Procurei imagens de estoque de "amor" e achei esses burricos fofos. Desculpe. Foto via usuário do Flickr Klearchos Lapoutsis.
Um torniquete de couro se aperta na sua garganta e suas pernas, que estão presas aos seus ombros por um sistema complexo de polias e correntes, e elas começam a endurecer. O sangue vai todo para seus genitais e seu cérebro e, enquanto treme num orgasmo magnífico, você resmunga "te amo".
A cera pinga dos seus mamilos e esfria nas suas coxas, queimando, solidificando e provocando um arrepio estranho na sua carne macia e, à beira do gozo, você arqueja e diz "te amo".
Mãos que não podem ser vistas te chicoteiam da escuridão, cada um dos seus membros está amarrado à cama, seu corpo não é mais seu –— arranhões, hematomas, a picada do chicote e os vergões do sofrimento. Aí você se contorce, eufórico, e grita para seja lá quem está te machucando, te dando prazer, "te amo".
Você toma um gole de água porque todo fluído do seu corpo se foi numa grande onda e sussurra, "te amo".
Sua pele está brilhante e fresca depois do banho, você está usando sua roupa de baixo mais justa, e de repente, cada um dos seus buracos é penetrado de uma vez — cada um, você é aberto e preenchido como uma almofada numa fábrica de almofadas – e você grita, de surpresa e deleite, "te amo!"
Você se ajoelha e graciosamente desmorona chão sujo, gargarejando "te amo".
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CHEGA, aqui vai a notícia: dizer "eu te amo", ou falar sobre amor ou qualquer coisa assim na cama, é mais erótico a longo prazo do que usar lingerie sensual ou investir pesado nas preliminares.
Isso segundo um estudo da Chapman University sobre hábitos sexuais e satisfação com 39 mil adultos casados ou juntos e heterossexuais — pessoas que estão com seus parceiros por três anos ou mais. Tipo, o exato inverso de kinky. Os praticantes do sexo mais papai e mamãe do universo. O tipo de pessoa que diz "água sem gelo, por favor". O pessoal mais "apaga a luz, por favor, Marta? E fecha as cortinas. Não consigo descansar com as cortinas abertas" do mundo do sexo.
Bom, desse pessoal, os mais satisfeitos são aqueles que se envolvem em comportamentos íntimos, com 75% dos homens satisfeitos e 74% das mulheres satisfeitas do estudo sendo aqueles que dizem regularmente "eu te amo" ou falam de maneira carinhosa quando transam. E provavelmente dizem coisas logo depois como "gosto mais de ficar de conchinha do que de transar, sabe". O tipo de pessoa que acorda cedo para ir à feira de orgânicos. Que fica sonhando em viver na época do Downton Abbey. Que leva uma Tupperware de castanhas e sementes pro trabalho para não cair em tentação e comer um delicioso Fofura.
Dito isso, a frase também é dita por 49% dos homens insatisfeitos e 44% das mulheres insatisfeitas, então talvez o amor seja uma puta mentira.
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"Quase metade dos casais satisfeitos e insatisfeitos leem livros e matérias de revistas de autoajuda sexual, mas o que diferencia os casais satisfeitos é que eles realmente tentam algumas ideias", disse o líder do estudo, Dr. David Frederick. O estudo também descobriu que 83% das pessoas se sentem sexualmente satisfeitas nos primeiros seis meses do relacionamento, e que as pessoas que mandam mensagens picantes no começo do dia têm mais chances de se satisfazerem sexualmente mais tarde. Variedade sexual também é importante para a satisfação geral, mas os analistas não descobriram exatamente quais sabores sexuais conduzem à satisfação de longo prazo — "faltam evidências da eficácia de formas específicas de variedade, como tomar banho juntos, usar lingerie sexy ou usar brinquedos eróticos" — então você vai precisar dar uma explorada.
Sendo assim, graças à ciência, se você planeja ter um orgasmo sísmico no final de semana, não chegue pro seu amor com um consolo, uma coleção de géis que esquentam, algemas ou um DVD sinceramente tosco de pessoas transando. Em vez disso, se declare de cara, no meio dos lençóis recém-passados, logo antes de chegar ao clímax seis minutos depois de começar.
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Tradução: Marina Schnoor
