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Tecnologia

O Futuro é agora: Cinco coisas que espero ver no Project Glass

Raio-x, cenas à Dragon Ball Z, realidade virtual e mais cenas fixes
8.4.12

Na semana passada a Google revelou o

Project Glass, um plano para criar uns óculos de realidade aumentada que integrariam vários serviços da Google como o Maps/Street View, o Hangout e o Voice. Parece altamente a ideia de andar na rua com os óculos à La Forge que te dão as indicações do caminho a seguir e que te deixam falar com os teus amigos por webcam enquanto passeias na rua. Curiosamente, o Google Ads fica de fora, o que torna tudo um pouco irrealista. Dará mesmo para acreditar que o meu ângulo de visão não vai ser reduzido por banners e pop-ups irritantes?
Bem, a primeira coisa que isto me fez lembrar foi aquele episódio do Futurama em que toda a gente quer comprar o EyePhone, um aparelho que se espeta no olho e que permite às personagens animadas navegar na internet ou transmitir mensagens aos amigos, gravar vídeos e essas coisas todas. O episódio tem uma lição moral meia forçada sobre os malefícios de andar sempre na internet e as piadas anti-Apple são óbvias e não muito engraçadas, mas a tecnologia parece altamente e ainda bem que não foi preciso esperar 1000 anos para ela chegar. No entanto, pelo que nos mostraram até agora, o projecto deixa muito a desejar e o pessoal da Gizmodo relembra que a Nokia já tinha imaginado uma coisa semelhante há coisa de três anos. Aqui fica uma lista de features que gostava mesmo de ver no Project Glass ou nessa coisa da Nokia: Outras apps da Google como o Google Goggles e o Google Sky Map
O Goggles é a coisa mais óbvia da lista: desde que saquei esta aplicação para o meu Android que penso no potencial que isto teria com uns óculos. A app permite, instantaneamente, pesquisar fotografias que se tiram com um smartphone no Google Images. Quando se tem aqueles momentos em que vemos algo e pensamos "já vi isto em algum lado", aquilo procura e ajuda-nos a relembrar onde é que foi que isso aconteceu. Também funciona como leitor de códigos de barras ou tradutor e, se tirares uma foto a um business card, aquilo passa-te as informações de contacto todas para a lista de contactos. Só me admira que nada disto apareça no vídeo. O Sky Map é um Google Earth invertido e permite ver as constelações que estão imediatamente acima de nós apenas apontando o telemóvel para o céu. Fazer o mesmo só com o olhar era muito mais fixe. Juntava-se um zoom potente e adeus telescópios civis.  Mais espectros: visão nocturna, infravermelhos, raio-x
Já existem óculos que nos permitem ver estas coisas, então por que não juntar tudo no mesmo sítio? Quero passear sossegado à noite, sem medo de passar por becos escuros, quero saber se, ao virar a esquina, vou esbarrar contra alguém. E sabem aquela coisa que os teus amigos te dizem, quando vais a uma entrevista de emprego? "Imagina que o entrevistador está nu, assim vês que ele é um ser humano como tu e ficas menos nervoso" — pois, se não te considerassem douche por usares uns óculos todos tecnológicos numa entrevista de emprego, isto seria tudo mais fácil.  Tudo aquilo que os mangas e o complexo militar-industrial-cultural americano nos prometeu
Ou seja, um sistema operativo à Terminator/Iron Man/Guerreiros do Planeta Vegeta. Quero algo que não me dê apenas a localização dos meus amigos e as indicações de como lá chegar. Quero algo que também reconheça uma cara na rua e me vá buscar toda a sua informação pessoal: altura e peso (para ver se a roupa me serve, se acordar nu no passado) número de BI e NIF, registo criminal, currículo, perfil das redes socias, etc. Acham uma violação de privacidade? Não me interessa, sou jornalista e sou a favor da transparência. Como no Dragon Ball Z, quero também que me diga o nível de força das pessoas na rua. Se eu detectar que o guna que me quer assaltar é mais franganote que eu, já não tenho que lhe dar os meus óculos hi-tech que me custaram cinco mil euros: posso simplesmente partir-lhe a cara. Quero também uns óculos que sirvam de mira e que me avisem da trajectória de misséis que vão na minha direcção e que me ajudem a controlar o meu jet-pack para fugir deles. Se estiver a pensar tornar-me num repórter de guerra vou precisar de tudo isso. E aposto que a DARPA já anda há anos a trabalhar em algo parecido.   Óculos à Spider Jerusalem que tornem o meu cérebro num disco rígido
Os amigos querem-me mandar um ficheiro pelo WeTransfer para os óculos, mas aquilo não tem memória suficiente, por isso descarrego tudo para o cérebro. Se, como nos quadradinhos acima, a única memória que perco é a da última ida à casa de banho, fico feliz, mesmo que tenha sido épica. Um portal para o Ciberespaço: algo mais na onda do Neuromancer, Tron ou Matrix (para os básicos)
Que se lixe a realidade aumentada, o que eu quero é uma realidade virtual a sério, não aquelas porcarias que tínhamos nos 90 ou o Flight Simulator. Quero entrar num mundo virtual e jogar o GTA como se fosse a personagem principal. Ou isso ou algo que me deixasse hackar computadores só com o olhar. Isso também seria alta cena.