'Alien: Isolation' é a experiência da saga 'Alien' mais autêntica dos games

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'Alien: Isolation' é a experiência da saga 'Alien' mais autêntica dos games

Em ‘Crew Expendable’, DLC do jogo, nunca foi tão bom estar preso na nave com o famoso monstro extraterrestre.

Esta matéria foi originalmente publicada no Waypoint.

Tripulação descartável (ou "crew expendable", em inglês). Nunca foram feitas palavras tão honestas para descrever os personagens nos filmes da saga Alien, cujos fãs comemoraram ontem o Dia do Alien. Seja lá a situação, a relação entre os humanos e os alienígenas da série sempre foi cruel e letal.

De todos os jogos relacionados a Alien desde quando o filme lançado em 1979 foi adaptado em 1982 pro Atari 2600, o mais recente Alien: Isolation é o que melhor recria em um formato interativo a sensação de pânico que as tripulações da série sentem quando são caçadas pelo monstro. Você é isolado em uma nave ou estação espacial abandonada e, inevitavelmente, de um jeito ou de outro, morre de um jeito horrível.

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Alien: Isolation é uma linda carta de amor à direção de arte dos primeiros filmes, com todo aquele cenário industrial do espaço, os dutos de ventilação apertados, os computadores monocromáticos e ferramentas improvisadas que são fundamentais na história da série entre o primeiro Alien e a sequência de ação dirigida pelo James Cameron, Aliens. No papel de Amanda Ripley, filha da personagem de Sigourney Weaver, você tem que sobreviver a um alienígena imortal e agressivo, que reproduz com fidelidade a personalidade do monstro do filme original do diretor Ridley Scott.

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A história se arrasta um pouco depois de 20 horas de jogo, que seria ideal se fosse comprimido em uma experiência mais curta, de umas oito horas. A opinião sobre o assunto varia, claro – só sei que eu mesmo sinto esse problema quando jogo Isolation.

Perdi interesse na fórmula de gato-e-rato no começo do jogo, mas que com o tempo fica cansativa, por conta dos momentos repetidos de se esconder nos dutos de ventilação, nos armários e a sensação persistente de perseguição, que tiraram o meu tesão depois de umas nove horas de tensão. O que é chato pra mim, porque amo os dois primeiros filmes e boa parte das adaptações da época, incluindo os games.

Todas as fotos do DLC Crew Expendable foram capturadas pelo autor

Já falei sobre as duas adaptações 16-bit de Alien 3 – jogos únicos pros consoles da Sega e Nintendo, especiais às suas maneiras – e o excelente Infestation, pro DS, que é um dos melhores games inspirados em Aliens (ou seja, que reproduz muito bem o clima e caos do segundo filme). Pro Dia do Alien, que rolou ontem, queria falar sobre algo diferente. Algo "autêntico". Algo rápido, afiado e, por mais que eu odeie sentir isso num game, assustador.

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É por isso que nesse momento eu me encontro escondido na sala do servidor da Nostromo, no papel do Capitão Dallas, desesperadamente tentando me esconder atrás de algum objeto grande o bastante pra que o bichão de quase três metros de altura que está me caçando não me veja. Apesar de ter jogado muito Isolation, ainda não tinha conseguido brincar com os conteúdos extras do jogo: Crew Expendable e Last Survivor. Como são fases curtas, nenhuma delas vai se estender demais até ficar chata. Então, o problema que Isolation não soube trabalhar, repetindo a sua fórmula de esconde-esconde a exaustão, não vai pintar por aqui.

Todas as fotos do DLC Crew Expendable foram capturadas pelo autor

Faz mais sentido jogar Crew Expendable antes – só pra seguir a cronologia dos filmes, já que os eventos dessa expansão acontecem antes de Last Survivor, e funciona como uma versão alternativa da história de sobrevivência da tripulação contra o assassino extraterrestre indesejável da Nostromo. No filme, Dallas se embrenha nos dutos de ventilação na tentativa de expor o alienígena – apesar de não dar muito certo, como já sabemos no filme. Eu escolhi jogar com o Dallas, mas o DLC permite que você jogue com o Parker ou a Ripley também.

