Um neo-nazi russo está a construir um império de MMA na Europa

"Ele parece estar ligado a quase todos os países da Europa, através seus combates e actividade enquanto hooligan".

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ago 9 2018, 5:03pm

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma VICE News.

A foto parece uma qualquer imagem típica de um encontro estranho entre fãs e celebridade. Um tipo machão, baixo e forte, com um sorriso forçado para a câmara, no meio de dois sorridentes admiradores. Cada um deles com uma mão nas suas costas e a outra a fazer a clássica pose de pugilista.

Estás perdoado se não reconheceres o homem do meio. Não é um atleta profissional, nem uma estrela de cinema ou um músico famoso. Para a maioria das pessoas, ele é virtualmente desconhecido. Mas, para os dois californianos ao seu lado, que orgulhosamente publicaram a fotografia nas suas redes sociais, não restam dúvidas de que estão na presença de um ídolo: Denis Nikitin.

Nikitin é um temido neo-nazi russo, hooligan, lutador de MMA, empreendedor e líder da cena MMA de extrema-direita, sobre o qual os analistas dizem ser, actualmente, um dos mais perigosos movimentos em ascensão no continente europeu. E é exactamente esse o motivo pelo qual estes jovens da Califórnia voaram até à Europa só para o conhecer. Estavam em peregrinação para se encontrarem com algumas das principais redes de extrema-direita europeias e Nikitin era o seu guia.


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“Ele parece estar ligado a quase todos os países da Europa através dos seus combates e actividades enquanto hooligan”, conta à VICE News Robert Claus, um investigador da extrema-direita que vive em Hannover, na Alemanha e segue de perto as acções de Nikitin.

A viagem dos dois jovens norte-americanos, extensivamente documentadas nas redes sociais, levaram-nos a um torneio neo-nazi de MMA na Alemanha; a um clube de combate de extrema-direita na Ucrânia (o seu lema: “Um de vocês vale mais que qualquer número deles”); e em Roma, à sede do movimento de extrema-direita, CasaPound, uma organização que se vê como a moderna descendente dos fascistas de Benito Mussolini.

A jornada, com a sua visão íntima da cena underground da extrema-direita europeia, foi um ponto alto na vida destes dois rapazes, mas, para Nikitin, foram apenas dias de "business as usual".

Aproveitando-se da crescente popularidade das artes marciais mistas e do seu apelo junto da cena hooligan de extrema-direita, Nikitin construiu um forte império nacionalista de MMA em toda a Europa, com ligações que vão da Rússia à Grã-Bretanha. A rede de Nikitin continua em expansão, garantem vários analistas à VICE News, em grande parte graças ao seu sagaz uso das redes sociais e ao apelo da sua marca de streetwear, a White Rex. Nas raras entrevistas que dá, Nikitin frisa a ambiciosa visão que tem para a White Rex como uma marca de roupa abrangente – um tipo de Nike para nazis – que promove a sua velha e terrível ideologia como algo forte, saudável e aspiracional.


Vê o primeiro episódio de "Odiarás o Teu Vizinho"


“A sua narrativa é muito violenta, explicitamente neo-nazi. Fala sobre o regresso dos homens brancos, a ‘reconquista’ do espaço dos homens brancos agora ocupado por refugiados e imigrantes”, explica à VICE News Pavel Klymenko, um investigador de Londres, especializado em movimentos de extrema-direita na cena do futebol.

O movimento, segundo analistas que monitorizam a ascensão do homem de 34 anos de idade, está a transformar hooligans racistas em lutadores duros, inseridos numa espécie de guerra de ideologia racial que transcende as fronteiras europeias e movimentos políticos. Klymenko diz que a rede underground transnacional baseada em violência, permitiu que Nikitin criasse “quase uma célula terrorista.”

A marca

A chave do sucesso de Nikitin é o trabalho que tem feito fora dos ringues com a White Rex, o nome com o qual promove quer os seus eventos de MMA, como as roupas e o “lifestyle” branco nacionalista.

Os dois ramos dos seus negócios cresceram simbioticamente desde que, há 10 anos, lançou a marca na Rússia, estabelecendo gradualmente a White Rex como a marca preferida dos atletas brancos nacionalistas dos desportos de combate e da cena de futebol hooligan. Nos últimos anos, o logo da White Rex – um cavaleiro com um capacete envolvido pelo “sol negro’, um símbolo ocultista adoptado pelos neo-nazis – tornou-se comum em academias, clubes de luta e bancadas de futebol pela Europa.

