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música

Choro de prazer e de pânico nos outros dias do SBSR

Amor e ódio na relva-poeira do Meco.

Por Pedro Paulos
10 Julho 2012, 12:00pm



O primeiro dia é novidade, ao segundo já conheces os cantos à casa. Já sabes que provavelmente nem te revistam à entrada por teres credencial de imprensa e já aprendeste que não se mandam cervejas da varanda VIP. No terceiro dia já toda a gente é amiga de toda a gente, sentes que já moras ali, já disseste todas as piadas de fila de espera que conheces e estás tão cansado que parece que acabaste de fazer um corta-mato.




O Peter Gabriel numa das músicas estava sempre a fazer mãozinhas de gangster.

Os dois concertos com mais choro foram paradoxalmente os dois ódios de estimação, Lana del Rey e Skrillex. A dama do botox trouxe umas pernas gigantes e até se baixou para cantar mais intimamente, mostrando assim as cuequinhas (eu só pensava “espero que o Meireles apanhe isto em foto”).




"Não tenho a certeza se é fixe gostar ou não".

Não acho a miúda nada de especial, mas porra aquilo resultou. Havia muita água a pingar na audiência: as meninas choravam e os homens babavam-se. Toda a gente sabia as letras de cor. Não fossem todas as músicas iguais e até eu tinha gostado de um concerto só com pianos e violinos. Ora se ajoelhava, ora fingia que estava a sacudir a saia e ainda foi ao público apertar a mão de um pessoal. Um rapaz atrás de mim disse ao amigo, pelo meio de umas gargalhadas bem perversas, “ainda bem que estão aqui estas grades para o tapar!”.





Já o Skrillex é daqueles artistas que nos apetece gostar só para chatear toda a gente. É claramente música de entry-level na EDM (Electronic Dance Music), como agora chamam à música de carrinhos-de-choque. O Skrillex está para a electrónica como os Blink 182 para o punk ou os Slipknot para o metal — estas referências já estão ultrapassadas?

Estava tão agressivo e perfeitamente alinhado aquilo que ele estava a fazer que das duas uma: ou ele é um DJ perfeito ou estava tudo pré-feito em casa. Não me lembro de nenhuma parte em especial, eram só músicas todas iguais com clássicos de reggae a intervalar. As projecções de vídeo eram de rir: o Pai Natal, o Nyan Cat e alguns jogos de computador. Parecia aquele programa, o Gosto Disto!, mas em versão anime/deviantart.

A fila da frente era um misto de miúdos a chorar — uns de prazer, outros de pânico. Eu já estive em moshpits muito agressivos mas estava com medo de um fim skrill ex machina e tive de fugir pelas grades (obrigado ao segurança). Também havia muitos insufláveis no ar, o Meireles (o fotógrafo) levou três vezes com uma orca enquanto trabalhava. Estávamos tão bêbados que ficámos a ver aquilo, dançámos muito e até gostámos.



Íamos acabar a noite, por isso fomos ver se ainda dava para tirar uma foto ao Villalobos. Só deixavam tirar no palco e, graças a isso, acabámos a noite a dançar ao som do Ricardo Villalobos em cima do palco com uns famosos e anónimos. A tenda estava totalmente preenchida. O tempo passou rápido e a música era óptima. Bebemos tudo o que havia à mão e estávamos mesmo “living the dream” até que, de repente, acabou. Perguntei a uma pessoa mesmo fixe da organização se lhe podia pedir para tocar mais e a resposta foi “porque não pedes tu?”. Eu pedi, ele tocou. O Meireles diz que estava lá mais gente para além de mim, mas eu acho que fui eu. Escusam de agradecer.














Fotografia por Bruno Meireles