O estudante Julio César Novo Filho, detido pela polícia de Limeira depois de espalhar um áudio anunciando falso toque de recolher. Crédito da imagem: Rápido no Ar
Nos últimos dias, um áudio anunciando um falso toque de recolher em diversas cidades do interior de São Paulo criou um pânico generalizado. A gravação, feita por um estudante de 19 anos, pedia que comércios, escolas, faculdades e hospitais fechassem na quarta-feira (26) a partir das 22h. Caso contrário, o "pipoco" iria "estralar pra dentro" nos municípios de Campinas e região.
"[Nos] últimos dias aí tá tendo uma procedência muito estranha e esquisita da galera dos vermes [policiais]. Então, tô avisando que a bandeira vai subir e, a partir dessa quarta-feira, às 22h, toque de recolher geral", informa o áudio.
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Limeira ficou responsável pelo caso e chegou até o criador do áudio: Julio César Novo Filho. Na presença dos pais, ele confessou aos policiais que era o responsável pela gravação, que rapidamente se espalhou pelo WhatsApp.
"Era uma brincadeira", confessou Julio, que foi indiciado por apologia ao crime e falso alarme.
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Na quarta-feira em questão, comerciantes baixaram as portas antes da hora e estudantes deixaram de ir à aula ou saíram mais cedo assustados.
"Vamos passar em frente aos postos policiais e, viatura que a gente encontrar na rua, só vai ser rajada", dizia o áudio que botou pânico em Campinas e região
Ao encontrar o perfil de Julio no Facebook, a polícia se deparou com fotos do garoto exibindo armas – o que fez as suspeitas aumentarem.
Para o investigador Marcos, da DIG, Julio "não é bandido". Por telefone, o policial falou à VICE: "Ele é de uma residência bem humilde. Não tem passagem [na polícia]. Ele alegou que fez isso meio na brincadeira, só que não esperava que tomaria a proporção que tomou." Segundo o investigador, as fotos foram deletadas.
Os crimes pelos quais Julio foi acusado são de menor potencial ofensivo, por isso ele responde em liberdade. Seu iPhone foi apreendido e será enviado para perícia.
