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Identidade

Startup portuguesa dá licença de maternidade paga a colaboradores recém donos de cães ou gatos

A Barkyn é a primeira empresa nacional a integrar esta medida nas suas políticas laborais, como parte de uma crença inabalável de que "os animais de estimação são parte da família".

Por Madalena Maltez
05 Julho 2019, 9:09am

Foto por Marion Michele via Unsplash.

Há dois tipos de pessoas no mundo: as pessoas que gostam e têm animais de estimação, como cães ou gatos (um peixe todos conseguimos ter) e as que não. Aquilo que pode, à primeira vista, parecer apenas uma pequena diferença, uma mera questão de gostos é, na realidade, uma outra forma de viver e olhar o Mundo. Há um fosso profundo que nos separa, no qual é fácil escorregar e tropeçar se não forem tomadas as devidas precauções e cuidados.

Esse fosso é a falta de compreensão que um grupo tem pelo outro. As pessoas de animais, principalmente as de cães, param na rua para tocar em animais alheios, se entrar um cão na sala largam tudo para lhe dizerem olá e soltam frases e partilham memes em que salientam coisas como "prefiro animais a pessoas” ou “quem não gosta de cães não é de confiança”.

Já para aqueles (como eu) que estão no grupo para o qual os animais de estimação são indiferentes, estes comportamentos são-nos incompreensíveis. Se um cão entrar na sala, não damos sequer por isso, a menos que tenhamos medo que ele suje o sofá branco. Também não alteramos o nosso passo apressado, como bom tuga atrasado para toda e qualquer coisa, para cumprimentar animais que não conhecemos. E quanto à frase de preferir cães a pessoas, nem sei por onde começar. Direi apenas que, no fim de um dia em que, mais uma vez, a humanidade me desiludiu, continuo a preferir conversar com quem seja capaz de me responder.


Vê: "O estranho e selvagem mundo dos donos de doninhas"


Os pet lovers julgam os não-pet lovers por não dedicarem aos seus animais a atenção que eles próprios lhes dedicam, considerando-nos insensíveis ao ponto de haver já uma cultura de Internet tão forte sobre este tema que, em público, é preferível absteres-te de comentar que não és uma pessoa de animais. O que é injusto e desnecessário porque, afinal de contas, a beleza deste Mundo reside na nossa diferença.

Mas, também quem não tem animais de estimação (porque não os quer ter) mostra dificuldades em aceitar que, quem os tem, os possa ver e tratar como se fossem pessoas. Como filhos ou família. Isso leva a uma falta de apoio e sensibilidade por parte daqueles de nós sem animais, em relação à logística e sentimentos daqueles com animais. Quando um cão morre, parte do seu dono morre também. Assim como quando se traz para casa um animal pela primeira vez, é preciso acomodá-lo, recebê-lo e organizar a nova situação familiar.

Ainda que exista este fosso entre nós, esta falta de compreensão latente que nos leva a assumir premissas erradas uns sobre os outros, parece que o Mundo caminha – mesmo que em câmara lenta - para uma maior união. Dado o aumento das famílias com animais, está na hora de as empresas preverem nas suas políticas laborais licenças e direitos que tenham essa realidade em consideração.

Em Portugal foi a Barkyn, startup portuguesa de subscrição de alimentação e cuidados caninos, a primeira a abrir alas. Como parte da sua política pet-friendly e family-friendly - que defende que "os cães e os gatos são membros da família do trabalhador" -, no caso de morte ou de acolhimento de um animal, os funcionários da empresa têm direito a gozar de uma licença de maternidade paga. Assim, a pessoa ganha tempo para pôr a sua nova vida em ordem, ou para fazer o luto pelo seu ente querido. A Barkyn oferece ainda acompanhamento veterinário e os cães são bem-vindos no escritório.

“Preocupamo-nos com a família e, no núcleo familiar, está o animal. Qualquer iniciativa que apoie o animal vai certamente tranquilizar e aumentar a felicidade nas famílias”, diz à VICE o CEO e co-fundador da startup sediada no Porto, André Jordão. Quando questionado sobre se acha que esta medida será o futuro de todas as empresas, a resposta é afirmativa, porque, justifica o responsável, ao procurarem um maior equilíbrio entre a vida pessoal e laboral, as empresas terão de ter em conta o elevado e crescente número de famílias com animais de estimação.

“Acolher um cão requer ajustes no dia-a-dia de qualquer familia. Sabemos que os primeiros dias são intensos e as noites muitas vezes mal dormidas. Com a iniciativa ‘Barkyn Dog Parents’ queremos tranquilizar as novas famílias e permitir que usufruam do novo membro em plenitude nos primeiros dias de adaptação”, conclui Jordão. Todos os 25 colaboradores da Barkyn gozam deste direito. E tu também podes, porque a empresa está a contratar para as áreas de Marketing e Engenharia. Já viste, quem te avisa, teu amigo é! Mesmo se quem te avisa não gostar de cães.


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