Drogas

Como os hippies transformaram uma cidade universitária na "capital da erva"

No começo dos anos 70, activistas de extrema-esquerda tiveram a possibilidade de governar Ann Arbor, nos EUA. A primeira coisa que fizeram foi, basicamente, legalizar a canábis.

Por Adam Woodhead; Traduzido por Sérgio Felizardo
27 Maio 2019, 4:26pm

John Sinclair em 1968. Foto por Leni Sinclair. 

Este artigo foi originalmente publicado na VICE US.

A série de eventos que levou a uma reforma radical das leis da canábis no Michigan e a transformação de uma cidade universitária no lugar mais 420 dos EUA, começou com dois hippies, Louis e Peg, que, na verdade, de hippies não tinham nada.

Ao longo de meses, a partir do Outono de 1966, a dupla foi estabelecendo amizade com membros do colectivo Trans-Love, localizado no Detroit Artists' Workshop, perto da Wayne State University. O edifício era um centro de activismo e propaganda de esquerda na Motor City – lar do jornal Fifth Estate, escritório local do Comité Pelo Fim da Guerra no Vietname e futuro estúdio de ensaio da banda de rock revolucionária MC5. A 24 de Janeiro de 1967, a polícia invadiu o local, em busca do seu gerente, John Sinclair. “Peg”, a quem Sinclair tinha dado de presente dois charros, era na realidade uma oficial da Polícia de Detroit chamada Jane Mumford Lovelace. “Louis” não era um fabricante de velas artesanais, mas outro polícia, chamado Vahan Kapagian, que deixou o cabelo e a barba crescerem para se misturar.

A polícia prendeu mais de 50 pessoas, incluindo a mulher de Sinclair, Leni, mas Sinclair foi o único a enfrentar acusações sérias depois de ser libertado sob fiança. Um poeta beat obcecado por cultura jazz negra, além de agitador de esquerda, Sinclair chamou a atenção do “Esquadrão Vermelho” da Polícia de Detroit, que monitorizava grupos de esquerda. Mas, na tentativa de o prender, as autoridades desencadearam uma batalha legal de anos e acabaram por ajudar a que Sinclair se tornasse um ícone daqueles tempos.


Vê o primeiro episódio de "Weediquette"


Hoje, nos EUA, a legalização é considerada uma posição mainstream e até políticos de direita, como John Boehner, apoiam o movimento, juntando-se a operadores interestaduais que agora manobram o controlo da indústria da canábis. Sinclair e os seus contemporâneos ajudaram a criar as condições para que essa indústria existisse, mas não estavam na melhor posição para lucrar com ela. Um dos contemporâneos mais radicais de Sinclair, o ex-líder dos Weather Underground, Bill Ayers – que viveu com o colega Pantera Branca de Sinclair, Milton “Skip” Taube, na Universidade do Michigan –, entende que Boehner não deveria poder infiltrar-se nas linhas da frente desse movimento.

“Ouvi uma entrevista na rádio onde lhe perguntaram: 'Não te sentes mal pelas muitas pessoas que foram parar à prisão e tiveram as suas vidas destruídas?'. E ele disse: 'Não, porque essa era a forma como entendia as coisas na época'. Isso é conversa fiada”, diz Ayers à VICE. E acrescenta: “Legalizar a erva tem de ser parte de algo maior. Tem que incluir reparação e isso significa responsabilizar as pessoas que nos levaram para o lugar catastrófico onde nos encontramos. Pessoas como John Boehner”.

Mas, ainda assim, Sinclair entende que o seu lado conquistou uma vitória apesar dessas pessoas. “Eles odeiam pessoas que consomem erva. Costumavam mandar-nos para a prisão. Agora, grande parte da população apoia-nos, mas eles ainda não se acostumaram com isso. Não tarda, não conseguirás ser eleito se não apoiares a legalização da canábis”, realça o homem de 77 anos. E acrescenta: “É muito bom ver a mesa a virar para esses filhos da puta mentirosos. Toda essa merda de estado policial. É o tecido da vida quotidiana dos EUA que precisamos de rasgar e dispensar. Essa vai ser a parte difícil, pegar em toda a merda da nossa cultura e atirá-la fora”.

