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O que pensam os sírios sobre a acção militar dos EUA

Apesar de Trump ter garantido que a missão tinha sido cumprida, Assad mostrou-se despreocupado e analistas garantem que pode até ter saído reforçado depois dos ataques do último fim-de-semana.
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Centenas de sírios saíram às ruas da zona central de Damasco na segunda-feira, 16 de Abril, numa demonstração de apoio ao presidente Assad, depois dos ataques levados a cabo pelos Estados Unidos com o apoio da França e do Reino Unido, com o lançamento de 105 mísseis sobre zonas e edifícios identificados como estando alegadamente ligados ao fabrico de armamento químico, situados perto da capital e de Homs.

O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou a iniciativa militar aérea da madrugada de sábado, 14 de Abril, como "Missão Cumprida" e garantiu que tudo foi "executado na perfeição". Ainda assim, no dia seguinte Assad mostrou-se nas redes sociais em modo "business as usual", através de um vídeo de nove segundos em que pode ser visto a entrar no palácio presidencial com uma pasta na mão, como se fosse trabalhar normalmente.

Analistas da região dizem mesmo que ataques deste género podem inclusive fortalecer o regime e os seus aliados, Rússia e Irão, em vez de evitar mais ataque a civis.


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“Assad está agora numa posição bastante mais forte do que aquela em que se encontrava antes", garante Elias Farhat, general libanês retirado e analista especializado na situação da Síria. E acrescenta: "Porque, para algum do seu povo, ele é o herói que enfrentou ataques aéreos de Israel e Agora dos Estados Unidos e de países europeus".

Todavia, para as pessoas evacuadas de Ghouta Oriental que conseguiram escapar ao mais recente ataque em Douma, em que o regime alegadamente terá usado armas químicas, a resposta aliada é insignificante. "É demasiado tarde para isso", diz à VICE News um recém-evacuado habitante de Douma, Abu Hasan. E explica: "Depois de todas estas mortes, incluíndo crianças… culpamo-los [aos EUA] por não terem feito nada a tempo".


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