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Deixem-se de merdas, russos púdicos: as Pussy Riot que sejam livres

Chamam-nas de hooligans, mas as Pussy Riot são umas rainhas.
17.8.12

As Pussy Riot são muito mais do que um movimento pela vagina. Se fosse só isso, não teria havido tanta chatice. Esta semana, a VICE relembrou uma conversa que teve com as russas antes de estas terem sido presas. Hoje é o dia D  e este “d” não tem nada a ver com o palavreado que o Fórum Sons utiliza  para as miúdas: a data em que ficam a conhecer a sua sentença. Encarceradas há seis meses, sem direito a liberdade condicional, as três raparigas foram acusadas de serem hooligans e caíram nas graças da Administia Internacional, que até incitou uma campanha em sua defesa.

Há que ser realista  daqui até à Rússia ainda são uns bons quilómetros e, com tanta repressão que lá há, a internet até pode ser uma coisa esquisita para estes gajos —, tenho de estar prevenida. Mas já são públicos alguns pormenores aborrecidos: a Nadejda Tolokonnikova, a Ekaterina Samoutsevitch e a Maria Alekhina foram condenadas a dois anos de prisão, por terem feito um concertinho (bolas, não há sentido de humor por aí, pessoal que usa cenas esquisitas na cabeça?) na Catedral do Cristo Salvador. Acho que ninguém deve ser preso por pedir coisas inocentes à virgem, tipo que o Putin se ponha de frosques  é algo perfeitamente normal, até eu já pensei pedir que muito bom político caísse da cadeira, como o Salazar.

Quem não achou muita piada a este acto foi o governo russo e, claro, a igreja ortodoxa, que não perdoa as gajas mesmo depois destas terem pedido desculpa. Onde está agora a salvação que tanto pregam, ó santidades? Apesar de ter sido decretado para hoje o dia de apoio mundial às Pussy Riot, e depois de uma carrada de figuras públicas ter manifestado a sua solidariedade para com as rebeldes, a juíza Marina Syrova, essa medricas que até pediu protecção policial, não esteve com pieguices e acha que as Pussy Riot são culpadas. Pior: diz que elas não mostram arrependimento. Novamente, também não me arrependo de achar que muita gente podia deixar de pisar o mesmo chão que eu e isso não é crime.

A consequência deste horroroso, hediondo e nojento acto que as Pussy Riot fizeram poderia resultar entre três e sete anos de prisão. Sairam-lhes dois anos na rifa, no mesmo dia em que lançaram um novo single para marcar a efeméride. Durante todo o julgamento, centenas de pessoas protestaram nos arredores do tribunal  até mesmo Gary Kasparov, o mítico jogador de xadrez, que acabou por ser preso no meio da confusão.

Este não é o primeiro caso do género, de resto. Também em Moscovo, as Voina, outro colectivo artístico com valores feministas, já encenaram actos de protesto em locais públicos, como um museu, e não enfrentaram estas consequências. Aguardemos pelo que ainda aí vem.