Os ativistas da erva da era de Sinclair conseguiram uma vitória importante: a legalização da canábis espalhou-se, hoje, por todas as regiões dos EUA. Mas, a história deles mostra quão difícil é conseguir uma mudança duradoura.

The band the MC5 and their associates.
Os MC5, John Sinclair (à direita) e amigos em 1967. Foto por Leni Sinclair/Michael Ochs Archive/Getty Images

Uma vez, Sinclair foi descrito pelo Detroit Free Press como o “hippie-chefe” da cidade, uma figura “despenteada” e “de farto bigode". Era um radical, um membro de uma geração de activistas pró-canábis que via o uso da droga como parte da sua resistência ao capitalismo e ao estado e que a a considerava um objecto de fervor quase religioso. Sinclair via a erva a ocupar um lugar semelhante ao sexo no livro 1984 de Orwell. Ela colocava os desejos básicos dos adolescentes contra o establishment capitalista e era a arma-chave para o “ataque total à cultura” que o movimento hippie estava a tentar concretizar.

Mas, o antiautoritarismo estridente do Detroit Artists' Workshop – alguém chegou a pendurar uma faixa numa janela durante as infames revoltas de 1967 que dizia “Burn Baby Burn” – levou ao que os activistas chamaram de assédio da polícia e violência por parte de pessoas com sentimentos anti-hippie. Depois do atentado à bomba ao autocarro dos MC5 e uma série de ataques contra as mulheres do grupo, o Trans-Love Energies mudou-se para uma casa em Hill Street em Ann Arbor, perto da Universidade do Michigan.

Foi lá que John e Leni Sinclair deixaram o que é sem dúvida o seu legado mais permanente, como parte de um grupo de agitadores que fez a cidade universitária adoptar as políticas de erva mais progressistas do país, fazendo de Ann Arbor, como o New York Times escreveu anos depois, “A Capital da Erva do Midwest”. Ali, o Trans-Love sonhava em construir um enclave revolucionário, como os grupos maoistas que admiravam. Ao contrário de Detroit, diz Sinclair agora, os polícias não podiam andar a rebentar portas ao pontapé. E, de forma crucial, a região era em grande parte branca.

“Em Ann Arbor só havia filhos de ricos”, recorda Sinclair. E acrescenta: “A polícia era instruída para não lhes causar problemas. Eles tornar-se-iam advogados, médicos, essas coisas. Portanto, aproveitámos a situação e mudámo-nos para lá. Além disso, eles tinham apenas umas 10 viaturas da polícia”.


Vê: "O ouro verde do Líbano: o debate sobre a legalização da canábis"


Como nos campus ao redor do país, em 1968 Ann Arbor estava cheio de jovens radicais, mas algo na fórmula do Trans-Love era especialmente atraente. Nos MC5, o colectivo encontrou uma ponte entre a sua ideologia de esquerda, o amor beatnik de Sinclair por erva e a emergente cena do rock da classe trabalhadora de Detroit. A banda tocava para um público jovem e suburbano no Grande Ballroom de Detroit, depois voltava a casa em Ann Arbor para fazer concertos grátis ao ar livre. Como empresário da banda, Sinclair conseguiu que tocassem na Convenção do Partido Democrata em Chicago naquele Agosto. Quando regressaram, formaram o Partido dos Panteras Brancas – baptizado em homenagem ao Partido dos Panteras Negras – e criaram um programa de 10 pontos para a revolução através de “rock 'n' roll, erva e foder nas ruas”.

O grupo até estabeleceu um ramo eclesiástico sem fins lucrativos, A Igreja de Zenta, baseada no uso ritual de erva e alucinógenos. “Zenta é a religião para acabar com todas as religiões”, diz Leni Sinclair. E justifica: “É assim que a vejo. Porque é a única religião que diz 'sim' quando as outras religiões dizem 'não'. Bem, hippies dizem 'sim'. Sim, fuma erva. Faz sexo. Sê tu próprio... Qualquer pessoa que fuma erva é um crente de Zenta, conhecendo o termo ou não”.

