Um brasileiro explica o Carnaval aos portugueses

Dicas de sobrevivência em época de corpo à mostra.

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12 fevereiro 2013, 3:01pm

"Veeeem, seu gostoso! Vamo sensualizá!".


CAR.NA.VAL
s. m.
1. Orgia romana. Só que bem mais colorida, com confetis, música e bebida.
2. Época do ano em que "ninguém é de ninguém”. Todos os corpos estão expostos numa montra de perdição e prazer. Toda gente fica louca e, nove meses depois, a taxa de natalidade do país sobe.

Agora que já sabes a definição, chegou o momento das dicas. Estás preparado? Sim, ou assim-assim? Então, junta-te a mim num comboio para o mundo da folia.
SAMBA
Para começar, vou dar cabo de um mito: não precisas de saber sambar para ir ao Carnaval.

És europeu? Tens dinheiro na carteira? Elas adoram. Confia em mim.

Dica de ouro: Ups, és pobre? Se tiveres sotaque português e disseres que os teus pais recebem em euros, elas vão achar-te um mimo na mesma, não te preocupes. Ainda podes ser o rei da folia!

"ELAS" QUEREM VER-TE BÊBADO

A probabilidade de ficares todo cego é enorme. A caipirinha pode parecer inofensiva ao primeiro gole, mas faz grandes estragos. Nessa fase, é quase impossível distinguir uma gaja de um travesti.

Uma das primeiras coisas que um brasileiro te pergunta durante a festa é: "E aí cara, beijou quantas minas?" No mínimo, o que ele vai querer ouvir de volta é algo como: "Pá, umas 15 só enquanto fui comprar outra cerveja!” Ele vai bater-te nas costas e ficar todo feliz por ti. “É isso aí, cara! ‘Bora atrás de mais umas 20!" E a festa continua.

Mas atenção, amigo! No teu percurso beijoqueiro podes ter beijado um homem! No Carnaval, nem tudo é o que parece ser. Os travestis estão por toda parte! São giros (sim, qual é o problema?), têm as melhores mamas, os melhores derrières

e nunca te negam nada. Desconfia, mas se essa for a tua cena, força! Estás no sítio certo! Nada contra. Um amigo meu, por exemplo, já seduziu um travesti e só descobriu na cama. Então, já sabes: no meio da folia, nem todas as miúdas têm vaginas e nem todas as vaginas pertencem a uma miúda. Torna-te esperto!

Dica de ouro: As mulheres maduras, 100 por cento MILF, estão mais disponíveis para o sexo casual. Elas vão estar lá, meu caro, à tua espera.


A RUA É A CASA DE BANHO DE TODA A GENTE
Hora errada para o engate, meu!

Bebeste muito? Já estás todo mamado e feliz? Pronto, é assim mesmo que tem de ser. Só que agora chegou o momento de procurar o sítio certo para regar as azeitonas. Mas atenção: vai ser impossível encontrar uma casa de banho pública.

E é nessa altura que um dos teus sentidos é activado: o olfacto. Se és um iniciante, não sabes, mas o odor oficial do Carnaval no Brasil é o mijo. A coisa boa é que ao segundo dia já não o sentes, porque estás habituado.

NEEEEXT!

Cena clássica.
Cuidado com estes gajos! No Brasil, chamamos-lhes de “manja-rola”

O PÓ

Assunto polémico no Carnaval: o pó é quem comanda a festa. Não curtes? Azar, não podes fazer absolutamente NADA. Está por todo o lado e em algumas festas são extremamente proibidos.

Facto curioso: não vais encontrar pó para comprar, já esgotou em todo o lado. Mas não te preocupes: toda a gente vai esfregar-te na cara uma quantidade absurda de pó. Até o Charlie Sheen morreria de inveja. A Igreja Católica não curte muito o pó por lá e fez um hit animado:

FAZ TUDO PARA APARECER

Qual é a piada em ir para uma festa como o Carnaval e não ser visto? Ir sem um disfarce para a folia é como ir à Disney e não ver o Mickey. É básico, é como diz aquele velho ditado: quem não é visto, não é lembrado.

“Eu nasci assim, eu cresci assim, Gabrieeela! Sempre Gabrielaaaa!”

Acho que está tudo. Pessoal, até ao próximo festival da carne, da balbúrdia de “bundas”, da orgia de cores e sons, da conversão de anjos em demónios, do samba no pé e na pila, dos cães-humanos vadios — sem coleiras, sem decência, sem pudor —, das músicas que entoam cânticos da Profecia Sexual, onde a virgindade é profanada, a pureza dilacerada em gemidos de prazer e torpor, e onde os aromas e sabores nos transportam a um lugar mágico chamado suruba de onde só se sai na quarta-feira, de calças arriadas, na esperança que, daqui a 365 dias, a magia da putaria nos volte a sorrir.


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