O espírito da marca, expresso nos slogans espalhados nas roupas e online, defende a necessidade do regresso de uma masculinidade agressiva na Europa – o “espírito guerreiro” – para resgatar o Ocidente do que Nikitin vê como culturas imigrantes inferiores e dos valores degenerativos da esquerda. A White Rex rejeita a sociedade moderna – o seu relativismo, consumismo, hedonismo – em favor de reviver militarmente uma visão da masculinidade tradicional: conservadora, straight-edge e descaradamente racista.

A presença da White Rex na Internet mostra tanto a mais velada como a mais explícita política racista de extrema-direita. A imagem mostra o logo da marca, um cavaleiro de capacete, envolvido pelo símbolo neo-nazi do “sol negro”, juntamente com soqueiras e um porta-chaves com uma suástica mal disfarçada. Imagem retirada do perfil da White Rex no Tumblr

“Ele tem uma forte presença nas redes sociais e vende não apenas as suas roupas, mas uma grande história por detrás delas”, sublinha Klymenko. O Tumblr da White Rex contém imagens com o significado de White Rex, “White Heterosexual Reactionary Xenophobe” (Branco Heterossexual Reaccionário Xenófobo); uma outra imagem mostra um porta-chaves com uma suástica bastante mal disfarçada. No seu Instagram pessoal, Nikitin recentemente publicou uma foto de Adolf Hitler em homenagem ao seu aniversário, enquanto na página do Facebook da White Rex declarou apoio ao chamado “14 words” – o slogan supremacista branco sobre “garantir o futuro da raça branca”.

As t-shirts da White Rex – vendidas por cerca de 25 euros nos eventos de MMA organziados por Nikitin e em lojas online especializadas em merchandise nacionalista branco – contêm slogans como “Ultraviolence”, “Warrior Spirit”, “Tomorrow belongs to us”. Um estampado com a frase “The only friends you have”, retrata um miúdo a caminhar ao lado de uma soqueira e uma faca antropomorfizados. Até ser banida recentemente, o merch da White Rex era vendido directamente na página do Facebook, que tinha quase 13 mil seguidores.

A linha de produtos da White Rex vai além de roupas, incluindo coisas tão diversas como pequenos machados e autocolantes para iPhone; a marca tem inclusive uma divisão, a Vandals, para quem curte umas aventuras ao ar livre e que deseja levar o seu nacionalismo branco aos topos das montanhas.

Nikitin recusou o pedido da VICE News para uma entrevista, dizendo por e-mail que “decidiu encerrar qualquer tipo de cooperação com jornalistas”, visto que estava “cansado das suas reportagens tendenciosas, das suas parvoíces e da sua falta de profissionalismo”. Mas, em entrevistas anteriores, salientou a sua visão sobre a marca. “Tenho um mandato global e preciso de cobrir todos os elementos da vida moderna”, adianta Nikitin numa entrevista ao site hooligan ucraniano Troublemakers, no ano passado. E acrescenta: “Esta é uma atitude alternativa de vida, em que quero atingir os 100 por cento, com roupas, torneios, nutrição desportiva, academias fitness".

Depois, na mesma entrevista, em resposta a uma questão sobre o apelo da marca, foi mais a fundo: “Porque é que há miúdos a fazer tatuagens da ‘White Rex’ e de nenhuma outra marca?’ Não podes ter uma tatuagem da ‘Nike’ ou da ‘Adidas’, a não ser que sejas um idiota”. Mas, se associas uma certa filosofia à marca – como a camaradagem, o respeito, a força, a solidariedade, a honra, o heroísmo –, podemos usar os nossos vídeos e eventos para trazer as pessoas mais para perto das nossas ideias”.

E o poder da marca torna-se ainda mais evidente na popularidade dos seus eventos de MMA. Começando com pequenos eventos em pequenas e retrógradas cidades russas – Voronezh, Lipetsk e Novorossiysk – e com lutadores, diz ele, "oriundos do futebol hooligan, ou putos patriotas que queriam aumentar os seus poderes”, Nikitin afinou a fórmula antes de levar os seus produtos aos maiores centros urbanos, como Moscovo e São Petersburgo. Em 2012, a White Rex realizou o seu primeiro torneio fora da Rússia, na capital da Ucrânia, Kiev. Desde então, expandiu-se rumo ao Ocidente, realizando, a partir de 2013, torneios em países como Itália, Hungria, França, Alemanha, e Grécia.

