​Como falar sobre o acordo climático de Paris na mesa do bar
Aqui vai um FAQ sobre o possível adiamento do fim do mundo para você debater com os amigos após o expediente. Crédito: Kevin Gill/Flickr

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​Como falar sobre o acordo climático de Paris na mesa do bar

Aqui vai um FAQ sobre o possível adiamento do fim do mundo para você debater com os amigos após o expediente.
6.10.16

Ontem, 5 de outubro, a Organização das Nações Unidas anunciou orgulhosamente que um número suficiente de países concordou que o Acordo de Paris passe a valer em 30 dias. Isso é ótimo, mas, caso você esteja um pouco confuso com o significado disso tudo, não tema: estamos aqui para te explicar tudinho.

Junte seus amigos em volta da mesa, abram as bebidas de sua preferência e vamos lá.

Cara, desculpa a pergunta meio besta. O que é o Acordo de Paris mesmo?

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Não é besta, não. Não seja tão duro com você mesmo. O Acordo de Paris é uma convenção internacional que busca limitar o aumento na temperatura média global. Agora estamos próximos de ficar 1°C acima das temperaturas registradas no período pré-industrial (a média anterior a 1900) e, como você deve saber, este índice está cada vez maior. É algo preocupante, para não dizer catastrófico. Este tratado tem como objetivo impedir que a temperatura média global aumente mais que 1.5°C— e que nunca chegue a 2°C — acima destes índices pré-industriais. Para isso, nações individuais definiram objetivos para ajudar na redução de emissões de gases do efeito estufa. Com efeito, também diminuirão nossa dependência de combustíveis fósseis.

E como vão fazer isso?

Cada país tem seu próprio plano, conhecido como contribuição determinada nacionalmente. Varia de nação a nação. A China, por exemplo, se comprometeu a reduzir suas emissões até 2030, aumentar o uso de combustíveis não-fósseis em 20% e investir em reflorestamento.

Pô, mas não tinham assinado isso em abril?

O acordo foi criado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, que o adotou em dezembro passado. Em março deste ano, o acordo foi distribuído aos membros das Nações Unidas e, em 22 de abril, 175 países o assinaram.

O acordo, porém, só passaria a valer quando pelo menos 55 nações representando um mínimo de 55% dos países responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa ratificassem sua decisão de tomar parte. Foi o que rolou agora.

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Ok, mas, tipo, o que isso significa?

Basicamente, os delegados de cada país voltaram para casa e garantiram que seus governos topem o acordo, bem como as contribuições de cada nação.

Tem um lugar onde posso ver quais países assinaram ou ratificaram o acordo?

Sim, aqui. Você poderá ver que o Brasil assinou o acordo em abril e o ratificou em 21 de setembro.

O que aconteceu em setembro, afinal? Saíram várias notícias e tal.

Um monte de países ratificou sua participação no mesmo dia: 31 no total. Ali já tínhamos 60 países ratificando sua decisão, ultrapassando o limite das 55 nações, mas que só eram responsáveis por 47,76% das emissões de gases do efeito estufa mundiais.

E como a situação mudou em tão pouco tempo?

Em outubro, a União Europeia assinou o tratado, ultrapassando o mínimo de emissão de gases. Foi um belo reforço. Daí o acordo passa a valer em 4 de novembro.

E o que vai acontecer?

Nesse momento "as mecânicas do tratado terão início", disse Daniel Shepard, assessor de comunicação da ONU. "Os países que ratificaram sua decisão estão essencialmente afirmando que aceitam as condições e obrigações do acordo." Nações que assinaram e não ratificaram sua decisão não estão sujeitos ao acordo até darem o próximo passo. A ideia é que, mesmo depois que o acordo passe a valer, o resto dos signatários ratifiquem a decisão. Desde abril, 16 outros países assinaram o acordo. No total, são 191 nações.

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Muitos países ratificarão a decisão nas próximas semanas?

Idealmente, sim. Países como a Rússia, responsável por 6% das emissões globais, assinaram o acordo e ainda não deram sinais de ratificação. Pairam ainda dúvidas sobre o quão realistas são as metas de alguns países, então com mais nações a bordo, mais provável atingirmos a meta final.

O mundo está salvo, então?

Este é um acordo histórico inédito no combate contra o aquecimento global, e o fato de ser colocado em prática com relativa agilidade é um bom sinal. Mas ainda falta muito para chegarmos a uma solução garantida. É melhor ficarmos espertos.

Tradução: Thiago "Índio" Silva