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O Dia em que Aprendi a Criar GIFs Artesanais

Fui numa oficina para fazer GIFs e não usei computador. No lugar dele, usei tesoura, papel colorido e revistas velhas.

Ao entrar no SESC Pompeia, em São Paulo, fui direto pra sala de computação. Tinha combinado com o ​Bruno Maron, ilustrador e animador, que participaria da oficina de animação ministrada por ele junto das arquitetas e designers Laura Teixeira e Veridiana Scarpelli. Qual minha surpresa ao descobrir que não havia nenhum computador na jogada? Além de me atrasar pra aula, tive de caminhar até o galpão destinado a atividades manuais que vão da cerâmica à tecelagem passando, veja só, pela criação de GIFs.

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"Aqui eu valorizo mais a criação de construir micronarrativas", me explicou o Bruno. Ele é o cara por trás do ​Dinâmica de Bruto, série de quadrinhos de traço tosco e discurso mordaz. A relevância da narrativa está ali tanto quanto em​Praxedes, um espermatozóide. A animação conta a história anticlimática de um projeto de humano que só tinha uma função. Foi o primeiro projeto animado do Bruno e, desde então, ele não largou mais a mesa de luz e o After Effects.

O making of da minha obra de arte. Crédito: Anna Mascarenhas

"O tipo de desenho que eu faço tem uma limitação de recurso que não solicita algo muito maior. Eu gosto de fazer coisas 2D, uma animação limitada", me disse ele. O caminho para o GIF foi natural para o cara, afinal, o formato não passa de uma animação extremamente limitada a ponto de confundir começo, meio e fim. "O GIF tem um pouco do meme e da tirinha, esse punchline", explicou o Bruno.

A sacada do GIF ficou mais evidente quando meti a mão na massa. A repetição é fundamental nesse tipo de microanimação. É isso que faz o GIF algo tão famoso e espalhado na internet. O Bruno explicou. "Apesar de o ser humano ter várias funções e órgãos que fazem movimentos de repetição, a gente vive uma vida singular, sujeita ao caos. E ele pega esse truque da graça embutida na repetição."

Até tinha um computador dando pinta lá, mas era pra assistir umas animações. Crédito: Anna Mascarenhas/VICE

Rapidinho eu peguei a ideia de abandonar o computador, uma ferramenta, em nome de papel colorido, revistas, tesouras, cola, fita adesiva e todos aqueles itens que aparecem em programas infantis na hora de uma atividade interativa. Cortei uns bonequinhos de macaco, um tênis descolado, um fundo rosa, uma mão segurando um celular velho e quando percebi tinha uma papelada na mão e uma ideia na cabeça.

Dali em diante a ordem da sobreposição dos elementos seguiu a minha ideia de GIF. Sem a muleta das camadas do Photoshop, tive de pensar o que precisava na cronologia exata. Foto a foto, quadro a quadro. O Bruno ficou encarregado de juntar tudo no computador. "Existem várias maneiras de sequenciar a criação. O mais importante é que o cara tenha a noção de que ele pode criar uma imagem pensando no movimento."

E eu fiz isso.

​Nesse link estão todas as criações realizadas na oficina de microanimação. O Bruno adicionou uma trilha sonora a cada uma delas. Não se trata mais de GIFs no sentido estrito da extensão, mas a estética do formato mais zé-graça da internet está aí, disponível a qualquer um que queira se arriscar também.