Geralmente, os torneios são realizados em parceria com partidos políticos de extrema-direita (o neo-nazi NPD na Alemanha, o CasaPound na Itália) e gangs de nacionalistas brancos, como os Hammerskins, ligando as cenas dos violentos hooligans de extrema-direita e combates a movimentos políticos extremos e elementos criminosos. Desde o seu início sombrio, foram-se tornando produções mais refinadas – com ecrãs gigantes, “ring girls” seminuas e bailarinas e bandas de rock. São promovidos através de vídeos no YouTube, evidenciando desta forma o crescimento da cena do MMA de extrema-direita, que tem atraído racistas com propensão à violência que se querem tornar melhores lutadores.

“É atractivo para os neo-nazis, porque podem exercitar a sua violência – técnicas, atletismo, como treinar, que tipo de nutrição precisam”, explica Claus. O objectivo por detrás dos torneios, explica Nikitin na sua entrevista ao site ucraniano, foi "aumentar o alcance da marca, para levar a luta a um novo nível". E acrescenta: “Porque é que realmente criei os torneios? Para que os atletas que actuam mais em segundo plano possam mergulhar no nosso mundo, no mundo das nossas ideias. Para alguns, é apenas um ringue; para outros, são novas pessoas, novos contactos, novas ideias e assim por diante. As pessoas envolvem-se com as ideias e atingem outro nível de desenvolvimento”.

Klymenko, que trabalha como oficial de desenvolvimento da Europa de Leste para a Fare, uma rede de grupos criada para combater a discriminação no futebol, diz acreditar que Nikitin estava no comando de um dos grupos por detrás dos confrontos em Marselha durante o Euro 2016; ele reconheceu-o como o homem mascarado, identificado como um dos líderes da violência, num documentário da BBC de 2017. “Acertei na cabeça de um gajo. Se imaginares um pontapé de pénalti, rematei um bom pénalti,” vangloria-se o homem nas imagens, identificado no documentário como “Denis,” um hooligan russo, lutador semi-profissional de MMA e que vestia uma t-shirt da White Rex.

Em entrevista ao The Guardian no começo deste ano, Nikitin também admitiu ter cometido ataques violentos regulares contra minorias com os seus colegas hooligans. “Geralmente, dizia-lhes, ‘OK, quem quer ir dar uns pontapés a imigrantes?’”, contou ao jornal britânico.

Para alguns observadores, o alto estatuto de Nikitin no mundo hooligan faz com que seja a melhor ponte entre a cena russa – geralmente vista como a mais radical do Mundo, em termos de violência e extremismo dos políticos de extrema direita – e aqueles mais a ocidente do continente. Esforços anteriores para colaboração nessa região falharam, ironicamente, devido ao racismo da extrema-direita da Europa Ocidental em relação aos seus vizinhos eslavos. “Nikitin parece ser capaz de superar esse facto, por causa da sua história e sua ação nos esportes de combate,” disse Claus.

Fluente em russo, alemão e inglês, a posição de Nikitin faz com que discurse regularmente em torneios e outros eventos do calendário da extrema-direita. Em 2014, discursou no London Forum, na capital britânica e em Julho último fez um discurso num festival neo-nazi com a presença de seis mil pessoas na cidade alemã de Themar.

“Ele é como um embaixador: vem e promove as suas ideias,” diz Marvin, um lutador amador de MMA de 31 anos do estado de Brandenburg, na Alemanha, que é membro do grupo activista germânico “Down from the mat”, criado em resposta à crescente influência de neo-nazis no edesporto (ele prefere não divulgar o seu apelido devido ao risco que corre ao monitorizar e desafiar extremistas de direita). E acrescenta: “É uma pessoa que reune os lutadores ao seu redor e diz, ‘São tempos difíceis; temos de ir além-fronteiras, temos de nos unir e de nos defender, defender a nossa herança, as nossas mulheres’. O que é muito importante é esse ideal pan-europeu”.