Em 1969, os líderes dos Panteras Brancas, incluindo Sinclair, foram acusados de conspiração relacionada com atentados à bomba em Ann Arbor visando prédios associados ao exército e CIA. O chefe de secção do FBI, R. L. Shackelford, apelidou os Panteras Brancas de “potencialmente a maior e mais perigosa organização revolucionária dos EUA” e o grupo começou a ser vigiado sob o programa COINTELPRO da agência (o caso dos atentados chegaria até ao Supremo Tribunal dos EUA, que decidiu que o governo tinha escutado ilegalmente o Partido dos Panteras Brancas; e as acusações viriam depois a cair).

Todavia, o que gerou mais polémica foi a sentença de Sinclair, conhecida em Julho de 1969, para os dois charros que ele deu à agente disfarçada: 10 anos de prisão.

Bobby Seale speaks on a stage surrounded by bodyguards and musical equipment.
Bobby Seale (centro) fala no Comício de Liberdade de Jon Sinclair em 1972, ladeado por dois guarda-costas. Foto por Leni Sinclair/Getty

A pena desproporcional tornou a questão numa causa célebre, levando figuras da esquerda – do fundador do Partido dos Panteras Negras, Bobby Seale, a John Lennon – a sair em sua defesa. No Comício de Liberdade para John Sinclair, em 1971, Lennon e Yoko Ono tocaram uma nova música, “John Sinclair”, que abordava o caso: “Eles deram-lhe dez por dois – o que mais podem os sacanas fazer?”.

Dias depois, Sinclair foi libertado sob fiança e a sua condenação foi revertida no ano seguinte, quando o Tribunal Supremo do Michigan declarou que as leis de canábis do estado eram inconstitucionais. O caso reduziu a pena por “posse simples” para contravenção e transformou a sentença máxima de 10 para um ano. A sentença máxima por venda de erva foi reduzida de prisão perpétua para quatro anos. A 1 de Abril, quando o novo regime entrou em vigor, os simpatizantes de Sinclair reuniram-se no campus universitário de Ann Arbor para comemorar a vitória. A festa acontece todos os anos desde então, no que é conhecido como o Festival Hash Bash de Ann Arbor.

“A atmosfera depois de John ter saído da cadeia era de grandes expectativas para o futuro”, explica Leni Sinclair. E realça: “Estávamos no palco nacional e tivemos muito sucesso com o Comício de Liberdade para John Sinclair. Isto até o governo intervir e exigir a deportação de John Lennon e Yoko Ono e eles terem tido de abandonar as actividades políticas. Mas, até então havia um sentimento de euforia, de que as coisas iam melhorar dali em diante”.

Depois de John saiu da prisão, os Sinclairs tornaram-se menos combativos, rebaptizando o Partido dos Panteras Brancas para Partido Popular Arco-íris (RPP em inglês) e envolvendo-se em política eleitoral. Ao formarem uma coligação com o progressista Partido dos Direitos Humanos, o grupo conseguiu duas cadeiras no conselho municipal de Ann Arbor. O New York Times destacou a disposição da nova coligação de concorrer contra o Partido Democrata local, em vez de pedir o seu apoio e atribuiu os seus sucessos à campanha de base e ao alcance dos estudantes da Universidade do Michigan. Os novos membros do comité eram Jerry DeGrieck, um estudante, e Nancy Weshsler, do Partido Popular Arco-íris. DeGrieck e Wechsler assumiram as cadeiras com apenas 22 anos de idade e, mais tarde, assumir-se-iam, tornando-se as primeiras pessoas gay oficialmente eleitas na história dos EUA.

