Entrevista

Actor que é morto pelo alien em "Alien" acredita que vê aliens

"Não me importo se alguém achar que estou a ter alucinações".

Por Noel Ransome
07 Agosto 2017, 1:44pm

Billede fra Wikimedia Commons.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Canadá.

Yaphet Kotto acredita em alienígenas. Esta declaração até poderia nem ser assim tão impressionante, não fosse dar-se o caso de Kotto também garantir que vê alienígenas, que tocou num alienígena e que aceita o facto de ter sido abduzido por alienígenas. "Nunca falei com ninguém sobre isto... é a primeira vez", diz-me Kotto ao telefone. E acrescenta: "Só contei à minha mulher, ao meu rabino e a um psicólogo. É a primeira vez que falo publicamente sobre isto".

Entendam que me sinto ao mesmo tempo especial e desiludido com esta conversa. O meu objectivo inicial era simples: falar com Kotto sobre a sua infame morte na obra-prima de Ridley Scott Alien – O Oitavo Passageiro para outro artigo. Mas, enterradas no fundo da minha troca de e-mails com o seu empresário, Ryan Goldhar, também estavam as palavras "ele perguntou se estás disposto a discutir a sua experiência com OVNIs nas Filipinas".


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Pus-me a imaginar o que Goldhar pensou quando decidiu confiar-me tal informação. Kotto é um ícone imensamente talentoso, que já recebeu vários prémios e foi indicado a um Emmy. Posso considerá-lo um ícone, porque abriu caminho para o futuro dos papéis no cinema para afro-americanos com Alien e é o vilão Kananga no filme de James Bond 007 Viva e Deixe Morrer - um privilégio em si. A sua lista de créditos como actor é inabalável. Apesar de tudo, esta lenda do showbiz queria era falar sobre a sua associação de longa data com alienígenas.

Seria fácil para mim desconsiderar o pedido como uma tentativa de chamar a atenção, ou até uma simples ilusão, mas os infinitos exemplos de pessoas que dizem ter sido abduzidas estão por toda a parte. Sim, a ironia de uma lenda de Alien a falar sobre alienígenas da vida real era para mim óbvia, mas quis ouvir o que ele tinha para contar. Aqui vão alguns excertos da nossa conversa sem filtros, que me fez questionar se Yaphet Kotto estava a contar-me uma verdade incrível, ou algo totalmente imaginado.

VICE: Acho que podemos ir directos ao assunto. Acompanho-te há algum tempo e é a primeira vez que te vejo dar uma entrevista e a falar sobre esta coisa dos alienígenas.
Yaphet Kotto: Bem, normalmente não dou entrevistas, como sabes. Umas cinco ou seis pessoas tentaram falar comigo, mas recusei. No entanto, isto era importante para mim. Quando o meu agente disse que um jornalista queria falar sobre o assunto, resolvi abrir-me. Há 50 anos que lido com OVNIs e alienígenas.

OK. Oficialmente, quando é que essa relação começou?
Começou quando eu tinha uns nove ou 10 anos. Lembro-me de me terem dito para não sair de casa, pelo que estava ajoelhado num canto a ver outras crianças a jogarem basebol numa rua do Bronx. Quando me virei, vi uma figura com cerca de 1,50 metro e uma cabeça alongada. Ela apareceu, depois saltou para trás de mim e desapareceu. Daquele momento em diante, foi uma experiência atrás da outra, que culminou no que vi nas Filipinas e durante as filmagens de Alien.

Quer dizer que esses avistamentos tornaram-se um padrão para ti?
Sim. A dada altura, lembro-me de estar em casa, por volta das 18h00, e sair do meu escritório para meditar na garagem, quando, de repente, vi alguma coisa. Olhei para aquilo uns cinco minutos e era uma luz. Comecei a pensar porque é que os vizinhos estavam a fazer incidir uma luz em cima da janela da minha garagem. Fui falar com eles. Agora - repara bem nisto -, eu estava em casa há 12 horas e acredito que isso contribuiu para que aquelas coisas estivessem a voar por cima da garagem... não deveria chamar-lhes coisas. As suas naves.

Com o tempo, entendi o que eles eram. Mas, quando era jovem, não sabia o que estava a experienciar e não falava sobre o assunto. Tinha algum tipo de experiência e arquivava-a no fundo da minha mente, até que algo maior aconteceu. É uma coisa sobre a qual outras testemunhas de OVNIs não falam. Sempre que mudava de casa, a determinada altura, acima dela, aparecia um círculo que parecia fumo. Começava a pensar de onde teria aquilo vindo, porque não se parecia nada com nuvens. Estes avistamentos continuaram durante uns 10 ou 15 anos. E experienciei um tempo perdido. Onde estava eu entre as horas em que vi aquilo. Fui levado? Porque é que não me lembro de nada entre esses momentos.

