Publicidade
Tech by VICE

Estes estudantes de engenharia construíram uma caneta especial para copiar nos exames

"Na verdade, nem precisávamos de copiar, porque tínhamos médias bastante altas".

Por Autor anónimo; Como contado a Allie Conti; ilustração por Hunter French; Traduzido por Madalena Maltez
19 Junho 2019, 2:26pm

Este artigo foi originalmente publicado na VICE US.

Eu era o presidente do núcleo de engenharia na minha grande universidade no Canadá. Era habitual conversarmos sobre o que tínhamos feito mal nos testes e sobre o que podíamos ter feito melhor. Mas, cinco de nós estávamos também interessados em fazer batota. Pensávamos: como é que poderíamos fazê.lo sem sermos apanhados? Algumas pessoas da nossa turma usavam post-its e coisas assim. Cenas estúpidas. Não queria fazer nada disso. Se é para usares cábulas, tens que tentar pensar fora da caixa.

Pensámos em hackear uma calculadora para poder enviar mensagens de texto. Mas, a caneta parecia uma ideia mais fácil. Foi ideia minha. Fiz um rascunho de como seria e o meu amigo, que é engenheiro eléctrico, pegou numa caneta normal e esvaziou-a. Cortou o caule que segura a tinta para que o interior ficasse com mais espaço. Inserimos um vibrador conectado a uma pequena bateria do tamanho da unha do dedo mindinho. Com duas ou mais, podíamos ligá-las via sinal de rádio. Se segurasses a zona da caneta com o vibrador, sentias o tremor e podíamos falar em código Morse, que eu já conhecia por causa dos escuteiros. Usámos esse dispositivo para falar em código Morse uns com os outros durante os exames.


Vê: "Os 'engenhocas' que reciclam baterias de laptops para alimentarem as suas casas"


Construímos um protótipo, tipo como no filme Iron Man. Ficou uma merda, tinha um fio pendurado. Mas, depois fizemos a versão 2.0 que parecia muito melhor e natural, isto menos de uma semana mais tarde. Funcionou na perfeição. As nossas notas melhoraram em todos os testes. Enviávamos correcções um aos outros nos problemas que errávamos. Na verdade nem precisávamos de copiar, porque tínhamos médias bastante altas. Ainda assim, fizemos isto durante dois anos sem sermos apanhados - até que fomos.

O meu amigo pousou a caneta na mesa e ela começou a vibrar. Alguém estava a tentar enviar um sinal. O professor ouviu e começou por pensar que era um telefone. Depois, viu a caneta e levou-a. Foi realmente perturbador, o meu coração caiu-me aos pés. Percebi que estava tudo acabado quando o professor apertou o botão na caneta e a outra que havia na sala começou claramente a zumbir. Ele não tinha a certeza de como funcionava, portanto mandou o dispositivo ao reitor da faculdade de tecnologia, que o desmembrou. Nunca descobriram que estávamos a usar código Morse, apenas que as canetas podiam conversar entre si. Recorremos da acusação que nos foi levantada, mas perdemos. Disseram-nos que tínhamos feito batota, embora não soubessem como.

Dois de nós recebemos penalizações académicas, o que significava que já não podíamos obter subsídios ou qualquer outro tipo de dinheiro e que deixávamos de estar numa boa posição perante a academia. Por isso, próximo no ano não vou poder receber qualquer tipo de ajuda financeira para a faculdade. Também te metem numa lista de alertas, que quer dizer, caso sejas apanhado a copiar outra vez, és suspenso ou expulso. Também está no meu currículo, embora eu ache que isso não irá afectar as minhas perspectivas de emprego. Se um empregador, um dia, me perguntar sobre isso, minto e digo que houve um mal-entendido. Nem toda a gente gosta quando as pessoas não cumprem as regras.

Valeu a pena a aventura, mas, na verdade, não precisava de copiar, portanto, nesse aspecto em particular não valeu a pena. A escola é medida numa escala demasiado linear. Sentas-te, debitas informações que te foram dadas uma semana antes e escreves. Acho que esta forma de ensino não é muito justo na forma como está construído, por isso, se puderes copiar sem ser apanhado, mais vale que o faças. Todavia, é claro que é um grande risco e há muitas pessoas que não estão dispostas a arriscar.

O texto acima foi editado e condensado para maior clareza.


Segue a VICE Portugal no Facebook, no Twitter e no Instagram.

Vê mais vídeos, documentários e reportagens em VICE VÍDEO.