Klymenko considera Nikitin uma das figuras mais perigosas do ressurgimento da extrema-direita europeia, cujos movimentos interligados com a sua oposição à imigração e ao islamismo, têm reformulado dramaticamente a política do continente nos últimos anos. Um dos movimentos mais bem-sucedidos tem sido o Identitarians, um movimento focado nos jovens, que é geralmente descrito como a versão europeia da direita alternativa norte-americana. Tal como a rede de Nikitin, os Identitarians - amplamente conhecidos como a extrema-direita hipster - têm procurado redefinir a sua ideologia como algo que seja “tendência”, explica Klymenko.

Mas, eles também diferem em aspectos significativos, continua o especialista. Enquanto os Identitarians geralmente tentam mascarar o horror da sua ideologia com a retórica defesa da identidade europeia, Nikitin expõe uma xenofobia sem enfeites. O seu trabalho, no qual essencialmente actua como "um treinador para guerrilheiros urbanos", foi realizado "no underground, raramente visível aos olhos do público". “A minha maior preocupação são as suas visões neo-nazis explícitas e que pessoas que estejam ao seu redor podem ser responsáveis por ataques às minorias étnicas”, sublinha Klymenko.

E refere ainda: “A segunda preocupação é que ele está a construir uma rede internacional de neo-nazis, amplamente desenvolvida em toda a Europa, quase como uma célula terrorista. Não consegues adivinhar o que eles estão a planear – apenas sabes que eventos estão a acontecer, que pessoas se estão a juntar. Não há uma agenda pública. Não sabes nada sobre as suas verdadeiras ambições... mas, a ameaça está aí”.

Os fãs

E essa ameaça, aparentemente, agora estende-se pelo Atlântico. Nikitin orgulha-se de que a sua mensagem de nacionalismo branco militante esteja a atrair admiradores de fora da Europa. Nos Estados Unidos, onde Nikitin expandiu o alcance através do uso das redes sociais, o seu movimento parece ter gerado imitadores. "Há uma imitação clara, ou reverência, da White Rex", garante à VICE News Joanna Mendelson, investigadora sénior do Centro de Extremismo da Liga Anti-Difamação.

Ela refere-se ao Rise Above Movement (RAM) – um violento grupo supremacista branco de dedicados entusiastas de artes marciais mistas, que estão a treinar para “garantir o futuro” da raça branca nos Estados Unidos, de acordo com a Liga Anti-Difamação. Desde a emergência do grupo californiano no ano passado, os seus membros têm estado envolvidos em ataques a opositores políticos em manifestações pelos EUA, desde Berkeley ao infame comício Unite the Right, em Charlottesville. Mendelston afirma à VICE News que, desde a sua fundação, a retórica do grupo tem reflectido de perto os mais consagrados pontos da White Rex, “ao ponto que pensei que 'seria o mesmo grupo’”.

As crescentes ligações entre o network europeu de Nikitin e os seus imitadores norte-americanos ficaram evidentes num festival que aconteceu na vila de Ostritz, na Alemanha Oriental, em Abril, onde mais de mil neo-nazis se reuniram para celebrar a ideologia de Adolf Hitler, no seu 129º aniversário.

O evento contou com um torneio de MMA patrocinado pela White Rex. Grupos de monitorização da extrema-direita dizem que, juntamente com Nikitin, compareceram cerca de 20 lutadores de países como Alemanha, Suíça, França, Áustria, República Checa e, pela primeira vez, Estados Unidos, na forma de uma pequena delegação do RAM.

Por e-mail, um membro do RAM que se identificou como Rob, explica à VICE News que a sua presença em Ostritz foi um “grande passo” – um marco importante no objectivo declarado do grupo de "preencher a lacuna entre as duas cenas nacionalistas" e promover a sua relação com a rede de Nikitin. “Esses eventos não são sobre ganhar ou perder. É sobre mostrar que se tem um espírito guerreiro, assim como tinham os nossos ancestrais,” escreve. E acrescenta:

“Quanto à White Rex e todas as grandes coisas que a organização fez, como incentivar os jovens a serem mais do que consumidores e viciados irracionais como o resto da sociedade actual, não posso dizer muito mais a não ser que têm o nosso total apoio. Dennis [sic] é um gajo forte; não lhe vejo falhas”.

