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5 perguntas para os pais que chamaram Google ao filho

Ainda pensaram noutros nomes, como Windows, iPhone ou iOs (não é a gozar, atenção).

Por Ana Iris Simón; Traduzido por Madalena Maltez
02 Julho 2019, 9:31am

Imagem modificada via Pixnio/CC 0.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Espanha.

Bem, vamos lá. Ao que parece, uns pais no Indiana, Estados Unidos da América, decidiram chamar Google ao seu filho. Esperam e desejam que o seu rebento seja uma pessoa útil e que ajude muita gente, por isso, depois de considerarem outros nomes, como Windows, iPhone, Microsoft ou iOS decidiram dar-lhe o nome do motor de busca mais utilizado no Mundo. Uma decisão nada inteligente, porque pelo menos se tivessem escolhido iPhone ou Microsoft se calhar ainda recebiam um telemóvel grátis pela piada, não?

Suponho que a decisão tenha partido de uma ideia bastante enraizada no imaginário comum, sobretudo nos últimos anos: que os nossos nomes coincidam com a nossa personalidade, por terem um suposto impacto na forma como os outros nos vêem e naquilo que esperam de nós.

Ou, talvez a explicação mais certeira seja a menos retorcida, mas também a mais crua e ridícula: que adoramos sentirmo-nos especiais, criativos e únicos, até como pais e eleitores dos nomes dos nossos filhos, tendência que tem crescido nos últimos anos. Tira a prova dos nove e vai à festa de aniversário de uma criança: os miúdos, agora, chamam-se ou como senhoras e senhores de meados do século XX [Nota do editor: alguns dos nomes mais escolhidos em 2018, em Portugal, foram Leonor, Matilde ou Santiago], ou têm nomes inventados e irritantemente modernos que vão envelhecer mal, como Jennifer e Christian nos anos 90 [em Espanha].


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Mas, Google... foda-se, Google? A sério? Se queres que o miúdo ajude muita gente e que o nome dele seja sinónimo disso, podias chamar-lhe Padre Ángel [Nota do editor: ou talvez Padre Américo, deste lado da fronteira], Plano Quinquenal na URSS ou Pornhub. Mas, Google?! Não sei quanto a vocês, mas eu tenho umas quantas perguntas para esses pais.

E se o puto for um inútil?

Dar nomes com significado ou metafóricos tem muito que se lhe diga. A primeira coisa é que as conotações do dito nome podem não encaixar com a pessoa que o tem. Imagina que dás o nome Alegria à tua bebé e ela, afinal, cresce para ser uma enjoadinha. Pois. Como o pequeno Google, que pode vir a tornar-se um assassino em série ou, simplesmente, um bronco.

O que é que fazes se o teu filho se perder numa multidão?

Vais andar em desespero a perguntar às pessoas "viste o Google"? É que toda a gente te vai dizer que sim, mas não em relação ao teu filho.

E o bullying na escola?

Durante anos pensei em chamar à minha filha - que ainda não tenho e quase que ainda bem - Maga. E as pessoas diziam-me sempre: "E já pensaste no bullying?". Ao que eu respondia que a educaria para se defender dele. Não faço ideia de como é que ia fazer isso, mas era essa a resposta que eu dava.

Foda-se, as crianças são más, é um cliché, eu sei, mas as crianças são muito más. Toda a gente que já foi criança sabe disso. E como as crianças são muito más, o pobre Google sofrerá, quase de certeza absoluta, de escárnio e piadas relacionadas com o seu nome durante anos.

E se o Google fizer algo horrível, como a Daenerys?

Em Espanha existem 86 Daenerys, com uma média de 2,3 anos de idade. E, claro, após o final de Game of Thrones, os pais devem ter ficado um bocadinho à toa. Ninguém podia adivinhar como é que o carácter da Mãe dos Dragões iria evoluir e, para muitos desses pais, com o capítulo final vieram as lágrimas.

Com o Google vai ser igual. Como é que era se o Google começasse a roubar informações, a violar a nossa privacidade, a espiar todos os nossos passos para vender os nossos dados? Ah espera não, não, já faz isso tudo. E se fosse mais longe e se tornasse, sei lá, um aliado dos maus na Terceira Guerra Mundial, ou em qualquer coisa parecida com a casa da árvore dos horrores nos Simpsons?

O que é que vai acontecer quando o Google se tornar obsoleto?

O miúdo vai ter um nome como se, hoje em dia, houvesse alguém chamado Gramofone ou Fax ou Internetporcabo.


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