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A alegria cabeçuda que foi o show do Adrian Belew em São Paulo

Guitarrista que já acompanhou Frank Zappa, Bowie e King Crimson estava feliz da vida fazendo altos barulhos no Carioca Club no último domingo (27).

Todas as fotos foram gentilmente cedidas por Ralf Henze, o bralemão (em minúsculas mesmo).

É possível que você nunca tenha ouvido o nome de Adrian Belew, mas com certeza você já escutou as guitarras dele. Talvez no groove icônico de "Genius of Love" do Tom Tom Club, sampleado pelo Ol' Dirty Bastard e a Mariah Ou talvez no solo doidão que encerra "Boys Keep Swinging" do Bowie. Ou no clássico industrial "Downward Spiral", do Nine Inch Nails — ele está lá. Quer dizer, esse cara tem uma cacetada de sons na manga e não parece querer parar.

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Aos 66 anos, Adrian permanece sendo um cara extremamente produtivo. Apadrinhado pelo Frank Zappa, começou a carreira aos 20 poucos anos tocando na turnê do Baby Snakes — em que ele fazia guitarra ritmo e imitava o Bob Dylan. No meio da turnê com o Frank trombou com Brian Eno, que o apresentou ao David Bowie e de cara já foi convidado pra tocar na turnê do Heroes. Depois disso, tornou-se frontman da banda mais cabeçuda da terra, o King Crimson, e logo depois gravando uma cacetada de álbuns: Paul Simon, Herbie Hancock, Ryuichi Sakamoto, Talking Heads e mais.

Além dessa porra toda, ano passado ele ganhou alguns prêmios com seu último trabalho, um álbum interativo lançado por um aplicativo. Ele também dá aulas, desenha suas próprias guitarras, se apresenta com orquestras e ainda descola um tempo pra tocar em terras brasileiras com seu projeto mais recente, o Adrian Belew Power Trio.

Adrian mostrou suas guitarras e vocais esquisitões em uma apresentação única em São Paulo no último domingo (27), onde se apresentou pela primeira vez. Acompanhado dos afiadíssimos Julie Slick (baixo) e Tobias Ralph (bateria), o americano trouxe um repertório que misturou canções próprias, clássicos do King Crimson e mais umas piras instrumentais.

No palco, Belew encarna seus pares emprestando as caras e bocas de David Byrne e as ambiências de Robert Fripp. Cheio das tecnologias, mistura pedais valvulados com efeitos de iPad. Os solos doidões animaram a plateia do Carioca Club, formada na sua maioria de homens héteros de meia idade, em contraponto à molecada suada que curtia a barulheira de olhos fechados.

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O trio fechou o show de três partes com a complexa "Indiscipline". A faixa, do álbum Discipline do King Crimson, de 1987, marcou sua fase mais post-punk, misturando poesia concreta com riffs dissonantes e polirrítmicos. A pedrada encerrou com classe as duas horas e meia de show.

Gustavo, de 26 anos, ficou na porta na esperança de um autógrafo. "Esse cara reinventou o metal", falou. O Ralf Henze, alemão de 58 anos, veio de Campinas pra ver o Belew. "Conheci ele por conta do Zappa, que vi três vezes lá na Alemanha". O público saiu satisfeito e, entre os fãs, ainda rola uma fagulha de esperança de ver o King Crimson — que fez (provavelmente) sua última turnê ano passado. Mas, pra quem fala que o rock progressivo morreu, ele pareceu estar vivo e muito saudável na pele do Adrian nesse domingo.