A última personagem, que é a heroína dos primeiros filmes (e a anti-heroína, eu acho, do quarto), é a grande protagonista de Last Survivor, que reconta os últimos momentos do primeiro filme, quando a Nostromo entra na contagem regressiva de autodestruição – e todos os desdobramentos terríveis nesse processo. Ainda não joguei essa parte – acho que vou guardar pro Dia do Alien do ano que vem. O que eu queria era uma experiência autêntica, e quase consegui isso.

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Todas as fotos do DLC Crew Expendable foram capturadas pelo autor

Em Alien, dependendo da versão que você assiste, o Dallas é morto nos dutos de ventilação, ou capturado pelo monstro e transformado em casulo, como mostra a versão do diretor de 2003. Na vez em que joguei Crew Expendable, ele morre de um jeito horrível na sala do servidor da nave, já que o lança-chamas não foi o suficiente pra espantar o bicho. Talvez seria melhor se eu tivesse o mantido na coleira, né?

Não ligo muito pra morte, porque é inevitável – o Dallas morre, e já que Isolation faz parte da história oficial da série, um dos dois únicos games que podem se gabar disso (que é a única coisa que o péssimo Colonial Marines pode se gabar), então naturalmente os seus criadores não vão causar uma reviravolta que não existe na narrativa original. Mas, sendo um jogo, você tem sempre uma segunda chance. E uma terceira. E talvez uma quarta.

Todas as fotos do DLC Crew Expendable foram capturadas pelo autor

Toda vez que a Lambert mandava um "Ah meu deus, ele tá indo te pegar!" e o Dallas morria na ventilação, ela me fazia questionar as suas habilidades como navegadora da nave. Mas, um bom tempo depois da minha primeira morte, prendi o alien na câmara de vácuo, pronto pra mandar ele pro inferno e… ah, merda. Ele me pegou de novo e não consegui a minha vingança.

Mas, visto que o Crew Expendable é realmente fiel ao filme, e tem uns 30 minutos de terror tenso, ou um pouco menos se você for apressadinho (boa sorte se você for desses), é óbvio que o DLC vai terminar assim. Afinal de contas, o jogo é Alien, do cenário – que é uma reprodução fiel do cenário dos filmes – aos diálogos novos gravados pelo elenco original, e até a narrativa dessas adaptações.

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Todas as fotos do DLC Crew Expendable foram capturadas pelo autor

E o som. Nossa, deixa eu falar do som. O som desse jogo é magnífico, como podem testemunhar os pelos no meu braço que insistiam em se arrepiar. Desde o barulho insistente, quase antagonista, do radar improvisado que você carrega pra todo lado, até os sons do metal raspando no metal quando os dutos de ventilação abrem, os rangidos distantes da nave, os grunhidos dos computadores, os sustos de qualquer coisa caindo das prateleiras, os gemidos mecânicos da trilha tensa, tudo que envolve o som de Crew Expendable é impressionante. E apesar de todo mundo já conhecer bem o barulho do alien, aquele chiado horrível, quando surge, é foda.

Claro que a ambientação inteira é fantástica – mas desde a primeira nave de Isolation, a Torrens, já fez um ótimo trabalho em replicar os cenários do Nostromo, e é por isso que o DLC passa a sensação de déjà vu, primeiro por conta do filme e depois por conta da campanha principal.

Mas não estou reclamando – é exatamente o que eu queria, uma versão do filme comigo dentro. Essa é a experiência da expansão, e apesar de chegar atrasado na festa, principalmente porque Isolation não funcionou a longo prazo pra mim, fiquei feliz de finalmente curtir o DLC, num dia apropriado. Tripulação descartável, de fato. Algo me diz que o pessoal da futura nave Covenant, do novo filme da série que está prestes a estrear, também vai sofrer o mesmo destino dos seus colegas de sacrifício humano. Meus pêsames.

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