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Tudo que tem de errado em 'Star Wars: Os Últimos Jedi'

Tem coisa demais acontecendo no filme. O que é uma bosta.
MS
Traduzido por Marina Schnoor
2.1.18
Disney

Matéria originalmente publicada na VICE US.

Star Wars: Os Últimos Jedi está nos cinemas, e você vai ter que assistir ou ele não vai fazer os US$ 800 milhões que precisa para cobrir o orçamento. Acho que a maior parte do lucro com o filme vai ser feito nas férias, com famílias que precisam dar um tempo entre si. Eu assisti o filme noite passada, já que não tenho família.

Os Últimos Jedi é um filme longo e desconcertante, com personagens demais e uma mensagem geral que não fica clara ou é simplesmente besta. Também é divertido, visualmente bonito e surpreendentemente estranho – mas o enredo é muito entupido, parecendo produto de dezenas de pessoas muito talentosas discordando uma das outras e fazendo concessões ruins.

Nem sei se você pode dizer que o filme tem um enredo, mas aqui vai o que acontece: A General Leia – antes Princesa Leia – está evacuando suas tropas de suas bases secretas enquanto os vilões se aproximam. (A promoção dela de princesa pra general é tipo aquelas promoções fajutas que dão pras pessoas em vez de dar um aumento. A Leia sempre foi uma chefe.) Poe Dameron passa um trote nos vilões para distrair os caras, aí ele explode algumas torres da nave do mal. É incrível, como a batalha no final de Star Wars: Uma Nova Esperança.

Aí, Poe desobedece ordens de retornar para a base e chama um esquadrão de bombardeiros, que chegam e se explodem como um efeito dominó. Essa sequência me tirou do filme: os Rebeldes estão em guerra há décadas e ainda não aprenderam a voar com espaço suficiente entre eles para não se explodirem? Pode parecer que estou sendo implicante, mas Os Últimos Jedi está cheio de momentos em que as coisas não fazem sentido e personagens supostamente inteligentes fazem burradas.

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Enquanto isso, sem cerimônia, Finn acorda do coma em que caiu no final de Despertar da Força e sai correndo com uma roupa de plástico transparente, espirrando algum líquido estranho por todo lado. Nesse ponto, essa foi a coisa mais estranha que já vi num filme Star Wars (mas vieram mais coisas depois), o que foi bem legal. Ele pergunta onde está a Rey, e cortamos para ela na ilha irlandesa segurando o sabre de luz antigo do Luke para ele. Depois de uma longa pausa, ele pega o sabre e joga por cima do ombro, o que fez o público rir e quebrou um pouco da tensão.

Por alguma razão, Luke parece um babaca pessimista deprê que quer esquecer essa coisa toda de jedi. Mark Hamill disse publicamente que acha que seu personagem foi mal escrito, e eu concordo, mas ainda é muito divertido de assistir. Rey insiste que ele a treine, ele, grosso, recusa, mas acaba cedendo.

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O principal vilão ainda é Kylo Ren, e quando o vemos pela primeira vez no filme ele está falando com seu chefe do mal Snoke. Em Despertar da Força, só vemos Snoke projetado numa escala gigante, e uma teoria popular entre os fãs é que na verdade ele era baixinho; em Os Últimos Jedi descobrimos que na verdade ele é um cara de tamanho normal em CG ruim com cara de videogame, parado numa belíssima sala do trono.

Enquanto Rey continua a seguir Luke pela ilha, vemos uma criatura gigante em pé que parece ter grandes bolas, mas que na verdade são seios (ou úberes). E essa é a coisa mais estranha que já vi num filme Star Wars, com Luke tirando o leite da besta gigante e derramando pra todo lado. A ilha também é o lar daquelas criaturas fofinhas estilo Furby, os Porgs; mais tarde, vemos Chewbacca assando um deles numa fogueira, enquanto outros Porgs assistem e choram a perda do amigo. Isso também foi muito estranho. Tem outra batalha espacial gigante onde a General Leia acaba explodindo para o espaço; parece que ela morreu, mas aí ela recobra a consciência e flutua de volta para uma nave, o que também foi estranho pacas.

