Computer previu o futuro, Porque as letras de OK Computer são mais relevantes que nunca e Today, We Escape: OK Computer completa 20 anos. Beleza, OK até aí. Este disco agora tem idade o bastante pra chegar em você numa festa e falar sobre como ele foi importante. Mas isso significa que ele fala algo digno de nota? Não, ele não fala mesmo. Ou você é educado demais para ouví-lo ou acaba tragado em um vórtice de presunção, cujo objetivo é tentar obter algum significado por meio de osmose.

Como eu sei disso? Fanáticos pelo Radiohead não sabem de porra nenhuma justamente porque só ouvem Radiohead e o único motivo pelo qual o fazem é por conta de seu compromisso em entender algo que não tem significado nenhum. Logo de cara, "Karma Police" diz: "Prenda este homem, ele fala em matemática/Ele zune como uma geladeira, ele é como um rádio fora de estação". Do que que cê tá falando, meu irmãozinho? Não entendi porra nenhuma. Os haters dirão que eu ainda não entendi a banda e que, na verdade, trata-se de um arrepiante comentário sobre eletrodomésticos de linha branca ou seja lá o que for, com inspiração nos Beatles. Mas não passa de uma tentativa dos fãs se protegerem do fato de que anos de sua vida foram perdidos ao tentar ir mais fundo neste disco.

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Admito que OK Computer é o zênite dos discos de rock pomposos (aquilo que a Pitchfork se referiu como o pináculo e também o destruidor do formato de disco de art rock). Como não seria? Quase todas as resenhas positivas do disco usam termos desastrosamente técnicos como arpeggio (útil para quando você quer deixar claro aos leitores que conhece a ciência por trás da música, bem como seu feeling) e tem uma faixa ali que pode ser descrita usando o gênero musique concrète, que também conta literalmente com um computador falando — como se fosse mais um comentário do que a tecnologia viria a se tornar e não Thom Yorke passando por um bloqueio criativo (o que de fato aconteceu). Trata-se de um disco em que o local das gravações teve que mudar porque o guitarrista Johnny Greenwood não estava satisfeito por conta da falta de "banheiros e refeitório". É um excelente exemplo do rock celebrado (com diversos discos de platina) pelo mundo inteiro mesmo com discos muito mais interessantes sendo lançados na mesma época.

Mas pelo menos "Paranoid Android" não saiu em sua primeira versão, cheia de órgão e com 11 minutos, o que francamente seria uma piada. O lance com este disco é que ele tenta demais dizer algo: as faixas tem como inspiração coisas como o conflito na Bósnia, o estilo de vida pseudo-significativo apresentado por grandes corporações, suicídios no subúrbio, quedas de avião. São os anos 90 em seu auge. O problema é que as letras de Thom Yorke são tão abstratas que é impossível aprender qualquer coisa dali e o ouvinte poderia muito bem ter gasto melhor o seu tempo lendo um livro. Como eu disse antes: o Radiohead exige um investimento brutal. O outro problema é que, cê sabe, a banda é boa porque consegue capturar bem esse negócio de estar na merda, miserável e confuso e vazio, só que quando me sinto assim, a última coisa que quero é ter uma trilha pra isso — e nos raros momentos em que isso acontece, tem que haver algo mais que um clima deprê.

A banda toda age com base num ardil que torna impossível curtir o som e quem consegue fazê-lo deve ser meio cagado por dentro, o que me faz lamentar profundamente.

Cheio de slogans vazios — "Mais produtivo. Confortável. Sem beber demais", como a campanha por trás do álbum (e a faixa "Fitter Happier") disseram — OK Computer seria o Trainspotting da geração dos últimos grandes discos. Fora isso, é criação de um cara chamado Thom que — me perdoem o ad hominem aqui — que é aquele cara do tipo "Li uns livros e faço questão o que você saiba disso". Desculpa, bicho. Esse disco é uma merda e se você chegou até os dias de hoje sem ouví-lo, recomendo que nunca o faça. Caso acabe ouvindo e curta, saia de casa, bote a cara no sol, sei lá. Sorria. Mas que disquinho escroto da moléstia. Eu sinceramente prefiro assistir Clube da Luta porque pelo menos tem Pixies e Brad Pitt.

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Tradução: Thiago "Índio" Silva