A coisa mais radical que os novos membros do conselho fizeram foi aprovar uma lei que reduzia a pena para posse de canábis para uma multa de cinco dólares, o equivalente a cerca de 30 dólares hoje em dia [pouco mais de 25 euros]. O Times relatou que a proposta original da campanha era uma multa de 25 cêntimos, mas que aceitaram os cinco dólares para cobrir custos administrativos e de tribunal. O director da Polícia Estadual do Michigan disse ao jornal que iria aplicar a lei estadual em Ann Arbor, citando preocupações de que a nova lei pudesse transformar o Condado de Washtenaw num paraíso do tráfico de drogas. Mas, os hippies comemoraram. “Por causa da lei estadual, não podíamos legalizar a erva dentro da cidade”, disse DeGrieck. E acrescentou: “Portanto, a multa era a melhor opção”.

Assim, a cidade tornou-se a primeira do país a tratar posse como uma infração civil, como estacionar num lugar proibido. Isso marcou uma grande mudança em todo o país e, no ano seguinte, Oregon adoptou uma lei semelhante a nível estadual. A cobertura de Ann Arbor no Times focava-se na tendência do consumo aberto, com o Xerife Frederick Postill a descrever as leis estaduais mais duras como “impossíveis de impor”, tendo em conta a abrangência do uso de canábis na cidade, que o chefe de polícia Walter Krasny estimava ser de 450 quilos por semana em 1972. “Acho que, infelizmente, a erva está a tornar-se parte das nossas vidas”, afirmou Krasny ao Times.

Sinclair serviu como presidente do RPP, ajudando a formar alianças com elementos mais moderados da coligação e a encontrar consenso na lei dos cinco dólares de multa para a erva, que o grupo via como um desafio ao poder do departamento de xerife do condado. Mas, quando moderados dentro do HRP expressaram reservas sobre enfrentar o xerife nas eleições locais, Sinclair liderou a saída do RPP do grupo, uma acção de que se arrepende hoje.

Todavia, por um tempo, Ann Arbor foi efectivamente realmente uma espécie de santuário hippie. Um sistema de estruturas paralelas de poder cresceu a partir da comuna Trans-Love, incluindo uma força de segurança, um serviço de aconselhamento de drogas e uma vasta rede de media alternativa de propaganda pró-canábis como o “Marijuana Revolution” de Sinclair, que argumentava que a proibição de drogas se tinha tornado uma das contradições da sociedade capitalista no Ocidente, abrindo caminho para o comunismo pós-escassez.

“Se os democratas e o Partido dos Direitos Humanos estavam em coligação, podíamos aprovar qualquer coisa e foi o que fizemos”, salienta Leni Sinclair. E recorda: “Conseguimos o dinheiro para uma creche, uma clínica médica gratuita, uma clínica de dentista, abrigo para crianças fugitivas, uma cooperativa de alimentos e um centro comunitário, o People's Ballroom. Foi uma utopia por um tempo”. A dada altura, o Ann Arbor Sun fez um concurso onde os leitores podiam ganhar 450 gramas de canábis. O prémio foi dado pelo representante estadual e membro do Partido Democrático Socialista da América, Perry Bullard. “Começámos um incêndio em Ann Arbor que durou alguns anos”, afirma John, “e foi muito divertido”.

Os republicanos retomaram o controlo do conselho municipal em 1973 e pressionaram para repelir a lei dos cinco dólares. Mas, esse não foi o fim da batalha. Numa audiência do conselho em Julho, membros do RPP acorreram em peso à reunião, acendendo charros dentro da câmara do conselho. No ano seguinte, o HRP reavivou a lei dos cinco dólares na forma de um referendo. Ann Arbor votou por aprovar a medida em Abril de 1974, com uma margem de 52 para 48. A lei continuou em vigor até 1990, quando a multa subiu para 25 dólares.

A splitscreen of letterhead from the Zenta church and a portrait of John Sinclair
À esquerda: papel timbrado da Zent, criado por Gary Grimshaw. À direita: um retrato de John Sinclair por Leni Sinclair/Michael Ochs Archive/Getty

Os Sinclairs não tiveram o mesmo sucesso na mudança das leis para além do Condado Washtenaw, mas tentaram. Dois esforços para legalizar a canábis no Michigan falharam em 1972 e 1974, quando não conseguiram assinaturas suficientes numa petição para levar a proposta a votação. Na Califórnia, Leni encontrou-se com os directores da organização sem fins lucrativos Amorphia e fundaram a Proposição 19, que descriminalizaria a erva, vendendo seda de folha de cânhamo. A proposta foi derrotada em 1972, recebendo 33 por cento dos votos. O casal voltou para Detroit no final dos anos 1970, onde Sinclair trabalhou com a administração progressista de Coleman Young para libertar os arquivos da unidade anticomunista da polícia que o perseguiu nos anos 60 (desde então, os Sinclairs separaram-se).

