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Casamento

Arrancaram-me couro e cabelo (em Guimarães)

Nunca compres nada sem antes perguntar quanto custa.
17.7.12

Quando recebo um convite para ir a um casamento a minha reacção imediata é de felicidade e sinto-o como um elogio: duas criaturas que vão celebrar a oficialização do seu amor, junto aos seus entes mais queridos, incluem-me nesse restrito grupo (que pode chegar às 500 pessoas). Poucos dias antes da festa (entre um a dois), entro em pânico. O que vou vestir? E se estiver frio? E se chover? O que vou calçar? Tenho carteira a combinar? Que acessórios levo? O anel combina com a pulseira? Devo levar anel e pulseira ou só anel? Será demasiado? Os sapatos magoam-me? Muito? Pouco? Estão engraxados? A lista pode ser interminável…

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É tão mais simples quando se é gajo. Uma das questões que nunca me preocupou demasiado foi o penteado: lavado e seco em casa, de preferência bem esticadinho. Sou uma gaja descomplicada. Como a minha mãe me tem dito, quase diariamente, que já estou a ficar uma mulherzinha, a última vez que fui a um evento desta natureza decidi ir ao cabeleireiro “fazer um penteado”. Por odiar o look recém-saída-do-cabeleireiro, quando o senhor me perguntou, “o que vai fazer?”, eu respondi, “apanhado, mas meio despenteado, ‘tá a ver?”. Ele acenou com a cabeça positivamente, mas à medida que o processo avançava, percebi que não. Pouco interessa o resultado. Depois de algumas indicações, à minha medida, acabei com uma trança daquelas “embutidas” e uns cabelos rebeldes aqui e acolá. Satisfatório q.b.

Vamos fingir que esta sou eu, para efeitos práticos. Meia hora depois do início das actividades, a instalação capilar estava feita e eu prontinha para a festarola. Dirigi-me ao balcão e perguntei: “Quanto é?”. Os segundos que se seguiram foram de tontura, náusea e quase desmaio. — 74,35. — 74,35 euros? — Sim. 74,35. Por momentos imaginei-me a arrancar o couro cabeludo e a devolver-lhes o serviço. Mas na verdade foram eles que me arrancaram couro e cabelo.

Para a próxima vejo um tutorial no YouTube.

A ignorância é uma coisa muito triste. Uma gaja, às vezes, pensa que certas coisas só acontecem a quem vive em cidades grandes — tipo o Porto e Lisboa, porque em Portugal não há mais nada — e depois relaxa. Acha que por viver numa cidadezinha pequenina e fofinha como Guimarães, cheia de monumentos e luzinhas nocturnas a desenhar a silhueta da urbe, nunca será surpreendida desta forma. Mas como nunca me tinha submetido à prática de um penteado de festa, questiono-me se não é ingénuo da minha parte pensar assim. Também pode ser uma cena inflacionada sendo Guimarães a Capital Europeia da Cultura, vou experimentar nos tascos locais se continua tudo igual ou se os tremoços também aumentaram. Já no casamento dei-me conta do seguinte: provavelmente paguei mais do que a noiva. Provavelmente paguei mais do que todas as cabeças lá. Como sou uma rapariga pragmática, pedi à noiva que olhasse bem para mim durante toda a festa, e que se deleitasse ao máximo com o que eu tinha na cabeça, uma vez que aquilo seria a sua prenda de casamento. Para me sentir melhor, não lavei o cabelo durante os dez dias seguintes e desta forma rentabilizei o investimento. Ao fim desses dias era um penteado completamente diferente como devem imaginar, mas se eu posso usar uns jeans de 75 euros durante anos, posso usar um penteado do mesmo preço durante dez dias, e não quero saber se começa a ficar com mau aspecto. Por isso, malta, fica o aviso: em Guimarães, há um cabeleireiro que pratica estes preços por penteados de festa. Se queres um look de festa “despenteado” passa cá por casa, que eu cobro metade. Se por acaso este é o preço que costumas pagar para acertar a franja, esquece tudo o que leste. Moral da história: nunca compres nada sem antes perguntar quanto é. Principalmente, se não puderes devolver no fim.