E o que foi esse "algo maior" que aconteceu?
Foi uma noite no meu escritório nas Filipinas. Ouvi a minha mulher e empregados a chamarem-me com uma voz ansiosa. Saí e quando cheguei junto deles, vi o mesmo círculo de fumo sobre a casa. Quando lhes perguntei o que tinham visto, disseram que viram um OVNI do tamanho do Estádio Yankee. Duas ou três noites depois, eu próprio vi o OVNI. A coisa tapava o céu inteiro. A Lua e tudo o mais. Era enorme. Lembro-me de dizer "Jesus Cristo". Quer dizer, eu estava nervoso pá, porque não vês uma coisa assim sem ficares vulnerável a perderes a calma. Ficas com medo, para ser sincero. Mexeu comigo durante três ou quatro dias.

Já te foi diagnosticado algum tipo de problema mental?
[Risos] Não, nunca. O meu QI é de 196. Se fosse o caso, terias que dizer que as centenas de outras pessoas – incluindo o ex-ministro da defesa canadiano – que chegaram à mesma conclusão sobre vida alienígena também tinham problemas mentais.

Mas sabes, as pessoas vão ler esta entrevista e pensar que estás a alucinar ou a planear alguma coisa. O que dirias sobre isso?
Não tenho um motivo para fazer estas alegações. Nunca promovi nenhum livro, ou algo do género. Nunca li nada sobre o tipo de experiências que tive. Já fiz 75 filmes e vários programas de televisão. Sou conhecido em todo o Mundo, portanto esta confissão não faz nada por mim. Eu conquisto coisas através da minha actuação. Outras pessoas podem usar este tipo de coisas em benefício próprio, para se tornarem famosas. Eu já sou famoso, portanto qual seria o propósito de contar estas histórias, excepto que elas se relacionam com o filme Alien?

É por isso que nunca falei sobre isto depois desse filme, porque, claro, iriam dizer "aahh, ele está a tentar promover o filme". Bem, agora não estou a promover nada. Não escrevi nenhum livro e não tenho nenhum filme para ser lançado. Esta é a hora de revelar tudo, porque ninguém pode ligar essa revelação a qualquer proveito financeiro, ou forma de exposição nos media. Quando alguém me perguntar se já tive uma experiência com algo remotamente parecido com um alienígena, vou dizer "o quer sim". Aconteceu pela primeira vez quando tinha nove anos e continuou desde então.

Portanto, não me importo se alguém achar que estou a ter alucinações. A minha ilusão acabou. Estou a tomar uma posição sobre este assunto.


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Ver um OVNI é tão improvável, que muita gente considera qualquer avistamento uma mentira. Porque é que achas que tens um papel especial?

Não sei, mas começo a acreditar que sou especial, porque vi esse tipo de coisas muitas vezes... não coisas. Não quero ofendê-los. Quer dizer, eles têm-nos seguido. Aparecem em lugares onde estou. Um dia, estava a preparar-me para correr com a minha assistente pela manhã, em Manila, nas Filipinas. Levantei-me, saí de casa e não tínhamos ido muito longe, quando as aeronaves apareceram. A minha assistente passou-se e disse "olha para isto!" e eu disse "sim" e continuámos a correr. Aquilo seguiu-nos e ela acabou por contar a todos os seus amigos. Na manhã seguinte, estávamos a preparar-nos para sair, sentei-me e comecei a desacreditar em tudo e pensei "se aparecerem mais dois, volto a acreditar". Saímos e claro, apareceram dois e no dia seguinte, três, tal como eu tinha pensado.

Sempre senti que tenho uma conexão com eles, tudo está relacionado com o facto de ter visto aquele alienígena aos nove anos e ele ter fugido porque se assustou. Fui a um psiquiatra para tentar perceber o que diabos tinha visto, até procurei um curandeiro espiritual, que achou que a minha família estava envolvida nalgum tipo de vudu. Durante muitos anos depois, tive medo de apagar as luzes do quarto. A minha mãe levou-me a benzedeiras e esse tipo de coisa e depois disso nunca mais voltei a ver o alienígena.

