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Já tiveste fantasias sexuais com o teu melhor amigo do mesmo sexo? Não és o único

Os homens têm mais fantasias com os melhores amigos, mas são as mulheres quem estão mais abertas a experimentar com as melhores amigas.
24 August 2018, 11:34am
Foto por Tyler Nix via Unsplash.

Num mundo de supervisão total, em que andamos que nem ovelhas com número de série, em que temos todos os mesmos telemóveis, os mesmos computadores, compramos roupa nas mesmas lojas, estudamos quase todos gestão, tiramos mestrados e cursos de línguas, estamos todos nas mesmas redes sociais (até os políticos) e sofremos todos dos mesmos problemas que delas derivam; neste mundo em que nos levantamos a correr da cama para viver a mesma rotina que ontem e que nos próximos 20 anos, às vezes parece que somos todos muito iguais. Numa era em que nunca foi tão fácil fazer chegar a nossa individualidade aos quatro cantos da Terra, porque não há melhor transporte do que a Internet, vivemos presos no paradoxo em que também nunca antes vimos a nossa individualidade tão ameaçada.

Para assinalar o Dia Internacional da Amizade, que se assinalou a 30 de Julho último, a Victoria Milan, uma rede social de encontros lançada em 2010 e que tem hoje seis milhões de membros em mais de 33 países, incluíndo Portugal, aproveitou a sua base de dados para tentar descobrir algumas das coisas que ainda nos mantêm diferentes - principalmente entre sexos. Para além de ser uma plataforma para marcar encontros, a Victoria Milan tem uma peculiaridade: é destinada, principalmente, a mulheres e homens casados ou comprometidos, que procurem um caso extraconjugal discreto. Sim, é uma plataforma que junta pessoas que querem encornar outras.


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E é só quando entramos no mundo das fantasias sexuais de cada um que nos apercebemos do quão vasta e perversa a mente humana consegue ser. Desde fora, parecemos ter vidas idênticas – acordamos, trabalhamos, somos pais e mães e voltamos a dormir. Parecemos todos mais do mesmo, principalmente às mãos de governos e empresas poderosas que nos espiam e contam como gado, que prevêem os nossos movimentos e desenham o nosso perfil com base numa pegada digital.

Mas, nas fantasias sexuais, nesse mundo invisível que vive dentro de cada um de nós e que, discretamente, nos guia pela vida e decide os nossos movimentos, aí sim somos todos diferentes. Aí a individualidade reside na sua mais pura forma, no seu estado mais secreto e intocável, no seu ser absolutamente pervertido e infinitamente poderoso.

E, com isto em mente, a empresa Victoria Milan inquiriu mil e 300 pessoas – casadas ou numa relação, claro está – de 12 países diferentes, um deles Portugal, com o objectivo de saber quantos de nós fantasiamos com os nossos melhores amigos do mesmo sexo. E, já que estavam com a mão na massa, quantos de nós tornaríamos essa fantasia real.

Os resultados surpreenderam: 87 por cento dos homens inquiridos confessou que algumas das suas fantasias sexuais mais comuns envolvem o seu melhor amigo, apesar de apenas 41 por cento dizer já se ter sentido sexualmente atraído por ele. Por sua vez, no caso das mulheres, 55 por cento diz nunca ter tido fantasias sexuais com a sua melhor amiga, mas confessam já se terem sentido atraídas por ela.

“Estar sexualmente atraído por pessoas que fazem parte das nossas vidas é completamente natural, especialmente se tivermos uma relação próxima com elas”, diz Sigurd vedal, CEO e fundador da Victoria Milan. E continua: “Quer seja do mesmo sexo ou não, os amigos têm sido sempre uma fonte inesgotável de fantasias". Este inquérito foi uma forma que a empresa encontrou para testar as diferenças entre mulheres e homens no que toca aos pensamentos mais íntimos, aqueles que nos fazem tremer entre as pernas.

A conclusão do inquérito parece ser que as mulheres casadas estão mais abertas a experimentar com as melhores amigas, visto que mais de metade admitiu já se ter sentido atraída por elas em algum momento. Os homens não estão tão abertos a este tipo de experiência e reportam menos atracção pelos melhores amigos, mas andam pelos cantos a fantasiar com eles. Aliás, segundo Sigurd Vedal, "Os homens heterossexuais estão sempre menos dispostos a admitir abertamente que têm fantasias sexuais em relação a outros homens", explica. E remata: "Mas, as percentagens são bem claras. De facto, muitos dos homens que procuram um caso no victoriamilan.com tornaram-se membros para encontrarem outros homens com quem experimentar".

O sexo é, pois, a linha invisível que conecta todos os pontos. Um dos instintos básicos que nos move. Para compreender o ser humano, para desmistificar esta era tecnológica, para racionalizar o estranho mundo da Internet ou até para descobrir a diferença fundamental entre homens e mulheres, seja o que for, tudo passa pelo sexo. Porque as nossas fantasias sexuais são inteiramente nossas, quer sejam estranhas, imorais ou até ilegais - é no sexo que somos completamente nós próprios, porque aquilo que te faz vir não pode ser falsificado, é incontrolável e vai muito além do racional. E, por isso, nesta eterna batalha dos sexos, neste debate inacabável sobre o que é, afinal, aquilo que nos separa, parte da resposta está entre os lençóis.


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