O “Rob” que respondeu à VICE News não elaborou muito mais sobre a viagem do grupo, ou se era Robert Rundo, ou Robert Smithson, os dois membros do RAM que foram ao torneio em Ostritz (alegou que a VICE era "hostil" para com pessoas brancas, citando um anúncio da série da VICELAND "Desus and Mero", que apresenta o slogan "Reduce White Guilt Today". "Que tipo de mensagem é essa para crianças brancas?", “Talvez o alto número de overdoses e suicídios esteja relacionado à crescente privação dos direitos deles”).

Mas, os registos da viagem do RAM nas suas redes sociais, que contaram com inúmeras aparições de Nikitin, deixaram uma clara imagem dos laços construídos e fortificados nesta peregrinação europeia. Uma das fotos exibia Rundo com o logo da White Rex tatuado na canela. O grupo tuitou, juntamente com uma foto de Nikitin, “esperamos que um dia nos Estados Unidos possamos ter algo pelo menos próximo dos eventos e torneios que a White Rex promove”. E Nikitin devolveu a admiração, postando no Instagram uma foto de Michael Miselis, um engenheiro aeroespacial de 29 anos da Califórnia, que foi demitido da empresa de defesa Northrup Grumman, depois de ser revelado como membro do RAM no início deste mês, tornando-se uma causa célebre para o grupo. "Quando dizemos IRMANDADE, é isto que a gente quer dizer!", dizia a legenda de Nikitin.

Essas cada vez mais profundas ligações, diz Mendelson, provavelmente tornaram o RAM um pouco mais ameaçador. Este ano, explica a especialista, o grupo já evoluiu ainda mais no conceito da White Rex. Como um sinal da sua crescente audácia, os membros do grupo saíram de trás das máscaras que usavam para disfarçar as suas identidades na Internet; o grupo também lançou a sua própria marca de streetwear de extrema-direita e uma loja online - vendendo itens da White Rex, naturalmente, ao lado de outras importantes marcas europeias de extrema-direita. Mendelson acrescenta: “Sabemos que a troca de ideologias de ódio encoraja e energiza esses grupos. Isto ajuda a fortalecer a ideologia".

Nikitin não só promove torneios de MMA e vende t-shirts e ideologia de extrema-direita aos seus seguidores –, como também os treina para lutarem. Nos últimos anos, deu treino de combate a extremistas de direita britânicos em campos estilo paramilitar no País de Gales; em 2016 treinou membros do PNOS, o Partido Nacionalista Suíço, classificado pela polícia federal do país como um grupo extremista, ostensivamente para que pudessem defender-se de refugiados. Nikitin também fez seminários sobre lutas com facas – uma disciplina que considera ser “uma habilidade vital para todos nós – jovens e orgulhosos, que estão dispostos a defender as nossas ruas,” de acordo com o site da White Rex.

“O que é tão perigoso sobre ele é que oferece essa mistura especial de treino de combate fascista, juntamente com um evento cultural para hooligans que querem praticar um desporto de combate”, diz Claus. E salienta: “Uma rede europeia de hooligans social-nacionalistas, com seminários de Nikitin sobre uso de armas, é uma coisa bastante perigosa”.

Para Nikitin, violência nunca foi algo que tivesse lugar só no ringue. Ele é um veterano com 12 anos de experiência numa cena de futebol hooligan ultraviolenta da Europa, cujos membros vão de partida em partida, à procura de combates de rua, organizadas ou espontâneas, com os seus rivais. Analistas dizem que é também membro dos principais grupos hooligan da Alemanha, para onde a sua família se mudou quando ainda era jovem e em Moscovo, para onde regressaram no final dos anos 2000.

De acordo com alguns relatos, Nikitin pode ter sido o líder de um dos mais infames episódios recentes de violência hooligan no cenário internacional, quando grupos coordenados de adeptos russos massacraram um contingente muito maior de adeptos ingleses na cidade francesa de Marselha, deixando dois ingleses em coma e outro com os tendões de Aquiles cortados.

Na sua entrevista ao site ucraniano, Nikitin admitiu ter feito parte dos violentos confrontos, que aconteceram durante o Campeonato da Europa, em Junho de 2016, dizendo que o seu grupo de hooligans “provou ser o mais enérgico e poderoso grupo” no conflito.


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