Os eleitores do Michigan aprovaram finalmente a legalização da canábis recreativa em 2018, mas isso já não é considerado um símbolo de revolução. Em vez disso, alguns agora temem que a indústria da canábis seja dominada por grandes companhias e homens brancos. A empresa canadiana Acreage Holdings, cujo comitêéexecutivo inclui Boehner, fez uma série de investimentos multimilionários no Michigan e, em Abril último, o estado aprovou uma lei que facilita que grandes companhias adquiram licenças comerciais, limitando a verificação de antecedentes dos investidores. Em estados como Massachusetts, que legalizou a canábis em 2016, operadores a actuarem em múltiplos estados conseguiram contornar regulamentações e posicionar-se para efectivamente controlarem o mercado emergente.

A canábis foi de um sacramento aos olhos de John Sinclair, para um medicamento aos olhos da lei e agora uma valiosa commodity, mesmo que com estatuto legal ainda incerto. Um sinal da mudança dos tempos é um esforço para eliminar o fornecimento do Programa de Canábis Medicinal do Michigan, que permite que pacientes cedam o seu direito de cultivar 12 plantas a um cuidador, que pode ter até 72 plantas. Aqueles que querem acabar com o sistema dizem que a erva medicinal acaba muitas vezes o mercado negro e, a 2 de Maio, conseguiram uma grande vitória quando um regulador estadual decidiu que os cuidadores já não podem vender os seus produtos aos dispensários. No entanto, esses programas também dão a pacientes como Sinclair acesso a erva mais barata – actualmente recebe 56 gramas gratuitamente por mês – e ele vê os planos para acabar com o programa como uma manobra agressiva.

“Eles opunham-se a essa lei que as pessoas aprovaram. Portanto, tentaram de tudo para nos foder e para se livrarem dos cuidadores”, dispara Sinclair. E avisa: “O objectivo não é só deles, mas também dos grandes fornecedores, produtores e distribuidores, que pagam 150 mil dólares por uma licença. Eles querem livrar-se dos cuidadores, porque são competição. Se deixas de poder conseguir erva através dos cuidadores, vais ter que a comprar a eles”.

O próprio Sinclair nunca lucrou com a canábis, apesar de ter emprestado o seu nome a vários negócios de erva ao longo dos anos. Depois de a nova lei ter entrado em vigor em 2018, Sinclair foi notícia por causa de uma parceria com um negócio de Detroit para criar o primeiro lounge público para uso recreativo no Michigan. O acordo não tardou a desfazer-se, entre o que Sinclair diz ter sido uma tentativa dos donos de explorarem a sua celebridade canábica. Actualmente, vive da reforma e está no processo de ceder os seus direitos de propriedade intelectual para a Fundação John Sinclair de Amsterdão. “Isso é algo que está em formação”, conta Sinclair. E acrescenta: “Estou a tentar criar um repositório criativo de tudo o que é meu, para que essas coisas entrem para a história”.

Agarrar-se a esses direitos é uma das formas usadas por ícones como Tommy Chong e Willie Nelson que, assim, conseguiram lucrar com o seu estatuto de fumadores de erva, lançando as suas próprias cepas, bongs e cigarros electrónicos. Mas, Sinclair parece não ter interesse em capitalizar com a legalização, mesmo que o seu activismo tenha ajudado o país a chegar aqui. Depois de todos estes anos, ele diz que não liga ao dinheiro ou propriedade. “Não quero saber da indústria minimamente”, diz. E salienta: “Não tenho acções na indústria. Não me importo com o que eles fazem. Só quero a minha erva”.


Adam Woodhear é um jornalista freelancer de Detroit.

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