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O trabalho dela é tomado pela Almirante Holdo, interpretada por Laura Dern. (Carrie Fisher completou as filmagens antes de morrer ano passado, mas parece que Dern preenche tomadas que eles não conseguiram filmar com ela.) Holdo (e Leia) dizem várias vezes para Dameron que fugir e sobreviver é melhor que lutar e sacrificar vidas humanas, que é a grande mensagem de Os Últimos Jedi – uma mensagem que fica parecendo tosca e possivelmente desonesta. Afinal a franquia não se chama Star Peace.

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Depois da segunda batalha espacial gigante, os mocinhos usam hiperespaço pra escapar dos vilões – mas os vilões os seguem imediatamente, e os mocinhos não podem usar o hiperespaço de novo porque estão com pouco combustível e vão ficar à deriva se fizerem isso. Como e onde você abastece uma nave colossal? Sempre achei que essas naves gigantes tinham, sei lá, um reator nuclear alimentando seus motores. Talvez isso pareça uma reclamação nerd, mas você consegue imaginar eles dirigindo a Estrela da Morte até um posto de gasolina?

Finn – que, no meio de seu segundo filme Star Wars, não possui outro traço definidor que não covardia – tenta fugir da nave nos mocinhos e é preso por deserção por essa personagem irritante chamada Rose. Eles descobrem que precisam ir para um planeta cassino para encontrar um código para evitar ser rastreados pelos vilões, o que dá o pontapé inicial da história mais desnecessária de Os Últimos Jedi.

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O planeta para onde eles vão tem uma grande banda de música tocando e pessoas ricas jogando em caça-niqueis sci-fi. Conhecemos Benicio Del Toro – desculpa, DJ – que os ajuda na cadeia depois os trai quase imediatamente. Com certeza Os Últimos Jedi seria bem melhor sem essa parte e todos os personagens envolvidos, o que é uma merda porque o núcleo contém os únicos três personagens não-brancos do filme.

Bom: Tem uma parte legal onde a Rey entra num buraco no chão é vê umas coisas psicodélicas, além de uma batalha lindíssima num planeta vermelho coberto de sal. Mas o resto de Os Últimos Jedi é uma mistureba de explosões e decepção. Os vilões continuam usando armas que demoram muito tempo para disparar, Luke aparentemente morre sem cerimônia desaparecendo no ar do nada, outras porcarias acontecem, o filme é dedicado a Carrie Fisher e fim.

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É fácil imaginar que a franquia Star Wars é um vasto playground de possibilidades infinitas, mas tudo que aconteceu nesses filmes fracos e esquecíveis desde O Retorno do Jedi revelaram quão limitado o escopo de Star Wars realmente é. Capturar a sensação e o tom dos três filmes originais bloqueou o trabalho de vários profissionais bem pagos. Os filmes originais Star Wars eram histórias simples, com personagens simples explorando locações ricas. A protagonista da nova trilogia deveria ser a Rey, mas ainda não descobrimos o suficiente sobre ela, já que Os Últimos Jedi dedica mais tempo a outros personagens que não parecem tão importantes.

A razão para George Lucas ter decidido matar o personagem de Ben Kenobi no meio de Uma Nova Esperança era porque depois que os personagens escapam da Estrela da Morte, ele não tinha mais o que fazer. Os Últimos Jedi deveria ser análogo a O Império Contra-Ataca, mas acaba tendo mais em comum com O Retorno do Jedi, que muitos fãs consideram o filme mais fraco da trilogia original. Se O RdJ tivesse focado em libertar Han do palácio de Jabba e no confronto de Luke e Vader, teria sido um filme melhor – mas em vez disso, ele dedica tempo demais para o planeta floresta Endor, onde um exército de ursinhos de pelúcia derrota um monte de soldados armados até os dentes.

Do mesmo jeito, Os Últimos Jedi poderiam ter usado menos personagens e ter menos merda acontecendo. Poe, Finn, Rose, DJ e Holdo são personagens desnecessários com histórias inúteis que não acrescentam nada e ocupam muito espaço. Até agora, o único personagem com alguma profundidade é Kylo Ren. A Rey vai ganhar uma personalidade no próximo filme? Temos que esperar para ver.