Porque é que alguém com uma ideia tão firme sobre alienígenas, devido às suas experiências, concorda em fazer um filme sobre um alienígena tão agressivo?
Porque as minhas experiências não tinham nada a ver com o filme Alien. O guião era tão incrível que só precisei de ler 72 páginas para aceitar o papel. Agora, vou admitir uma coisa: havia coisas no set de Alien que eu andava a encontrar - na nave, por exemplo. Aquele mecanismo que Sigourney Weaver usa para colocar a Sulaco (a nave do filme) em destruição automática. Havia ali símbolos. Símbolos que não tinham nada a ver com a nave do filme e que eu continuava a encontrar. Eram como símbolos egípcios e comecei a tentar decifrá-los, o que acabei por conseguir fazer.

Independentemente de tudo, o rguião de Alien era um dos melhores guiões da história e olha que li muitos. Deu-me a oportunidade que nenhum outro actor afro-americano tinha tido até então e abriu as portas para os meus irmãos em filmes de aventuras espaciais. Até àquela época, não tinham qualquer papel que não fosse numa igreja a cantar amén.

Mas, independentemente do guião ser óptimo, o medo foi um factor enquanto interpretavas Dennis Parker no filme?
Bem, logo depois da cena em que o meu peito explode, admito que não consegui falar durante dois ou três dias. Quando aquela coisa saiu do meu peito, fiquei confuso. Comecei a imaginar se conseguiria ou não encontrar outra profissão, ou tornar-me um actor clássico de teatro. Comecei a questionar a minha vida inteira. "Que tipo de filme é este? É estranho".

Quando entrámos no cenário para fazer a cena, a atmosfera do filme tinha desaparecido, porque a equipa estava a usar óculos de protecção e máscaras plásticas para se proteger. Foi como entrar numa sala de cirurgia. Não nos avisaram sobre a cena. Portanto, enquanto filmávamos e aquela maldita coisa explodia do peito do actor, toda a gente se assustou. Ficámos traumatizados. Vários de nós. Isso levou-me de volta a tudo o que eu tinha experienciado com alienígenas e OVNIs. Tornei-me um ufólogo naquele momento. Quando passas pelo que eu passei com alienígenas reais, sofres mudanças psicológicas. Começas a imaginar se estás ou não a ser seguido.

Nunca mencionaste essas experiências? O set de Alien parecia um bom espaço para o fazeres, tendo em conta que era um filme sobre alienígenas.
Nunca falei sobre isso, pá, esta é a primeira vez. Só contei à minha esposa, ao meu rabino e a um psicólogo. Esta é a primeira vez que estou a falar sobre isto e não sei porquê. Só decidi que o faria este ano. Estou num ponto onde não posso mais manter o assunto em privado. Eles não se vão embora e, honestamente, acredito que essas espécies estão perto de se revelarem neste século, para esta geração. Acredito que o propósito deles é garantir que nós não nos matemos. Estamos a perder os nossos rios, lagos, montanhas e os glaciares estão a derreter. Precisamos de ver com seriedade o que estamos a fazer e eles vão ajudar-nos.

Ao contrário dos alienígenas bons de que falas, parecias genuinamente assustado durante a cena do filme, principalmente quando gritas. Onde é que foste buscar vaquilo?
Estava danado. Quando fiz Blue Collar, com Richard Pryor, usava uma t-shirt preta com o olho espiritual, esse círculo com um grande ponto no meio e uma estrela branca no centro. Isso representa o olho espiritual de que Yogananda falou, que podes ver quando meditas e olhas para cima. Agora, não sei porque é que Ridley o fez, mas, quando a boca do alien se abre, vai directa à minha testa, onde o olho espiritual deveria estar. Quando vi a cabeça do meu boneco, perguntei ao tipo que a fez "porque é que essa coisa está a ir directa ao olho espiritual?". O sítio onde os irmãos e irmãs indianos têm o ponto vermelho. Bem, a coisa estava a ir direitinha lá. Porque é que não entrou no meu peito ou pescoço? Isso deixou-me danado.

Além destas tuas crenças, acreditas em mais alguma coisa que apoie as tuas visões?
O ex-ministro da defesa canadiano, Paul Hellyer, pronunciou-se recentemente e disse que os EUA estavam a esconder alguma coisa. Ele tem gravações que falam sobre várias espécies que vieram a este Planeta e chamou a atenção dos EUA por os seus governantes não admitirem que os alienígenas são reais. Isso deu-me muito conforto. Ele é um homem importante, que não inventaria histórias, ou que tenha alguma coisa a ganhar ao revelar este tipo de coisas.

O que esperas que as pessoas ganhem com essa revelação?
Não estamos sozinhos, não estamos sozinhos no Universo. Se tens essa ideia ocidental e vês tudo de um ponto de vista supremacista, dizes que toda a gente estará a imaginar quando se trata destas coisas. Podes dizer isso, mas boa parte do mundo vai rejeitar essa premissa. Não estamos sozinhos.

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